O fremir da autopercepção

Fechou os olhos
Os lábios se distenderam num sorriso
Involuntário
“As mulheres estão se matando”
Pensou

Toda a vida é um combate pela liberdade
O corpo precisa de liberdade
Para ser
Para respirar
A verdade é melhor do que mentiras

Entre ditos espirituosos
Quanto menos a viam
mais difamatórias eram as fofocas
Texturas, humores, caráter, desprezo,
Desespero

Ela não se importava
Quem é causa e vive nos outros para causar?
Quem sabe os instrumentos e quais as pessoas?
Ela, eu, você, Clarice Lispector, Chimamanda, Emily Dickinson, Emma Watson, Emma Goldman, Simone de Beauvoir, Isabel Allende, Virginia Woolf, Jane Austen, Lya Luft, Raquel de Queiroz, Agata Chistie, Jumpha Lahiri, Frida Kahlo, Lina Bo Bardi, Anita Malfatti, Djanira Motta e Silva, Tarsila do Amaral, Zaha Hadid,
Eu, você, Elas, eles,
Todos nós

Feminismo

sarah adulta eu

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Toulouse-Lautrec: Em busca de novos parões

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“Nada existe realmente nada a que se possa dar o nome ARTE. Existem somente ARTISTAS.” Gombrich

No final do século XIX, os artistas ansiavam por uma “Nova Arte”, mais tarde conhecida como Art Nouveau. Essa arte deveria se basear na sensibilidade do desenho e nas capacidades de cada material. Os jovens artistas tinham esperança de que a influencia do Japão pudesse ajudar a Europa a superar o sentimento de inconformismo.

No primeiro momento, parecia que a busca arte em a imitar a impressão visual estava resolvida. Porém, após o impressionismo e a dissolução de contornos firmes na luz bruxelante e a descoberta de sombras coloridas pelos impressionistas, surgiu um novo problema: como poderiam representar sem acarretar uma perda de ordem e clareza? As telas impressionistas eram brilhantes, porém confusas.

Claude Monet. Water Lilies. c. 1920. Oil on canvas, triptych, each section 6'6" x 14" (200 x 425 cm). The Museum of Modern Art, New York.

Monet. Water Lilies (1920). óleo sobre tela, (2 x 4,25 m). Moma, Nova York.

Desde que os artistas passaram a mostrar-se constrangidos no tocante “estilo”, as convenções deixavam-nos desconfiados e a mera habilidade impacientes. Ansiavam por uma arte que não consistisse em truques que podem ser aprendidos, por um estilo que não fosse mero estilo, mas algo forte e poderoso como a paixão humana. Então, três expoentes precisão ser relembrados:

    • Cezanne (1839-1906), considerado pai da arte moderna, detestava a confusão que o momento artístico se encontrava. Entretanto, não pretendia voltar as convenções tradicionais do desenho e do sombreado para criar a ilusão de solidez, também não pretendia voltar as paisagens compostas para obter composições harmoniosas. Sua arte tendia para uso de cores fortes e intensas, tanto quanto de padrões lúcidos.

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    • Vicent van Gogh (1853-1890) impressionado pela arte de Millet, influenciado pelos impressionistas e Seurat. Pintou apenas por apenas três anos, sem conhecer a fama. Ele almejava que suas telas tivessem o efeito forte e direto das gravuras japonesas.

Starry-Night

    • Gougin (1848-1903), soberbo e ambicioso, chegou a se juntar a Van Gogh para produzirem juntos, porém a parceria acabou quando van Gogh num acesso de loucura ataca Gougin. Ele admirava os japoneses, mas a arte deles era sofisticada em comparação com a intensidade e simplicidade por que ansiava. Seu estilo torna-se selvagem após sua estadia no Taiti. Hoje (talvez) não nos impacte tanto, em primeiro momento,  pois estamos habituados a arte contemporânea.

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Cezanne, Van Gogh e Gauguin deram um passo determinante para a arte abandonar a finalidade de representar fielmente a natureza. Extremamente solitários, trabalharam com pouca esperança de serem compreendidos. Cezanne nos levou ao cubismo (França); Van Gogh nos levou ao expressionismo (Alemanha) e Gauguin culminou a diversas formas de primitivismo.

O MASP apresenta “Toulouse-Lautrec: em vermelho”

Toulouse-Lautrec MASP

O MASP está com um mostra incrível do pintor Henri Toulouse-Lautrec (1864-1901). Acredito que ele seja de conhecimento comum no Brasil por causa do filme Moulin Rouge.  Influenciado por Degas (o pintor das bailarinas). Traçou o rumo do Art Nouveau em suas pinturas e gravuras que exibiam um padrão agradável muito antes de se poder ver o que representava.

Além, revolucionar o design gráfico dos cartazes, é considerado o mestre do contorno, podia retratar cenas de grupos de pessoas onde cada pessoa é individual (consta que na época era possível identificar apenas pela silhueta). Frequentemente, aplicava a tinta em uma estreita e longilínea pincelada, deixando a base (papel, tela) ou o contorno aparecer, mas não pintava sombras. Sua pintura é gráfica por natureza. E apesar da litografia cheia de cores de seu tempo poder acomodar dezenas de cores em um só cartaz, Lautrec geralmente escolhia apenas 4 ou 5, raramente, 6 cores. Pois, preferia criar seus efeitos com justaposições e modulações delicadas.

