Transparências

transparências

O nome desse post define bem a fase do blog. Não é que eu não tenha escrito, eu até escrevi bastante, e também tive muitas ideias. Todas me pareceram banais. Comecei e parei. Separei fotos, vídeos, filmes e vivi experiências, mas não escrevi nada que achasse que merecia ser lido, alias, muitas das coisas que tenho publicado, nem acho tão boas assim. E isso é frustrante.

No aniversário da Clari conversamos, ela me disse que minha escrita que estava com uma tendência melancólica. Eu acho estranho pensar em mim como alguém melancólica. Mas é verdade. Tenho uma tendência a melancolia quando escrevo, pinto, desenho. Mas não é de inquietação que vive o artista? Não sei. Se é que posso me considerar artista.

Outra coisa, não gosto de escrever em primeira pessoa, apesar de ser o que geralmente ocorre. Acredito que isso aconteceu porque eu acho extremamente irritante ler como as pessoas se posicionam nas redes sociais, em primeira pessoa, com tanta convicção, sendo que na prática, a maior parte são ideias estapafúrdias, irrefletidas. Alias, parece que o facebook é o lar das “verdades” generalistas, e as pessoas que não tem a menor ideia do que estão dizendo.

Ou talvez, eu esteja ficando uma pessoa extremamente critica que quer conhecer os e as: Schopenhauer, Lampedusa, Hawking, Carter, Dewitt, Scliar, Sun Tzu, Limonov, Carrère, Gianetti, Maupassant, Gogol, Lahiri, Aleksiévitch, da vida real, quero saber se esse povo existe. Acho que eu conheço alguns candidatos a publicar coisas boas no futuro, me sinto sortuda por isso, espero que eles invistam no potencial deles.

Mas a questão que me sufoca é: Será que algum dia eu poderia produzir algo tão bom quanto essas personalidades? Esse sentimento que me é tão familiar. Foi como eu me senti durante a faculdade de arquitetura e a certeza de que eu nunca seria tão boa quanto: Os irmãos Roberto, Lina Bo Bardi, e mais um monte de gente que não vou fazer a lista agora.

Essa exigência, provavelmente, em excesso, me faz ser muito questionadora, critica e certamente prejudica minha produção, ultimamente eu me sinto a pessoa do contra. Diga-me uma certeza que eu vou te cutucar. Gostaria de entender da onde as pessoas tiram tanta convicção para afirmar tanta bobagem. Volto minha revolta para o mundo das redes sociais. Logo eu, tão critica, tão autocritica, que ultimamente não vejo o porque propagar nada.

Image and video hosting by TinyPic

Então, estamos no inicio da segunda metade do meio do ano de 2017. Segundo o skoob foram 29 livros em 2017. Li o total de 7.334 páginas, uma média de 40 páginas por dia. E o que percebi com isso? Meu posicionamento na vida mudou radicalmente, porém ainda está longe de ser fixo. Abando a posição de combate e passei para retaguarda, gosto de pensar em mim como cética, com a esperança de que exista um momento preciso para me manifestar.

Eu sempre gostei de ler, mas entrar para a TAG experiências literárias fez toda a diferença na diversidade de autores e títulos que eu pude ascender. Literalmente experiências literárias, Alguns foram chatos, outros foram extremamente estimulantes, outros me causaram náuseas, outros mudaram minha vida. Lembra que eu falei de Paddy Clarke Há Há Há?

Mas aproveito o ensejo para propor um questionamento. O que você pensa quando vê:

  • Aquele casal que sempre se declara, Posta fotos e testamentos gigantescos amorosos?
  • Aquela mulher que sempre posta foto malhando?
  • Aquele cara que sempre posta fotos fazendo caridade?
  • Aquele outro que sempre posta sobre religião ou politica?

Uma coisa eu sei, o que postamos tem muito a ver com a imagem que pretendemos passar para o mundo. É incrível como eu me enfado com as redes sociais. As vezes saio e prometo não postar mais nada, quando vejo estou aqui novamente. Regredindo? Talvez, ainda não decidi se acho a rede social e as conecções excessivas um avanço ou um retrocesso. Talvez seja um pouco dos dois. Mesmo assim, eu acho irrelevante a maior parte das coisas que eu posto e a maior parte das coisas que os outros postam.

Escrevo no blog porque acredito que essa é a melhor forma de praticar. Ler, ter experiências e escrever. Quem sabe eu escreva algo que valha a pena? Desenhe algo que seja uma maravilha? Projete algo incrível? Sendo assim, me rendo a era digital e compartilho meus pensamentos com uma ou duas pessoas que me leem. E concluo, É sim, é gratificante receber alguma crítica, elogio, mesmo banal pelas redes. O like conta. Infelizmente?

“Quanto a mim, não pertencia a essa tribo, que eu fingia desdenhar e, na verdade me intimidava.”

Talvez sejamos todos crápulas.

sarah adulta eu

Continue Reading

Posso te fazer uma pergunta?

Posso começar diferente? Posso escrever um texto só com perguntas?

O que a rede social significa? Conecta as pessoas? Desconecta as pessoas da vida real? O que aconteceu com a privacidade? Ou melhor, a privacidade existe? A privacidade persiste?

O que um like significa para você? O que significa compartilhar selfies? Você passa horas em programas de edição de imagem? O que você sente ao tirar mil fotos para escolher uma? O que significa compartilhar o que se está fazendo 24/7?

O que você espera quando posta? Sentir-se amado? Sentir-se importante? Instigar o questionamento?
Porque registrar todos os seus momentos online? Qual é a compensação? Você critica o modo como as pessoas usam a rede social? A rede social de deixa ansioso?

