Arraial do Cabo e o problema com o “caribe brasileiro”

arraial do cabo

 

Como eu havia mencionado no último post, recentemente o mar na região dos lagos estava excepcionalmente bonito, e eu tirei uns dias pra passear por lá. Já contei do meu dia em Cabo Frio e agora quero falar sobre Arraial do Cabo.

O dia não foi tão cheio como o anterior e certamente foi mais curto – não tenho uma grande resistência para praia. Chegamos com o objetivo de passar o dia nas prainhas do Pontal do Atalaia, um lugar aparentemente paradisíaco. Você sobe, sobe e sobe de carro, chegando no alto tem um mirante e depois você desce algo entre 250 e 350 degraus (varia de acordo com a fonte rs) para então chegar na praia. Subimos a estrada por uns vinte minutos até parar em um engarrafamento, muitos carros estavam desistindo e nós ficamos desanimadas. Se a estrada estava cheia assim, imagina o mirante… Não queria me estressar mais para estacionar, e sinceramente não sei se estava pronta para subir aquela escadaria depois de passar um dia de praia.

Nós descemos então, mas aproveitamos a vista. Paramos em alguns pontos da estrada e o visual é incrível mesmo. Aliás, adoro olhar paisagens do alto, ver o mundo de um ponto de vista diferente não é só uma experiência sensorial mas filosófica também em alguns sentidos.

Seguimos então para a praia Grande, que tem cerca de 40 km de extensão segundo a internet, e lá ficamos do lado mais perto do Pontal mesmo. Como em Cabo Frio, o mar estava lindo, límpido e de uma cor impressionante que foto nenhuma fará jus. Super calmo também, ótimo pra mim e pras crianças. Como a extensão da praia e da areia é bem grande, não chegava a estar lotada de gente mas estava relativamente cheia. Uma diferença importante em relação a Cabo Frio foi o preço das coisas, um quiosque chegou a nos cobrar 100 reais pelo aluguel da barraca – com 70 reais de consumação!

Por outro lado, a cidade é bem mais organizada. Os estacionamentos na rua são organizados pela prefeitura, não chegava a ter trânsito na cidade mesmo ela estando bem cheia, e de maneira geral era tudo muito bem sinalizado. Na praia, observamos que haviam muitos mais turistas de fora do estado do que havíamos visto em Cabo Frio, o que pode refletir essa maior preparação para o turismo.

praia grande arraial do cabo

 

Ao longo da cidade, observei algumas placas de propaganda que se referiam à Arraial do Cabo como o caribe brasileiro (lá o mar não estava bonito como exceção, é sempre assim!). Na verdade, com esse fenômeno em que até as praias do Rio de Janeiro ficaram com as águas transparentes e daquele verde-azul lindão, comecei a ver muitas referencias pela internet à essas praias como “caribe brasileiro”. E isso começou a me incomodar bastante…

Por que nós precisamos tanto nos valorizar apenas em comparação com outros lugares? Por que as pessoas são incapazes de valorizar o próprio país e a própria região por suas belezas intrínsecas e incomparáveis? De forma geral, acho que isso é um retrato da nossa personalidade – não conseguimos aceitar um elogio por si só e acabamos sempre entrando em uma competição de problemas. Não sei se isso é algo característico do Rio de Janeiro, do Brasil ou da humanidade, mas enquanto somos quem somos no cenário mundial nós gostamos de nos colocar de forma inferiorizada frente à alguns outros países e regiões.

Isso me incomoda porque assim não conseguimos explorar o que temos de melhor, e não conseguimos dar a volta por cima e ser tudo o que podemos ser. Posso falar isso tanto a nível sociedade quanto a nível individual, acho que se aplica a ambos. Por que precisamos que as nossas praias sejam como as caribenhas e não podem ser simplesmente brasileiras (e referências mundiais por isso)?

Já que ainda estamos no começo do ano e muitos ainda estão inspirados a promover mudanças pessoais, podemos acrescentar aos nossos hábitos individuais observar tais comportamentos em nós mesmos – e tentar corrigi-los. Quem sabe tornando-nos pessoas que se valorizam pelo que são e não por quem é pior do que elas, podemos mais tarde refletir isso enquanto sociedade…

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