Toulouse optou por retratar a vida em Paris. A prostituição era oficial entre 1804 – por ordem de Napoleão – até 1945 – quando a atividade foi proibida por lei. E encarada como um mal necessário, capaz de acalmar os ânimos masculinos e assim preservar a “pureza” das mulheres solteiras e a ordem pública. As mulheres deviam se inscrever na prefeitura e, em seguida, numa maison close – literalmente “casa fechada” -, onde normalmente moravam. Esse fato marcou a temática do trabalho de Toulouse que acabou girando em torno do esplendor, sensualidade e atmosfera burlesca: destacando a representação das mulheres. Retratando o machismo travestido em esplendor boêmio.

Apesar da prostituição ser tolerada e regulamentada, era moralmente reprovada pela sociedade. Os críticos da época que trataram das pinturas das maisons closes (bordeis) elogiavam os aspectos técnicos ou formais das obras, como o maravilhoso desenho ou o belo colorido. Porém faziam questão de manifestar sua reprovação ao tema. Em 1893, um crítico escreveu que “É pouco provável que se recomende os temas (da pintura de Toulouse) às senhoras, mas sua execução é inegavelmente hábil”.

Infelizmente, não conhecemos os nomes de diversas representantes femininas, em contrapartida sabemos o nome de todos os homens nas pinturas de Toulouse, um sintoma bastante eloquente da discriminação entre homens e mulheres e do papel social de cada um, que também notamos na cultura visual. Mesmo assim, Toulouse-Lautrec parece duvidar das promessas fáceis de felicidade da nascente indústria de entretenimento, pois as feições das mulheres esboçam tristeza, distância da realidade, olhares vagos, apatia, impaciência. Dando espaço para perguntas: Porque conhecemos o nome dos homens, mas não conhecemos o nome das mulheres? Quem é essa mulher?

Por meio das vestimentas e da caracterização do recinto identifica-se a posição social dessas mulheres, mas, ao jogar a modelo no anonimato, verifica-se a posição das mulheres numa sociedade que as objetifica, que as usa e que as mercantiliza como produto de um prazer. Toulouse-Lautrec era próximo das mulheres que habitavam as maison close parisiense, então o artista pode (e quis) retratar as prostitutas durantes seus afazeres cotidianos, a partir de um ponto de vista, considerado, afetuoso. Pois, elas não são representadas através de um olhar desejoso, não se insinuam ao espectador.

Além, representações da homossexualidade feminina são comuns na obra de Toulouse, em pinturas de grande delicadeza. A partir de 1870, o tema tornou-se muito popular entre escritores e artistas que buscavam representar a modernidade decadente de Paris. A maioria das imagens deste tipo tratava as amantes como objetivos de um espetáculo destinado ao consumo masculino, mas Toulouse não repete o estereótipo: ele as retrata com dignidade humana que pouco se notava no período. Despretensiosamente, o artista subverte o imaginário da época com relação ás amantes: homens não estão presentes e não estão convidados; eles eram, porém, os principais espectadores da pintura.

A seguir, selecionei os quadros que mais mexeram com meu imaginário:

A condessa Adèle (1880 – 82)_óleo sobre tela

1880 - 82 _ A condessa Adèle

Toulouse fez esse retrato de sua mãe aos 17 anos: a condessa Adèle. Sentada num banco de jardim, com uma pose respeitosa e contida, como convinha á tradição de retratos das altas classes sociais. Sua roupa de estampa florida e com babados, sugere uma relação de proximidade com o jardim.

Mulher com cachorro (1891) _ óleo sobre cartão

1891_Mulher com cachorro _ óleo sobre cartão

Nas duas pinturas vemos a representação (talvez crítica, espero que crítica) da pintura ocidental:

  • o cachorro aparece muitas vezes junto à figura feminina, simbolizando a fidelidade matrimonial. Para a sociedade europeia dos anos 1890, algumas das qualidades mais importantes da mulher eram a fidelidade ]á sua família e a obediência ao seu marido.
  • a mulher no século 19: que se vestisse com delicadeza e sem artifícios, e que fosse bela e discreta, obediente ao marido e dedicada a família.
  • O jardim não é simplesmente decorativo, pois em muitos retratos da virgem Maria, há um pequeno “jardim fechado”, símbolo de sua pureza.

À la Bastille (1888) _ Óleo sobre tela

1888_À la Bastille _ Óleo sobre tela

Em 1885, Aristide Bruant (1851-1925) fundou o famoso cabaré Le Mirliton, onde se apresentava com canções cheias de gírias e crítica social. Nini (personagem da canção representada pela artista Jeanne Wenz), representada na foto abaixo, trabalha num bar para sustentar seus pais. As mulheres que trabalhavam fora de casa, ou mesmo as que frequentavam o espaço público, eram moralmente reprovadas pelos burgueses da época.  Ao retratar a moça encarando o espectador, Toulouse parece aludir ou pleitear a presença da figura feminina na vida urbana. Me pergunto se não é a mesma Nini do filme Moulin Rouge?

Moulin de la Galette (1889) _ Óleo sobre tela

1889 _ Moulin de la Galette _ Óleo sobre tela

No alto da Colina de Montmartre, em Paris, ficava o famoso Moulin de la Galette, antigo moinho que, no século 19, funciona como bar e salão de dança. Os clientes eram pessoas comuns que subiam as ruas íngremes em busca de algumas horas de prazer, num lugar onde poderiam dançar, beber barato e esquecer da mal paga jornada de trabalho.

Vemos mais de 20 personagens, desde três mulheres e o homem de perfil em primeiro plano, até outros ao fundo, como o policial e os homens de cartola. A diagonal traçada pelo desenho da bancada que divide o quadro e os territórios dos personagens organiza o espaço e a composição, conferindo ritmo e coerência a uma mescla bastante diversa de aplicação de traços e cores na tela – dos personagens em primeiro plano aos mais difusos e tênues ao fundo.