Você vigia seus amigos? Sua família? Seus amores? Te incomoda quando alguém “deveria” curtir algo no seu mural não curte? Te incomoda mandar uma “indireta” no mural e a pessoa não perceber? Ou pior, não se importa?

O que tem de tão libertador em mandar “Bom dia” nos grupos de WhatsApp? O que te torna tão seguro que ao propagar ideias? Por que você acha que você está certo? O que acontece quando você recebe uma critica? Você sabe apreciar uma critica? Você entra na defensiva? Você pede desculpas? Você se permite mudar?

Você tem problemas nos seus relacionamentos por causa da rede social? Você se sente menos amado quando alguém demora para te responder? E quando a mensagem fica azul e nada? E quando a pessoa está online e não te respondeu? E se a pessoa saiu e não postou?

E se a bateria acaba? Você confere quantas pessoas olharam? Você consegue conversar em casa sem o celular na mão? Você consegue dedicar 5 minutos para ler um livro, ver um filme? Você consegue se sentir amado mesmo quando ninguém te mandou mensagem? Você consegue estar com seus amigos sem o celular? Você se diverte sem postar fotos?

Somos detestáveis? Somos admiráveis? Gênios? O que te move? O que me move? Para onde vamos?


sarah adulta eu

Continue Reading

Viajar sozinha

Print

Eu sempre ouvi dizer que viajar sozinho é uma experiência que todos deveriam ter. Para perto ou para longe, por pouco ou muito tempo, me diziam que era uma jornada de auto-conhecimento. Também já tinha ouvido falar que era assustador, impensável e até um pouco deprimente. Quando surgiu no fim do ano passado a oportunidade para que eu passasse um mês inteiro praticamente andando sozinha por um país desconhecido, eu não tive nem dúvida – eu fui – assustador ou empolgante eu sabia que seria uma experiência única.

Ao todo foram 34 dias, 30 dos quais eu efetivamente estava viajando sozinha. Fiquei em 4 cidades diferentes, fora as tantas outras que passeei só por um dia. Duas viagens de avião, 6 de trem e 3 ônibus. Muitas libras foram embora dos meus bolsos, mas posso dizer que me sinto enriquecida. Não outra pessoa – acho que já passei dessa fase de me refazer a cada nova experiência – mas também não a mesma de sempre. Viajar, sozinha ou acompanhada, tem esse poder mágico para mim.

IMG_2522
Glen Coe (Highlands), Escócia. Fevereiro, 2017.

Eu adoro me aventurar por novos lugares e procuro sempre fazer coisas que nunca fiz, mas não sou exatamente uma pessoa espontânea. Quando eu viajo eu gosto de planejar cada hora de cada dia, uma versão otimista e outra pessimista, e na hora eu faço o que a realidade permitir. Dessa vez não foi bem assim. Com tão pouco tempo para me preparar, só consegui dar uma olhada superficial em tudo que tinha pra fazer em cada um dos lugares onde iria parar. Certamente não consegui planejar com precisão o orçamento de cada etapa da viagem. Fora que não eram só os passeios que eu tinha que preparar, mas também o trabalho (afinal toda a viagem girou em torno do que eu poderia acrescentar para o meu projeto de mestrado).

Assim, pessoa ansiosa que sou, o pré-viagem não foi nada tranquilo. Sozinha, eu não tinha com quem compartilhar minhas dúvidas, dividir o peso de cada decisão. Não que os amigos ou a família não me ouvissem quando precisava, mas ninguém iria de fato arcar com as consequências das minhas (in)decisões. Planejei os quatro primeiros dias, respirei fundo e fui. Ao chegar lá, esqueci de todas as preocupações. Corri para conhecer e absorver o máximo que podia de Londres – o que não é pouco – em apenas dois dias. Foi empolgante, corrido, animado e meus pés reclamaram de tanto andar. A liberdade de acordar a cada dia e poder decidir o que eu ia fazer, pra onde ir, quanto tempo passar em cada lugar, o que e que horas eu iria comer, era único. Sei que aproveitei muito bem esse lado de estar sozinha. Pelo outro lado, tive diversos momentos em que eu estava tão encantada com o que estava vendo e vivendo, que eu gostaria que houvesse alguém ali para compartilhar aquilo. Alguém só pra olhar e sorrir e dizer: “Nossa, olha que incrível é isso!”.

IMG_2158
The National Gallery, Londres. Janeiro, 2017.

Segui minha programação nos dias seguintes para um congresso e depois, uma breve visita a um potencial novo colaborador. Essa etapa foi justamente o período em que eu estive acompanhada, então talvez não valha falar aqui. A partir daí, todos que eu conhecia foram embora e eu fiquei trabalhando com novas pessoas. Nessas próximas semanas eu consegui turistar durante os finais de semana, e trabalhar muito durante a semana. E foram nesses dias de trabalho que eu mais senti o peso da minha introversão.

extrovertidos-e-introvertidos-1

Seguir minha linha de raciocínio no que se trata de interagir com pessoas novas não é fácil nem pra mim, portanto nem me atrevo a arriscar aqui por escrito. Basta dizer que me sinto muito bem representada por esse quadrinho aí de cima. Estar em um ambiente em que, a cada minuto, eu não sabia o que esperar não foi nada fácil. Eu estava lá para aprender a fazer o que eles fazem de melhor nesse grupo de pesquisa, mas cada dúvida que eu precisava tirar com alguém eram horas de ruminação para decidir quem buscar (e que não ia me dar patada), o momento certo (pra não atrapalhar o trabalho deles), as palavras certas (para não parecer muito burra)… Nesse período fiquei hospedada em um apartamento do airbnb, ou seja, eu praticamente morei com esse casal por três semanas, e lá também até as escolhas de que horas comer e tomar banho eram decisões que me pesavam mais do que deveriam. A solução para mim foi fugir da interação em casa, eu rapidamente aprendi os horários deles e basicamente só usava o resto da casa quando eles não estavam mais lá. Sei que assim perdi alguma coisa dessa experiência, mas foi o que me permitiu manter minha produtividade durante o dia. Ah e, claro, toda a pressão de concluir o máximo de trabalho possível antes de acabar meu tempo. Foram três semanas emocionalmente exaustivas.