A mesma bancada parece envolver o espectador, trazendo-o para dentro da pintura. É como se estivéssemos sentados em frente a uma pilha de pratos, que marcam a contagem de bebidas consumidas e compartilhássemos a atmosfera inebriante do Molin.

Mulher se penteando em camisola (1891) _ óleo sobre cartão

1891_Mulher se penteando em camisola _ óleo sobre cartão

Cena delicada dentro de um bordel, em que duas mulheres calmamente se penteiam em frente ao espelho. O quadro atesta a intimidade do pintor com elas, transmite um sentido de confiança e respeito.

Femme au boa noir (1892) _ óleo sobre cartão

1892_Femme au boa noir _ óleo sobre cartão

MARAVILHOSO E FORTE! Um dos meus quadros favoritos! a mulher fita o espectador de modo confiante, sorriso irônico e desafiador. No século 19, as mulheres que usavam maquiagem não eram bem-vistas, muito menos aquelas que levavam uma vida indecente.

Portrait de femme de la maison de la rue d’Amboise (1892) _ Óleo sobre tela

1892_Portrait de femme de la maison de la rue d'Amboise _ Óleo sobre tela

Em 1892, a dona de uma maison close encomendou a Toule retratos das mulheres que moravam e trabalhavam ali, e ele fez um conjunto de 16 pinturas ovais para a decoração do luxuoso salão de entrada.

Os retratos ovais tinham um caráter ambíguo, celebravam a importância daquelas mulheres – como na tradição de retratos de imperadores, reis, rainhas e pessoas ilustres que adornavam palácios -, mas também serviam como publicidade, oferecendo-as como objetivo de consumo aos clientes da casa.

As duas amigas (1894)_óleo sobre cartão

1895_As duas amigas_óleo sobre cartão

O clima calmo e intimo. As duas mulheres se abraçam e parecem se acariciar em busca de afeto, satisfação, consolo ou proteção. Elas estão no famoso divã vermelho do salão de entrada da maison close, provavelmente durante o breve tempo livre em que aguardavam o próximo cliente.

Seule (1896)_ óleo sobre cartão

1896_Seule _ óleo sobre cartão

Minha pintura favorita da mostra foi Suele (só). Um estudo feito para uma das litografias que compõem o álbum sobre o cotidiano das mulheres que viviam em bordeis, chamado Elles (Elas) publicado em 1896.

Uma mulher de roupas brancas está deitada na cama; suas pernas vestidas com meias pretas pedem para baixo. Seu corpo parece se fundir com os lençóis, como se fossem feitos da mesma matéria. Isto é enfatizado pelo fundo castanho do cartão sobre o qual a pintura é feita que une todos os elementos representados pelo artista – mulher, cama, lençol, travesseiro, quarto.

As pinceladas de tinta a óleo são rápidas e leves, porém expressivas, sobretudo na cor branca que dá volume e definição a imagem. O resultado é um trabalho bastante sintético, feito com poucos elementos, mas de grande carga emotiva. É considerado um dos trabalhos mais fortes do artista.

Uma possível leitura é a da mulher finalmente a sós com seu corpo, seus pensamentos e sonhos. Talvez sugira algo dramático: uma mulher exausta, massacrada pela vida da prostituição, sujeita às regulamentações da polícia, ao controle da dona do bordel, à competição com as outras mulheres e ao ciclo constante de clientes.

Moulin Rouge (1891) _ Litografia

1891_Moulin Rouge _ Litografia

Este cartaz foi colocado nas ruas de Paris para divulgar a apresentação da dançarina Louise Weber (1866-1907) conhecida como La Goulue – a gulosa – e de seu parceiro, Velentin le Désossé – o desossado, que se chama Jules Renaudin (1846-1947). O cartaz fez um enorme sucesso e consolidou a fama de Toulouse como cronista parisiense.

Em dezembro de 1891, ele escreveu à sua mãe contando a novidade, e também ao grupo belga Les XX perguntando se poderia envia-lo à exposição que estavam organizando em Bruxelas.

Na imagem, vemos o corpo flexivel de Valentin em primeiro plano e, ao fundo, uma multidão de espectadores como silhuetas em um teatro de sombras. No centro da composição, um grande volume branco mostra La Goule levantando sua saia e mostrando sua roupa de baixo. Era algo escandaloso para época, e talvrz por isso seja uma área da gravura em muito detalhamento.

O Moulin Rouge foi o primeiro cabaré a ser iluminado com luz elétrica em Paris, e Toulouse faz o penteado da Gliuse replicar as luzinhas amarelas do lugar.

Jane Avril no Jardim de Paris (1893) _ Litografia

1893_Jane Avril no Jardin de Paris _ Litografia

Jane Avril foi uma dançarina de cabaré mais famosas no final do século 19 em Paris e grande amiga de Toulose que a retratou diversas vezes. Sua história é impressionante: Filha de uma cortesã, teve um infância difícil e fugiu de casa aos 13 anos. Em seguida, após ser diagnosticada com a “dança de São Vito”, distúrbio neurológico que afeta a coordenação motora, foi internada no hospital Pitié-Salpêtrière para mulheres histéricas, em Paris. Durante um dos bal des folles, ou seja, o baile das loucas do hospital, Avril começou a dançar e, segundo conta em seu livro de memórias, encontrou cura para seu disturbio e também sua vocação artistica.

Jane Avril encomenda um cartaz para sua apresentação no cabaré que ficava na avenida Champs-Élysées, em Paris. As poucas cores e grandes dimensões seria colocado nos muros da cidade e foi criado de modo a chamar a atenção dos pedestres apressados.