Ao sobreviver a base de comida de micro-ondas e um biscoito baratinho (e especialmente delicioso), consegui planejar meus últimos dias de férias. Saí de Edimburgo com a sensação de missão cumprida, apesar da exaustão acima mencionada. Absolutamente tudo tinha dado certo até ali, o trabalho, as hospedagens, os passeios. Assim, fui super empolgada de volta a Londres. Viajar sozinha me permitiu tomar essas decisões de “última hora”, me permitiu voltar a lugares já visitados em detrimento de conhecer outros simplesmente porque eu tinha gostado muito dali. Me permitiu sentir de novo a angústia e a empolgação de ser a única responsável pelas minhas escolhas – onde ficar, onde ir, onde comer. Mas, novamente, não tinha ninguém ali para compartilhar todas as coisas incríveis que eu vivi.

P_20170128_103153
Palácio de Buckingham, Londres. Janeiro, 2017.

Viajar sozinha, para mim, não foi auto-conhecimento. Foi ultrapassar limites que eu já sabia que tinha, foi me desafiar a coisas novas. Foi me sentir mais forte e confiante por saber que eu consegui passar por tudo isso com um resultado super positivo ao final. Foi a oportunidade de conhecer gente de todos os lugares, conversar sobre carreira, política e vida adulta com brasileiros, americanos e paquistaneses. Por outro lado, viajar sozinha foi, sim, solitário também. Estar sozinha comigo mesma é gostoso, mas cheguei a conclusão que prefiro ficar sozinha em casa. Acredito que tem alegrias que são só nossas, mas outras que são melhores quando são compartilhadas. Viajar é uma dessas.

P_20170206_084601
Castelo de Craigmillar, Edimburgo. Fevereiro, 2017. (também conhecido como caminho para a faculdade)
Image and video hosting by TinyPic

Continue Reading

Minha colcha de retalhos

Nicole

A memória nunca foi minha grande aliada, porém, recordo sempre do dia em que, aos prantos, fui consolada porque não gostaria de fazer oito anos, não queria crescer

Vinte anos depois, a memória continua não sendo meu forte, enquanto a percepção das coisas e o hábito de fazer (muitas) análises sempre o foram… Torturando, inúmeras vezes, mente e coração, mesmo quando infantis.

O pavor de crescer era muito maior que o simples desejo de ser Peter Pan e brincar para sempre; enraizava-se no medo de não conseguir ser capaz de fazer tudo que meus pais faziam, pagar por todas as despesas que os observava tendo comigo e meu irmão. Em partes, as raízes desse medo permanecem vivas…

Tornar-me adulta e me perceber como tal foi, muito além de um momento, um processo. Longo, por vezes doloroso, mas imensamente gratificante e do qual jamais retocaria uma experiência sequer.

O primeiro passo foi, definitivamente, a entrada na universidade e a consequente mudança para Niterói. A cidade natal de menos de 200 mil habitantes, o familiar colégio onde estudei por treze anos, o quarto repleto de roupinhas lavadas pela mamãe foram substituídos pela Universidade Federal Fluminense – um universo complexo naqueles meses iniciais -, por um beliche no quarto dividido, por semestres sem nenhum amigo na cidade onde eu era forasteira. Mas o caminho não foi de todo amargo comigo; o primeiro semestre foi tranquilo, a cidade era mais caminhável que eu imaginava, o mercado bem próximo…

Depois, mudei-me cinco vezes. Em cada república, uma história… De chegar de férias e ver todas as minhas coisas embaladas no meio da sala, com todo o apartamento em obras, até realizar mudança com amigos carregando meu colchão nas costas, de ter um rato gigante na república mais imunda já vista (e única com vagas), a morar com oito mulheres em uma casa de apenas um banheiro e normas – muito – rígidas. Até, enfim, descobrir a delícia de compartilhar um quarto, um chá, de acordar de madrugada para fazer festa surpresa para a amiga de república, de aprender a partilhar – bolo, conflitos, viradas de noite -, tolerar, respeitar o espaço do outro… E viver verdadeiros encontros de almas; construir amizades profundas e maduras durante cafés na mesa da cozinha comum.

Após tantas mudanças, dos estágios, e de todas as experiências que expandem nosso horizonte e evidenciam que, bem, nem o mundo é tão grande assim, consegui uma bolsa de intercâmbio e fui, com mala, medos e um francês mequetrefe, viver um divisor de águas na minha vida, não sem antes uma pequena saga… A novela mexicana começou quando meu visto levou seis meses a mais que o esperado para ser aprovado, sendo necessária consulta médica para mostrar que, sim, eu viveria bem os 14 meses no Canadá… Cancelei e adiei três vezes a passagem de avião, paguei dois meses de aluguel, tranquei a faculdade – pois não tinha mais matérias a cursar – e voltei para minha cidade natal, sem nenhuma perspectiva. O visto chegou vinte dias antes do outro semestre começar… Ainda assim, cheguei a ir ao aeroporto, não embarcar e adiar a passagem mais dez dias… Este tempo, onde tudo parecia dar errado, foi a maior lição que quase nada depende exclusivamente de nós. O estômago gritou, a ansiedade me fez refém, e os quase dez meses de espera deixaram a certeza que devo fazer o que está ao meu alcance, mudar o que pode ser modificado, mas aceitar aquilo em que não posso interferir.
Nicole
Ultrapassada a fase de incertezas e esperas, vivi alguns dos melhores meses da minha vida. Montreal me proporcionou o mais profundo mergulho em mim mesma – a distância de tudo que me era conhecido facilitou o processo de compreensão de quem sou; o que estimo, o que não tem valor e não merece minha energia. A experiência de viver em um lugar onde o que julgava ser impossível existe, onde a gentileza é constante, onde as ruas têm balanços musicais e pianos públicos acendeu esperanças de dias melhores. Além disso, não havia por perto mãe que pudesse ajudar pregando, sequer, um botão… Se nas repúblicas aprendi a lavar copos, o banheiro, e cozinhar macarrão, no inverno rigoroso aprendi a cuidar de todas as tarefas que meu viver abarca, das menores às mais chatas, como andar pela neve com (muita) roupa suja para a lavanderia. Há, porém, um pequeno prazer escondido nestas coisas triviais… Só quem deitou cansado depois de uma faxina sabe o prazer que o cheiro do desinfetante no piso proporciona!
Nicole
Na cidade tão distante das praias de minha cidade natal, percebi-me responsável por mim mesma, em cada minúcia, descobri um momento de aquietar minha mente na execução das tarefas domésticas, dividi trabalhos e almoços com amigos e tive ainda mais certeza que partilhar é mágicotorna leve o que faz sofrer, multiplica as alegrias… Voltei com o coração cheio de saudades, a cabecinha cheia de referências arquitetônicas, o caderninho repleto de receitas, e os dias, sempre, preenchidos com a companhia dos amigos-irmãos que lá encontrei.
Nicole
Hoje, aos quase vinte oito anos, compreendo o amadurecer como esta fase única e decisiva onde ressignificamos nosso mundo… Alocando cada coisa (e pessoa) em seu devido lugar, estabelecendo nosso horizonte de sentidos, reescrevendo os sonhos infantis e readequando as metas, nos lapidando, a cada instante, como o ser único que somos: compreendendo o que faz parte de nós e o que nos impuseram, aprendendo a nos escutar e nos acolher, aceitando que há coisas que precisamos, enfim, fazer e outras tantas que não somos obrigados a tolerar.
O início da vida adulta é a lindíssima trajetória onde cada dia é uma busca pela independência e liberdade, onde nos deparamos com todas os retalhos de nossa vida até então e, pela primeira vez, sem tutores ou quem decida por nós, tramamos nossa colcha de sentidos, eliminando o que não deve permanecer, priorizando o que nos faz bem e nos constrói, adicionando o que encontramos de novo pelo mundo e toca nossos corações.

Ainda que seja confuso e doloroso romper alguns padrões, com os quais vivemos desde que nos recordamos, perceber-se autor de sua própria história é, não somente maravilhoso, como a melhor forma de se alegrar ao enxergar no espelho, vinte anos depois, a mulher que celebra seus vinte e oito anos. E não chora mais por isso… E se ama por ser quem lutou para ser; onde cada retalho de sua colcha está exatamente no local que decidiu costurar.

01

Continue Reading

Prática inteligente: Mindfulness

cover 1

A atenção plena (mindfulness) estimula a rede de atenção que tem a função de desligar seu foco de uma coisa, transferi-lo para outra e permanecer naquele novo foco de atenção. Outra melhoria-chave está na atenção seletiva, ou seja, inibição da força das distrações. Essa função permite focar no que é importante em vez de nos distrairmos com o que está acontecendo ao nosso redor. Essa é a essência do controle cognitivo.

mindfulness_poster_UK

Um dos maiores benefícios para os estudantes é a compreensão. Mentes divagando geram buracos na compreensão. O antidoto para divagação da mente é a metaconsciência, a atenção a própria atenção, como na capacidade de perceber o que você não está percebendo, o que deveria estar percebendo e corrigir o foco.

Há também os efeitos relaxantes. Esse impacto fisiológico sugere uma redução no ponto de ajuste para estimulação do circuito do nervo vago, a chave para habilidade de manter a calma em situações de estresse e se recuperar rapidamente de aborrecimentos. Ou seja, as pessoas têm mais condições de administrar tanto a atenção quanto suas emoções. Na esfera social, podem criar relacionamentos positivos com mais facilidade e ter interações mais efetivas.

Praticamente qualquer variedade de meditação recicla nossos hábitos de atenção – especialmente a rotina-padrão de uma mente divagando. Quando os tipos de meditação foram examinados – concentração, geração de bondade e consciência aberta – todas as técnicas acalmaram as áreas da divagação da mente. Ficamos mais envolvidos com o mundo.

Como isso funciona no cérebro? A atenção plena fortalece as conexões entre as zonas executivas pré-frontais e a amígdala (emoções), especialmente os circuitos que podem dizer “não” aos impulsos – uma habilidade vital para atravessarmos a vida.

Uma função executiva aprimorada significa uma distância mais ampla entre o impulso e a ação, em parte por produzir a metaconsciência, a capacidade de observamos nossos processos mentais em vez de apenas sermos dominados por eles. Isso cria pontos de decisão que não tínhamos antes: podemos oprimir impulsos incômodos que normalmente nos levariam a agir.