No cartaz, a mão de um músico e seu instrumento tranformam-se numa moldura para a dançarina e fazem um paralelo com suas meias pretas. Vale ressaltar que apesar de toda a sugestão de festa e divertimento, Avril tem o olhar distante, e Toulouse – Lautrec parece duvidas das promessas fáceis de felicidade da nascente indústria de entretenimento.

Troupe de Mlle Églantine (1896) _ litografia

1896_Troupe de Mlle Églantine _ litografia

O fundo amarelo do cartaz pode ser associado à imoralidade: desde a Roma antiga até o século 18, a cor era usada para representar cortesãs; no século 19, passou a ser associado às prostitutas, que muitas vezes usavam roupas amarelas para serem facilmente vistas à noite.

Em 1899, Lautrec sofre de crises e é internado numa clínica psiquiátrica. Ao sair é constantemente vigiado para que não beba e não volte a frequentar os bordéis, vigilância que ele consegue burlar. Sua saúde vai-se deteriorando cada vez mais, até que, em 1901, não é mais capaz de viver sozinho. Henri despede-se de Paris com a certeza de que está com os dias contados. Sofre ataques de paralisia e quase não consegue mais pintar. Em 9 de Setembro de 1901, Henri de Toulouse-Lautrec morre, em consequência de um derrame.

Curiosidade:

Henri sofria de uma doença genética chamada: Pycnodysostosis, caracterizada por ossos frágeis e baixa estatura, Toulouse não ultrapassou a altura de 1,52 m. Tornou-se um homem com corpo de adulto, mas com pernas curtas de menino. Essa doença foi ocasionada por ter sido gerado por pais que eram primos de primeiro grau.

A exposição será exibida até 01/10. A entrada é franca as terças. E eu pretendo revê-la.

sarah adulta eu

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A vida continua mudando

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Escrever é uma atividade muito reflexiva. Quando começamos esse blog, já se foram 15 meses, nos encontrávamos em um certo momento de vida. Cada uma de nós com suas particularidades e nesse tempo as coisas deram giros completos algumas vezes, virando tudo de cabeça pra baixo e pra cima de volta. Não consegui manter o que propus a mim mesma e a você, em certos momentos o vislumbre de um momento de reflexão foi mais assustador do que parece normal.

Ultimamente mais do que antes, mas espero que aceite minhas desculpas e mais esse texto.

Já concordamos, há muito tempo, que nenhum problema ou alegria é comparável entre duas pessoas. Nesse tempo minhas alegrias foram muitas, tantas que me distraíram da jornada de auto-reflexão que estávamos seguindo lado a lado. Ao mesmo tempo, sentia aquela adrenalina de quem parou de pedalar, descendo morro abaixo, curtindo o vento no rosto com os olhos fechados para não ver o momento da queda.

A queda não veio – ainda – mas o medo não foi embora também. Cada vez que pensava em escrever, vinha também a paralização pelo medo de cair. Como se parar pra pensar sobre a vida fosse só destruir a ilusão de felicidade interminável. Ainda não estou pronta pra acreditar que isso vai ter um fim, mas bem no fundo eu sei.

Não estou sofrendo, e espero que isso amenize seus sentimentos. Por outro lado, dizem que de boas intenções o inferno está cheio. Antes que eu chegue nesse ponto, aqui estão as minhas singelas palavras e espero que as aceite e entenda.

Nossa vida estava mudando radicalmente 16 anos atrás, quando nos conhecemos. Não parou desde então – estava mudando 15 meses atrás, continua mudando agora e espero que não pare nunca. Venha o que vier, as vezes mais offline do que online, saiba que continuo aqui – pra discutir livros, estrelas, surpresas, alegrias e tristezas.

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Com direito à foto-vergonha porque sim. (:

Assinatura Clari

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Cérebro, tumores, sentimento e amigdala cortical

chupa essa laranja

Primeiro, um causo…

O jovem e bem sucedido advogado Elliot descobriu um tumor do tamanho de uma laranja atrás da testa. Felizmente, uma cirurgia foi capaz de resolver o problema. No entanto, as pessoas intimas a ele afirmaram que sua personalidade havia mudado. Ele passou a empregar seu tempo de maneira infrutífera, perdia-se em detalhes sem importância, parecia que ele não tinha mais senso de prioridade e era indiferente quando alguém chamava sua atenção. Em pouco tempo, Elliot deixou de ser um bem-sucedido advogado empresarial, para mal conseguir se manter empregado. Acabou com suas economias, sua esposa o deixou, perdeu a casa e acabou indo morar num quarto vago na casa do irmão.

Após uma série de exames, o médico neurologista Antônio Damasio percebeu que embora não houvesse nenhum problema de raciocínio lógico, na memória, na atenção ou qualquer outra capacidade cognitiva, Elliot havia se tornado praticamente indiferente, apático, as coisas que lhe aconteciam. Inclusive, era capaz de falar sobre fatos trágicos ocorridos em sua vida com total frieza.

Após uma investigação extensa, Damásio concluiu que durante a remoção do tumor,  varias ligações entre os centros inferiores do cérebro emocional (a amigdala cortical e os circuitos relacionados), e as capacidades de pensar do neocórtex foram rompidas. Ou seja, Elliot passou a pensar como um computador: Ele era capaz de executar todas as etapas, mas incapaz de atribuir pesos as diferentes possibilidades. Qualquer solução era neutra para ele.

Conclusão: a reduzidíssima consciência dos próprios sentimentos tornou falho o raciocínio de Elliot. Sem consciência de seus próprios sentimentos, ele não tinha preferencias. Chegando ao ápice de Elliot ser incapaz de marcar um horário de consulta.