1

Quanto mais o número de respostas “sim”, maior a probabilidade de você fechar a mente em vez de sintonizá-la. A atenção plena possibilita um maior nível de escolhas de foco. A falta de atenção, na forma de divagação da mente, pode ser a maior fonte de desperdício de atenção no local de trabalho e na vida de forma geral.

O foco em nossa experiência no aqui e agora – como na tarefa em execução, na conversa que estamos tendo ou na construção do consenso numa reunião – demanda que desliguemos o “eu”, aquele-fluxo de pensamento que gera o mosaico mental de coisas todas-sobre-mim irrelevantes ao que está acontecendo agora.

O mindfulness desenvolve nossa capacidade de mirar nosso foco no presente observando nossa experiência momento a momento de uma forma imparcial e não reativa. Nós praticamos o abandono de pensamentos sobre qualquer coisa e abrimos nosso foco para o que que que nos venha à mente no fluxo de consciência, sem nos perdermos num fluxo de pensamentos sobre uma única coisa.

Produzir controle executivo ajuda especialmente àqueles de nós para quem qualquer contratempo, mágoa ou decepção cria cascatas intermináveis de ruminação. A atenção plena permite que bloqueemos o fluxo de pensamentos que poderia, de oura forma, nos levar a afundar na tristeza ao modificar nosso relacionamento com o próprio pensamento. Em vez de sermos arrebatados por esse fluxo, podemos fazer uma pausa e ver que são apenas pensamentos – e decidir se iremos ou não fazer algo a respeito deles.

6

Há também o conceito multitarefas, a ruína da eficiência. Ser “multitarefa” na realidade significa trocar o que está preenchendo a capacidade da memória de trabalho – e interrupções rotineiras de um determinado foco no trabalho podem significar minutos perdidos para a tarefa original. Podem ser necessários de 10 a 15 minutos para o foco total ser recuperado.

Já existem diversos cursos voltados para essas práticas no dia-a-dia: Universidade Google “Busque dentro de você”; Inner Resilience Program; Centro da mente Contemplativa; Institute for Mindful Leadership; Center for Contemplative Mindfulness-Bades Stress. E se você acha que estou falando história para boi dormir, gostaria de salientar que empresas como: Google, Target, Cargill, Honeywell Aerospace, tem obrigado seus funcionários a tomar parte nesses cursos.

“Os participantes disseram que se tornaram mais capazes de utilizar estratégias de autorregulação – como redirecionar a atenção para aspectos menos perturbadores de situações delicadas – no calor do momento em que suas atenções estavam sendo sequestradas. Eles estão promovendo a preparação do músculo da atenção para escolher qual aspecto da experiência devem observar.  Eles são mais capazes de usar essas habilidades de atenção quando elas se mostram realmente necessárias. Também descobrimos um aumento da preocupação empática pelos outros e uma capacidade de ouvir melhor. Um é uma atitude, o outro é a habilidade em si, o músculo. São coisas vitalmente importantes no local de trabalho.”

Philippe Goldin, psicologo de Stanford avaliador do programa da Google “Busque dentro de você”

Mindfulness_2

Nós podemos julgar mal o que fará com que nos sintamos bem, se não nos propusermos a nos conhecer melhor. A maioria dos líderes simplesmente não faz pausas, mas todos precisamos de um tempo para refletir. Reservar algum tempo regular para refletir na agenda diária ou semanal pode ajudar a vencer a hiperatividade habitual, avaliar a situação e olhar adiante. Precisamos construir uma sociedade com triplo foco: em nosso próprio bem-estar, no bem-estar dos outros e nas operações dos sistemas mais amplos que moldam nossas vidas.

Uma proposta seria prestar mais atenção à forma como usamos nosso dinheiro, corremos o risco de sermos vítimas de anúncios sedutores de produtos que não nos deixarão nem um pouco mais felizes.

Dados econômicos globais mostram que quando um país atinge um nível modesto de renda – o suficiente para as necessidades básicas – não há qualquer relação entre felicidade e riqueza. Coisas intangíveis como relações afetuosas com pessoas que amamos e atividades significativas tornam as pessoas muito mais felizes do que digamos, fazer compras ou trabalhar.

2

É intrigante que Singapura tenha se tornado o primeiro país do mundo a exigir que todos os alunos passem por um Programa de Aprendizagem Acadêmica, Social e Emocional. O Governo fez parceria com o Psicologo Roger Weissberg, e passou a elaborar os planos de aulas com base em inteligência emocional.

Essa minúscula cidade-Estado representa uma das grandes histórias de sucesso econômico dos últimos cinquenta anos, exemplifica como um governo paternalista transformou uma nação diminuta numa potência econômica. Sendo assim, o segredo desse sucesso está no seu povo que o governo cultivou intencionalmente esses recursos humanos como propulsores de sua economia.

sarah adulta eu

Referencias:
Norman Farb et al. “Attending to the presente: Mindfulness Meditation Reveals Distinct Neural Modes of Self-Reference, Social Cognitive Affective Neuroscience 2, n 4 (2007):313-322
Aviva Berkovich-Ohana et al. “Mindfulnesse-Induced Changes in Gamma Band Activity 123, n 4 (Abril de 2012): 700-710
Richard J. Davidson et al., “Alterations in Brain and Immune Function Produced by Mindfulness Meditation!, Psychosomatic Medicine 65 (2003): 564-570
Frederickson, Barbara, Love 2.0
Stephen W. Porges, the Polyvagal Theory. Nova York: W. W. Norton & Co.,2011
Richard Davidson “Centro para investigação de mentes saudáveis”
Nathaniel R. Riggs et al., “The impacto f Enhancing Students” Social/ Emocional Learning: A meta-Analysis of School-Based Universal Inventions”, Child Development 82, n.1 (2011): 405-432

Continue Reading

Olhar para dentro: por que não?

cover
A minha geração, fim dos anos 80/início dos anos 90, é a geração das promessas. Fomos nos desenvolvendo como profissionais em um mundo de franco crescimento – plenitude de empregos, oportunidades, o Brasil despontando como o país do futuro. O tempo passou, fomos para faculdade , nos formamos e a conjuntura mudou. Da euforia ao estado de crise. Da abundância à austeridade. Sempre fui uma pessoa de planos, virginiana de sol, lua, mercúrio e virgem.
Quando me formei oficialmente, em abril de 2014, percebi, entretanto, que meus planos não se encaixavam mais no mundo real. Não só isso: percebi que enfrentava tantos conflitos internos que tudo que eu havia traçado para o meu futuro não teria como se concretizar.
Enfrentei um período de depressão e bulimia muito difícil. Confusões familiares constantes. Por algum tempo me vi perdida, sem vontade de recolocar a minha vida nos eixos. Não via saída para os problemas mais simples e reclamava de tudo. Até esse estado emocional me levou a ficar realmente doente – graças à bulimia, tive um problema renal gravíssimo, que me levou à internação por dez dias e me impossibilitou de fazer uma prova para qual eu havia estudado por quase oito meses.
Esse foi o turnpoint para uma mudança que não foi planejada e que eu não tinha concretude da sua dimensão. Decidi que queria mudar tudo de vez e de uma só vez. Comecei a reestruturar meu currículo, procurar oportunidades de emprego. Aceitei a terapia como uma oportunidade de melhorar. Aprendi a deixar ir e me desapegar do que me fizesse mal, ainda que isso representasse afastar amigos. E também aprendi a valorizar quem realmente se importava. As coisas fluíram de modo que consegui um novo emprego e, graças a isso, acabei de tendo que me mudar.
No início não foi fácil. Do conforto da minha casa, fui para uma República, morando com diversas pessoas, aprendendo a dividir desde o banheiro à rotina. Afinal, o salário de um recém-formado não permitia luxos. Troquei o chopp de sexta pela marmita da semana. Troquei a blusa nova por produto de limpeza. Vivi um bom tempo na base de trocas, na base do frio na barriga, na base do lápis, papel e calculadora. Aprendi a importância de valorizar a comida, valorizar o custo das coisas, valorizar o tempo. E mais ainda: aprendi a me ouvir primeiro antes de ouvir os outros. Isso acabou me fazendo aprender a aceitar também estar sozinha (logo eu, que sempre fui tão rodeada de gente).
16465885_10210034114023990_1792458343_o
Hoje eu já mudei de emprego de novo, já estou em outra casa e a vida financeira está mais calma. Graças às economias e aos extras, consigo juntar dinheiro para poder viajar nas férias e pude realizar o sonho de adotar um cachorro, que hoje alegra a volta do trabalho de segunda a sexta e me ensina a compartilhar amor.

16492301_10210034114223995_1917671589_o

Faço minhas concessões todos os dias, toda semana, o que é difícil, mas sei reconhecer que vale a pena (faz mais de sete meses que não vou para uma festa, por exemplo; quase não peço comida e sempre estou vendendo e comprando roupas usadas). As mudanças sempre nos provocam sentimentos variados, não necessariamente prazerosos, eu confesso.

A exaustão de todo esse processo me fez ficar afastada de diversos amigos – alguns por opção, outros por conta do corre-corre mesmo. Aliás, esse talvez tenha sido o maior aprendizado dentre tantos: deixar ir. Não precisamos ouvir críticas a todo tempo nem que as pessoas interfiram na nossa vida de um modo que nos machuque. Aprender a dizer não é um dos primeiros passos para aprender a dizer sim para si mesmo, priorizar as suas vontades em detrimento dos outros. Não dói e eu recomendo.

“Mas Ana Luíza, o que mais você quer?”. Não é fácil não estar no lugar que planejamos no passado. Não é fácil ver que nem tudo funciona exatamente como queremos. Não é fácil trabalhar tanto todo dia, fim de semana e ver que você já (realmente) não é tão jovem assim. E ao mesmo tempo se sentir jovem o suficiente, com vontade de largar tudo para ir viver de qualquer loucura pelo mundo. Não é fácil entender que o seu ritmo de vida e as suas escolhas não necessariamente serão as mesmas de outras pessoas da sua idade – ou ainda que sejam, o resultado nem sempre é o mesmo. Cada pessoa é diferente, cada pessoa tem a sua própria trajetória. O nosso termômetro não deve ser a vida do outro, mas deve ser a nossa vontade (e por que não a nossa sorte?). Aprendi a parar de me comparar aos outros, na medida do possível. O autoconhecimento dos últimos três anos foi e tem sido essencial para tentar compreender o momento que estou e para onde pretendo ir.
Sxsw GIF - Find & Share on GIPHY
Se sou feliz, acho que só a Ana de alguns anos vai poder dizer. Sei que continuo caminhando, aprendendo sempre a olhar para dentro antes de olhar para os lados. E, especialmente, descobrindo várias Anas que eu nem sabia que existiam aqui dentro.
Apresentação1