Essa historia trágica parece ser uma anedota, mas não é. O neurologista Damásio publica o livro em 1994 chamado “O erro de descartes: Emoção, razão e o cérebro humano“. E atualmente é citado em diversos artigos científicos e livros.

Mas, qual é a importância disso para nós?

O ser humano vive em função da dualidade de suas mentes, ou seja, somos intuitivos e analíticos. A mente intuitiva possui forte vontade própria, e, muitas vezes, tal desejo não é racional (não confundir com irracional). E a mente analítica, gosta de estabelecer e cumprir regras, uma espécie de “camisa de força” mental que limita abusos, mas ao mesmo tempo inibe o potencial da mente intuitiva, sobre tudo em ambientes de trabalho. E cada ser humano é uma mistura dessas duas, exceto nosso amigo Elliot.

Nós, homo sapiens, ou seja, “homem sábio”, nos orgulhamos de nossa capacidade única de sermos racionais – quando, na verdade, não é exatamente isso que somos. Na verdade, as mentes analítica e intuitiva trabalham juntas, ou disputam atenção e o controle dos pensamentos, sentimentos e ações. Porém, hoje temos uma informação a mais, graças ao Dr. Damasio e a condição de Elliot, quem toma as rédeas das decisões é a mente intuitiva, ou seja, nossas decisões são sempre tomadas pelo lado emocional.

Afinal, como iriamos escolher onde morar, com quem casar, quem demitir, se devemos ou não aceitar um emprego, ou, até mesmo, em que investir?

Voltamos ao dilema: Caso ou compro uma bicicleta.

Sempre que leio esses assuntos me pego refletindo na minha vida. A minha mãe costuma me perguntar: “Sarah, você não disse que ia estudar? Então porque você está lendo um romance?”, “Sarah, você não disse que ia projetar? Então, porque você está desenhando?”.  Simplesmente, eu consigo estudar por mais tempo, se antes eu ler um capitulo de algum romance. Do mesmo jeito que eu projeto melhor quando dedico uns 3o minutos a desenhar ou pintar algo que está na minha cabeça. Porém, na cabeça da minha mãe, estou perdendo tempo produtivo.

Na verdade, foi a experiência (tentativa e erro) que me ensinou como eu estudo melhor, ou como eu crio melhor. E é assim com todos os seres humanos. Qualquer um que precise tomar decisões precisa aprender a distinguir a informação relevante daquela insignificativa, o que facilita muito o processamento paralelo dos dados. Interpretação de texto ou de contexto?

A verdade é: Fazer boas avaliações intuitivas em situações complexas e com um pouco tempo exige que consiga obter simultaneamente uma quantidade significava de informações. Os seres humanos, em geral, têm aversão a incerteza. Porém, verdade seja dita, nunca saberemos com certeza como as coisas se desenrolarão, pois enquanto os acontecimentos se desenrolam, as circunstancias mudam. Nem sempre há realmente uma única resposta, certa ou errada. E frustrações a parte, a complexa e habilidosa interação entre o sentimento (da mente intuitiva) e o pensamento (da mente analítica) é a abordagem inteligente da intuição.

Qual é o problema da intuição?

O problema da intuição é que difícil justificar para alguém os “porquês”. Pois, assim como para mim faz todo o sentido começar a estudar através da leitura de um romance, para minha mãe não faz nenhum sentido. O que quero dizer com isso? Intuição é uma experiência pessoal, que não é facilmente explicável. Porque essa área do cérebro se comunica conosco através dos sentimentos que nem sempre são traduzíveis em palavras.

Agora gostaria de propor um exercício: Benjamin Franklin, se baseia numa espécie de “álgebra moral ou preventiva” cujo o ponto forte é a mente analítica, ele escreve o trecho abaixo para seu sobrinho Joseph Priestly em 1772:

“Pegue uma folha de papel e anote na parte superior algo que o preocupa. Divida o resto do espaço em duas colunas, nas quais, posteriormente, anotará os prós e os contras. Reflita por três ou quatro dias sobre o problema e então faça uma lista completa dos pontos positivos e negativos da sua decisão. Depois, liste-os na folha reservada e releia-os. Sempre que um pró for equivalente a um contra, risque ambos. O que restar no final do balanço será a melhor resposta.”

Parece ótimo e perfeitamente racional. Porém, procure propor uma situação que lhe pareça difícil de resolver e aplique essa lógica. Agora reflita se você não fica inclinado a pensar em mais pontos positivos ou em mais pontos negativos, de antemão você sabe que está inclinado a fazer algo. O mesmo seria jogar no cara ou coroa, se sair um resultado que não lhe agrada você provavelmente repetirá o teste, ou arriscará. Quer gostemos ou não, a verdade é que os sentimentos pesam no momento de tomarmos uma decisão, a despeito de todo o esforço que fazemos para agir de maneira lógica e de todos os conselhos que recebemos para ser assim.

sarah adulta eu

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Transparências

transparências

O nome desse post define bem a fase do blog. Não é que eu não tenha escrito, eu até escrevi bastante, e também tive muitas ideias. Todas me pareceram banais. Comecei e parei. Separei fotos, vídeos, filmes e vivi experiências, mas não escrevi nada que achasse que merecia ser lido, alias, muitas das coisas que tenho publicado, nem acho tão boas assim. E isso é frustrante.

No aniversário da Clari conversamos, ela me disse que minha escrita que estava com uma tendência melancólica. Eu acho estranho pensar em mim como alguém melancólica. Mas é verdade. Tenho uma tendência a melancolia quando escrevo, pinto, desenho. Mas não é de inquietação que vive o artista? Não sei. Se é que posso me considerar artista.

Outra coisa, não gosto de escrever em primeira pessoa, apesar de ser o que geralmente ocorre. Acredito que isso aconteceu porque eu acho extremamente irritante ler como as pessoas se posicionam nas redes sociais, em primeira pessoa, com tanta convicção, sendo que na prática, a maior parte são ideias estapafúrdias, irrefletidas. Alias, parece que o facebook é o lar das “verdades” generalistas, e as pessoas que não tem a menor ideia do que estão dizendo.

Ou talvez, eu esteja ficando uma pessoa extremamente critica que quer conhecer os e as: Schopenhauer, Lampedusa, Hawking, Carter, Dewitt, Scliar, Sun Tzu, Limonov, Carrère, Gianetti, Maupassant, Gogol, Lahiri, Aleksiévitch, da vida real, quero saber se esse povo existe. Acho que eu conheço alguns candidatos a publicar coisas boas no futuro, me sinto sortuda por isso, espero que eles invistam no potencial deles.

Mas a questão que me sufoca é: Será que algum dia eu poderia produzir algo tão bom quanto essas personalidades? Esse sentimento que me é tão familiar. Foi como eu me senti durante a faculdade de arquitetura e a certeza de que eu nunca seria tão boa quanto: Os irmãos Roberto, Lina Bo Bardi, e mais um monte de gente que não vou fazer a lista agora.

Essa exigência, provavelmente, em excesso, me faz ser muito questionadora, critica e certamente prejudica minha produção, ultimamente eu me sinto a pessoa do contra. Diga-me uma certeza que eu vou te cutucar. Gostaria de entender da onde as pessoas tiram tanta convicção para afirmar tanta bobagem. Volto minha revolta para o mundo das redes sociais. Logo eu, tão critica, tão autocritica, que ultimamente não vejo o porque propagar nada.

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Então, estamos no inicio da segunda metade do meio do ano de 2017. Segundo o skoob foram 29 livros em 2017. Li o total de 7.334 páginas, uma média de 40 páginas por dia. E o que percebi com isso? Meu posicionamento na vida mudou radicalmente, porém ainda está longe de ser fixo. Abando a posição de combate e passei para retaguarda, gosto de pensar em mim como cética, com a esperança de que exista um momento preciso para me manifestar.

Eu sempre gostei de ler, mas entrar para a TAG experiências literárias fez toda a diferença na diversidade de autores e títulos que eu pude ascender. Literalmente experiências literárias, Alguns foram chatos, outros foram extremamente estimulantes, outros me causaram náuseas, outros mudaram minha vida. Lembra que eu falei de Paddy Clarke Há Há Há?

Mas aproveito o ensejo para propor um questionamento. O que você pensa quando vê:

  • Aquele casal que sempre se declara, Posta fotos e testamentos gigantescos amorosos?
  • Aquela mulher que sempre posta foto malhando?
  • Aquele cara que sempre posta fotos fazendo caridade?
  • Aquele outro que sempre posta sobre religião ou politica?

Uma coisa eu sei, o que postamos tem muito a ver com a imagem que pretendemos passar para o mundo. É incrível como eu me enfado com as redes sociais. As vezes saio e prometo não postar mais nada, quando vejo estou aqui novamente. Regredindo? Talvez, ainda não decidi se acho a rede social e as conecções excessivas um avanço ou um retrocesso. Talvez seja um pouco dos dois. Mesmo assim, eu acho irrelevante a maior parte das coisas que eu posto e a maior parte das coisas que os outros postam.

Escrevo no blog porque acredito que essa é a melhor forma de praticar. Ler, ter experiências e escrever. Quem sabe eu escreva algo que valha a pena? Desenhe algo que seja uma maravilha? Projete algo incrível? Sendo assim, me rendo a era digital e compartilho meus pensamentos com uma ou duas pessoas que me leem. E concluo, É sim, é gratificante receber alguma crítica, elogio, mesmo banal pelas redes. O like conta. Infelizmente?

“Quanto a mim, não pertencia a essa tribo, que eu fingia desdenhar e, na verdade me intimidava.”

Talvez sejamos todos crápulas.

sarah adulta eu

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Causos e confrontos: Linha 9 esmeralda

Linha 9 Esmeralda

Logo cedo a estação está repleta de transeuntes. É gente de todo tipo. Umas bem vestidas, umas com perfume forte de mais, umas falam alto, outras cochilam, muitas estão hipnotizadas pelo celular. É um novo tempo.
Margeando o Rio Pinheiros o trem linha 9 Esmeralda, liga o Grajaú a Osasco. As vezes corre tudo bem, as vezes não. É importante ouvir o SP TV cedinho com as informações do transito, metro e da CPTM. Só não vale confiar quando dizem que a situação se regularizou.

– Minha filha, quem não gosta de ir apertado vai de taxi.

A população está tão acostumada ao desconforto que passar a viagem sem lugar para respirar é normal. Quem pode vai de carro. Sustentabilidade não passou por aqui. Perduram os mesmos conceito de sempre. Até dá para dar umas risadas dos recortes de conversas.

– Tomara que minha patroa não tenha decidido cozinhar. Ela não sabe fazer nada, além de bagunça. Suja todas as panelas da casa só para fazer um macarrão.
– E lá não tem máquina de lavar-louça?
– Tem. Mas ela não sabe usar! Imagina que eu estou pegando as manias dela?! Agora eu tenho um monte de Tupperware. E fico guardando a comida nela.
– Ah! Mas eu também faço isso! Incrível como a gente pega as manias?
– Está chegando na estação Morumbi, agora vou dar uma caminhada até a casa dela. Se eu der sorte, ela vai passear hoje. Então vou poder trabalhar em paz.