Continue Reading

Diário de Bordo

luiz veiga arquiteto

Como vamos viver a nossa vida está diretamente ligada a maneira que você enfrenta um rio. Você pode se esforçar em tentar ter controle se equipando e preparando, ou você pode se deixar levar. Passamos pelo 1/3 da nossa vida sendo guiados, fluxo leve, familiares nos mostrando o caminho e apenas seguimos sem questionar. Nunca vi nada de errado. Por que veria? Esse tal ‘futuro’ estava logo ali na frente, virando a curva. Preciso estar preparado.
Mesmo correndo atrás de equipamentos nunca planejei meu trajeto, sempre aproveitei o máximo do que me aparecia. Aproveitei a viajem, apreciei a vista e levei o que pude comigo. Passei por quedas e águas tranquilas. Errei a bifurcação? Várias vezes. Nessas horas peguei minhas coisas e pensei em voltar atrás, mas sempre desisti e me deixei guiar pelo fluxo. Por que mudaria? Eu que decidi seguir esse caminho, vai que ali na frente melhora? E melhorava. É fácil seguir um caminho com pedras? Não. Mas esse tal futuro está ali na frente, não posso perder tempo. Vai que aprendo alguma coisa?

Meus equipamentos me ajudaram a ir a lugares incríveis, e como um rio sem correnteza me peguei entrando em novas águas sem sentir, me especializando na minha área de trabalho, vendo amigos virem e irem e descobrir o que não quero para minha vida.
A pressão é visível, você sente principalmente quando parece que tudo não está dando certo. Contas a pagar, vida social, horário de trabalho, graduação… você vai passando por trechos do rio sem saber que elas estão apenas te preparando para uma grande queda.

Back to the grey city

Uma foto publicada por Luiz Veiga (@luiz_veiga) em


Sempre tive uma rede de suporte, talvez por isso que sempre me deixei levar com tanta facilidade, mas nem essa rede de suporte me preparou para 2016. Recém-formado, não efetivado e dinheiro limitado. Se passam meses e nada. Dinheiro acabando e sensação de derrota. Me chamam para trabalhar em São Paulo. São Paulo. Eu, um cara de Niterói, recém-formado, com meses desempregado e agora com oportunidade de trabalho (pasmem) na minha área de especialização na maior cidade do país. Frustrando todo o imaginário holístico, o libriano estava mudando para a maior cidade do País em um piscar de olhos.

Me pego sentado experimentando um sofá em uma loja de móveis, fazendo contas imaginárias e perguntando ao vendedor os métodos de pagamento. Mas como farei isso? Junto? Parcelo? Será que conseguirei pagar a parcela daqui a dois meses? Posso me dar ao luxo de não ter esse valor mensalmente? E a conta de luz, condomínio, aluguel, internet, TV a cabo, celular etc?

A ficha cai.

Independência, essa é a palavra.

Essa é a cara da independência, você estar por si só. É a sua casa, sua vida… de ninguém mais. Pisco e me percebo a milímetros da grande queda d’água que tanto me planejei enfrentar a vida toda.
Sabe aquele tal ‘futuro’? Ele é o hoje e se chama vida adulta, a minha independência forçada. A rede de segurança funciona a distância e meus equipamentos que tanto batalhei para ter parecem palitos Gina em minhas mãos. O ‘ser adulto’ chega de mansinho como um crocodilo. Você se sente preparado, mas realmente nunca vai estar. O sofá é meu, eu que pagarei. A dívida é minha. Contas a pagar aprendemos desde cedo que elas chegam. Mas ter um aluguel em seu nome dá um novo significado ao medo. Mas assim como o rio, a vida não para aí e a viajem não deixa de ser estimulante. A final, é meu sofá, e minha conquista! O primeiro susto é grande, não vou negar. Te marca como muitos outros ‘primeiros’ que existiram e que existirão, e mesmo com medo você segue tendo novas experiências, conhecendo novas pessoas, observando a vista e aproveitando a viajem.
FotorCreated1

Continue Reading

Zumbi Pendular: Adulta ou Jovem?!

Amanda Adulta eu convidado relato pessoal zumbi
No momento acho que me encontro no limbo da existência humana: não me sinto nem adulta nem jovem/ adolescente. Vivo no pendular zumbi entre a vida adulta e a de jovem. Talvez não me sinta tão adulta porque aos 26 anos, ganho um salário que não dá nem pra estocar miojo na dispensa, estou longe de ter um relacionamento amoroso estável, e ainda moro com meus pais. Em suma: o projeto de ser bem sucedida antes dos 30 flopou.
Não me sinto adulta porque 98% do tempo não me considero condutora da minha vida. Parece que meu poder de decisão é nulo em tudo no dia a dia: Não escolhi meu trabalho, ele apareceu. E afinal de contas quem é doido não aceitar emprego na atual conjuntura do país? Paga as contas. Fique feliz. Seja grato. Poderia ser pior. Aliás, só me sinto adulta quando chegam os boletos com as três palavras que mortificam a alma: “data de vencimento”.

Não me sinto mais tão jovem porque não tenho aqueela mesma energia para “coisas jovens”. Você sente que a chave virou quando as preferências mudam. Noitada? Pra que? Vamos reunir a galera e tomar um vinho lá casa. Ou sentar num barzinho e conversar. Noitada tem muito barulho, não dá pra interagir. Gente relando em mim, perguntando se posso conversar 1 minutinho. Filas enormes no banheiro. Preços absurdos pelo álcool. Muito esforço pra pouco resultado. No fim de semana acaba sendo regido pelo salmo 23 da bíblia do adulto “Netflix é meu pastor e nada me faltará”.