A condição da mulher também é discutível no trem. Aquele homem encosta, encosta, encosta. Será que é falta de espaço? Será que ele está se aproveitando da situação? E cara feia nem sempre adianta. Reclamar também não resolve.

Minha filha, quem não gosta de ir apertado vai de taxi.

Quem anda de trem já viu de tudo. São contrastes sem fim. Enquanto, um rapaz está sentado analisando as fotos drag queen que tirou naquela tarde. Um pastor, com um terno porpurinado, tenta convencer um outro homem que Coca-Cola escrito ao contrario é diabo, que o celular android é coisa do demônio e que em um futuro próximo os humanos vão ter chips implantados no corpo e serão condenados ao inferno por isso. Por fim:

– Cuidado. Jesus está voltando.

Graças a Deus!

A Estação Pinheiros é provavelmente a mais movimentada de todas. De manhã é um alívio passar por ela. A tarde é um suplicio. Trem cheio, trem vazio. Trem com problema que vai de vagar. Mas pera. Com sorte na estação Jurubatuba sai um trem vazio. Faz frio, faz calor. Se possível libere as entradas e saídas do trem.

– Minha filha, quem não gosta de ir apertado vai de taxi.

Entra um deficiente visual com um labrador. Um assento é liberado. Vários olhares comprometidos são trocados. O cão é fofo, mas não pode fazer carinho nele. O senhor saca o celular e fica escutando algo ao longo do trajeto. Cachorro bom, cachorro esperto, aproveita o passeio para tirar um cochilo com a cabeça apoiada no pé de alguém. E ele lá é bobo e dormir com a cara no chão do trem sujo?!

– Você olho para aquele cara. Por isso, não estava perto de mim.
– Eu juro que não. Tinha muita gente na estação, me atrapalhei.
– Você está tendo um caso!
– Não estou!
– Deixa eu ver seu celular!

O namorado (ou seria marido?!) segura a moça o mais próximo possível. Não pode imaginar que ela se separe dele nem que seja por milímetros. Bem-vindo a era do controle online. No minuto seguinte está fuxicando o celular em busca de provas. Afinal, se ele está com ciúmes, ela fez algo errado. Ou não?!

– O QUE?! Ela já vai ter outro filho?! E pobre lá pode ter esse monte de filho?! Ela deveria ser feito uma ligadura. – Diz a moça, bastante brava ao celular – Veja meu exemplo, sou uma mulher de respeito. Vou me casar, mas não vou mudar meu sobrenome. O meu nome é Lafaiete. É francês. É chique. O dele é Silva. Deixa eu com o meu e ele com o dele.

No trem tem muita gente e gente de todo o tipo. Tem gente que trabalha no trem. Vende fone de ouvido, kit kat, bombom garoto, só mercadoria de qualidade. Também tem gente sem casa, tem gente sem comida. Ou será que é mentira?! Lembre-se que ajudar ambulantes é prática ilegal. Ajuda-se um, o próximo o outra pessoa ajuda.

– Minha filha, quem não gosta de ir apertado vai de taxi.

Linha 9 Esmeraldo

Deus te abençoe e boa viagem!

 
sarah adulta eu

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Rascunho

Poetando

De repente, a imensidão da memória da tarefa esvai sua coragem.

Na abstração do contato que nunca ocorreu e das métricas não escritas.

Fato ou opinião? Para se matar sempre há tempo.

Deus, parece uma ideia na qual pode-se repousar.

Não! Uma ideia na qual pode-se dissolver!

Como um delicioso acaso, daqueles que é preciso se apegar…

A tensão, tesão, do tempo gestado, ou seria criado?

O tempo detido, agora pronto a iniciar o fluxo.

Essas letras escritas parecem-se com um enigma.

As palavras, dispostas linha após linha, balizam o caminho que leva a vitória.

A frase finalizada invade com súbita euforia

Não é loucura comum, loucura existencial, é a catarse.

O texto espalha sua fúria, o rancor não extravasado.

A síntese é essencial para impor respeito.

Entre a tensão e o ato cai a sombra do mistério,

Mas sombras são ubíquas, ocultam-se em qualquer lugar, em qualquer coisa.

Precipitam-se no redemoinho cósmico, onde jamais serão escritas.

A diáfana presença imóvel sobre o infinito, escuro oceano.

A sabedoria não torna ninguém alegre.

O amor precisa do não lugar.

Talvez esteja nas reticências.

Certamente! Tem muita coisa nessas entrelinhas!

Virtude, pecado, acerto, erro,

A história como exorcismo do errante ectoplasma.

“- Redige não faz perguntas! Nada de comentários colaterais! ”

 

 

 
sarah adulta eu

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Posso te fazer uma pergunta?

Posso começar diferente? Posso escrever um texto só com perguntas?

O que a rede social significa? Conecta as pessoas? Desconecta as pessoas da vida real? O que aconteceu com a privacidade? Ou melhor, a privacidade existe? A privacidade persiste?

O que um like significa para você? O que significa compartilhar selfies? Você passa horas em programas de edição de imagem? O que você sente ao tirar mil fotos para escolher uma? O que significa compartilhar o que se está fazendo 24/7?

O que você espera quando posta? Sentir-se amado? Sentir-se importante? Instigar o questionamento?
Porque registrar todos os seus momentos online? Qual é a compensação? Você critica o modo como as pessoas usam a rede social? A rede social de deixa ansioso?

Você vigia seus amigos? Sua família? Seus amores? Te incomoda quando alguém “deveria” curtir algo no seu mural não curte? Te incomoda mandar uma “indireta” no mural e a pessoa não perceber? Ou pior, não se importa?

O que tem de tão libertador em mandar “Bom dia” nos grupos de WhatsApp? O que te torna tão seguro que ao propagar ideias? Por que você acha que você está certo? O que acontece quando você recebe uma critica? Você sabe apreciar uma critica? Você entra na defensiva? Você pede desculpas? Você se permite mudar?

Você tem problemas nos seus relacionamentos por causa da rede social? Você se sente menos amado quando alguém demora para te responder? E quando a mensagem fica azul e nada? E quando a pessoa está online e não te respondeu? E se a pessoa saiu e não postou?

E se a bateria acaba? Você confere quantas pessoas olharam? Você consegue conversar em casa sem o celular na mão? Você consegue dedicar 5 minutos para ler um livro, ver um filme? Você consegue se sentir amado mesmo quando ninguém te mandou mensagem? Você consegue estar com seus amigos sem o celular? Você se diverte sem postar fotos?

Somos detestáveis? Somos admiráveis? Gênios? O que te move? O que me move? Para onde vamos?


sarah adulta eu

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Como dar o melhor de sí?

Prulúdio
Havia um homem que, desejando transcender seu sofrimento, foi a um templo budista para encontrar um Mestre que o ajudasse. Dirigiu-se a ele e perguntou:
– Mestre, se eu meditar 4 horas por dia, quanto tempo vou levar para me iluminar?
O mestre olhou para ele e respondeu:
– Se meditar 4 horas por dia, provavelmente chegará a iluminação em 10 anos.
Imaginando que poderia fazer melhor, o homem perguntou:
– Mestre, se eu meditar 8 horas por dia, quanto tempo levarei para transcender?
– Se meditar 8 horas por dia, talvez possa atingir a iluminação em 20 anos.- respondeu o Mestre.
– Mas por que levarei mais tempo se meditar mais? – indagou o homem.
– Você não está aqui para sacrificar sua alegria ou sua vida. Você está aqui para viver, para ser feliz, para amar. Se puder dar o melhor de si em duas horas de meditação… Mas se gasta oito horas, só vai se cansar, perder o objetivo principal e não aproveitará sua vida. Dê o melhor de si e talvez aprenda que não importa quanto tempo você medita, pode viver, amar e ser feliz.
sarah adulta eu
O texto de hoje foi apenas um prelúdio do próximo post onde vou falar sobre a filosofia Tolteca. Não é só a comida mexicana que é boa. Aguardem…

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Do que você precisa?

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Nos últimos dois anos eu tenho tido uma sequência de oportunidades incríveis de viajar. Lugares novos e velhos, experiências boas e ruins, toda uma coleção de aprendizados de vida. Eu não acredito que eles sejam relevantes para todo mundo, já que cada um de nós tem um caminho diferente de vivências, cada aprendizado tem um peso, uma significância única, dependendo de quem os expressa ou quem os viveu.

Algumas reflexões porém, podem ser compartilhadas. Esse título é uma das (infinitas) perguntas da vida para as quais não tenho uma resposta objetiva, precisa, ou muito menos definitiva. É só uma daquelas que me colocam no meu melhor modo filósofa de sofá.

Primeiro talvez valha um aviso de isenção: eu sei que tudo que a gente precisa para estar vivo é oxigênio, nutrientes e água. Como não somos seres meramente biológicos, mas também sociais, ainda podemos acrescentar uma boa dose de convívio saudável com outras pessoas. Certo? Tá, mas se a gente pode viver muito além dessa existência fisiológica e psicologicamente saudáveis, para uma vida plena de alegrias e completude, por quê não? Daí que a partir desse pensamento acho que toda a humanidade foi “evoluindo” para um mundo de industrialização. Também não acho que seja ruim, mas o que me leva a refletir é onde está a linha que divide o conforto que a gente gosta e o consumismo desenfreado que pode fazer mais mal do que bem.

Viver de uma mala por um mês foi algo supreendentemente modificador para mim. E a partir daí, viver uma semana com uma mochila de roupas também. Até viver forçadamente essas experiências, eu não conseguia entender como era possível ter um guarda-roupa cápsula. Como era possível se sentir bem tendo não só um número definido de peças para usar, mas também ter essas peças escolhidas a priori. Eu mal sei dos meus compromissos da semana, como eu vou saber que tipo de roupa vou precisar daqui a três meses? Até que eu entendi que a palavra-chave aí é precisar.

Por exemplo, eu levei duas calças (não jeans) porque eram as que cabiam em mim (ainda mais com as camadas por baixo que o frio faziam imprescindíveis). Ao voltar, eu não queria mais vê-las na minha frente e ao mesmo tempo olhar para as outras várias calças que tinham ficado pra trás me incomodava porque eu sei que não preciso delas (e nem uso mesmo). Como eu falei lá em cima, não tenho nenhuma grande revolução para apresentar ao mundo. Não me desfiz de todos os meus bens materiais, e nem sei se esse é o meu objetivo, mas esse tipo de reflexão já tem sido bastante impactante na forma como eu olho para meus próprios comportamentos e para o mundo.

Pelo menos, eu não precisei esperar a merda chegar para frear e repensar minhas compras. De quantas roupas eu preciso? De quantos sapatos, bolsas, brincos? Escrevo isso enquanto estou espremida em uma mesa cheia de coisas que eu não sei nem descrever, papéis, cabos, canetas, então essa reflexão claramente não deve se manter presa ao guarda-roupas.

Momento desabafo passado, eu sei que a internet tem inspirações e mais inspirações pra mim. Refletir sobre isso não precisa ser algo restrito a como eu me visto ou outras banalidades, mas também de como eu mudo o mundo de acordo com o que eu escolho consumir.

Tem alguém aí pra refletir comigo?

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