Image and video hosting by TinyPic

Porque quando você se vê submerso numa rotina de 8 horas ou mais de trabalho, estudo, trânsito, academia, sono, e problemas, percebe que o tempo é algo valioso demais pra se gastar com coisas e pessoas levianas. Você passa a selecionar os amigos. Os amores. Os passeios. As conexões verdadeiras passam a ser cada vez mais raras, e por isso, essenciais.
E aí chegam os convites de casamento, os chás de bebê, open house de amigos, e a sensação de estar estagnado numa vida que não te pertence de fato começa a assustar. Parece que todo mundo evoluiu de alguma forma e você continua engessado. Nesse quesito, Facebook e instagram deviam vir com uma advertência: em caso de insatisfação extrema com a própria vida, não logar. Todos são bonitos, felizes, ricos, viajantes, em relacionamentos e perfeitos.

Image and video hosting by TinyPic

Mas nem em meio a todo esse panorama de caos, incerteza e frustração coleciono pequenas vitórias: Durmo bem, não preciso de ansiolíticos ou anti depressivos, sou um ser humano bem humorado, otimista (pasmem!), me dou bem com 99% das pessoas com as quais convivo, e não tenho pressa alguma em achar o tal amor da vida. Porque aprendi a não sofrer pelas coisas que estão fora do meu controle, e que a vida não funciona no meu timing. Não é o fim do mundo. Tenho certeza que dou o meu melhor em todas as esferas da minha vida e faço das insatisfações a força motriz para tentar evoluir cada vez mais. Isso me dá uma certa paz de espírito e autoconfiança.

O que quero dizer é que não importa se você é adulto, jovem ou zumbi errante num limbo sem adjetivo definido: seja gentil consigo mesmo. Faça seu melhor. No fim somos todos perdedores. No cenário mais otimista, vamos perder algo. Aquele emprego dos sonhos, um amor, um ente querido…então tenha leveza. Se ame. A vida não é só boleto.

amanda farias

Continue Reading

Novos horizontes: Que venham nossos amigos!

sorrir nova fase oportunidades

Mesa de bar é lugar de criar, sair com gente diferente é um modo de se inspirar, ver um filme ou ler um livro é pode incentivar a começar algo novo. Sair da zona de conforto é a melhor forma de se dar oportunidades.

Outro dia saí com um amigo novo. Ele me confessou que as vezes tem um ataque de epifania e percebe que não tem mais 12 anos. Segundo seu relato, esse tipo de situação ocorre nos momentos mais bizarros como: No meio de uma reunião de trabalho ou durante o sexo. Obviamente, achei essa história genial. (Espero que ele não queria me matar por contar isso aqui, mas em minha defesa, ele esqueceu de mencionar se era segredo e eu não revelei sua identidade).

Essa revelação foi formidável. Pois logo no fim de semana seguinte, eu e meus amigos fizemos uma “festa do pijama”. Passamos 2 dias em meio a jogos de tabuleiro, guerra de bolas de água, fizemos churrasco, comemos brigadeiro, bolo, cachorro quente, enfim tudo que amamos fazer quando criança. Dentre muitas risadas e outras bobeiras, começaram vir as inquietações.

Nunca seremos velhos demais para nos divertirmos! 🎈💧#criançasfelizes #10x0bola #tácalor #verao #amizade

Um vídeo publicado por Isabela Farias (@isamfarias) em

Aproveitando que a Clari vai tirar férias (saudades). Vamos promover uma série “Percebi que era adulto”, estamos convidando algumas pessoas para contarem suas histórias. Alguns são mais íntimos, outros menos. Então, acho que nós também iremos tomar alguns sustos com o que vai acontecer.

Esse tema é extremamente amplo. Amadurecimento pode e significa muitas coisas em áreas diferentes. Não vamos limitar a criatividade de quem vai escrever.

Então, chegamos ao final de Janeiro repletos de novas oportunidade e novos caminhos. Admito que estou ansiosa pelo o que vem por aí.  Certamente será ótimo!

Acompanhem essa nova fase!

E para não dizer que não escrevi nada de cunho pessoal e de cunho criativo. Segue um poema de minha autoria:

poema sarah adulta amadurecer novo vida morte

 

sarah adulta eu

Continue Reading

Plano de vida

plano de vida

Hoje vou contar o meu plano ideal de vida:

1º  Ser feliz

2º  Erradicar a tristeza da minha vida

3º  Evitar ter problemas desnecessários

Esses objetivos deveriam ser fáceis. Porque não são?

A cabeça pula de problema em problema. Insegurança e insegurança. E parece impossível controlar a ruminação. Então, em combate a esse hábito terrível, venho me propondo essas 4 coisinhas:

1) Fazer exercícios físicos todos os dias.:

Não estou falando em malhar para ser a pessoa mais gostosa desse mundo. Estou falando em fazer uma caminhada saudável.

Ano passado comecei com a academia, aulas de dança e terminou com um curso da arte de viver. Esse ano vou apostar no yoga + aula de dança.

Exercício ajuda você a conhecer gente, libera endorfina, deixa seu corpo mais bonito (uma pessoa mais feliz é uma pessoa mais bonita).

2) Cuidar do emocional:

Esse é difícil. Quem me conhece sabe que eu faço terapia a algum tempo. E eu amo psicologia. Não entendo porque as pessoas são tão resistentes a procurar um psicólogo.

Uma das coisas que realmente aprendi na terapia foi a manter por perto quem faz bem, quem me quer bem.

Quanto vampiro tem por aí? Quanto tempo é vale perder ao lado de quem não se importa com você? E ninguém é sagrado aqui.

Comecei a faxina pela família. Eu não sei quem foi a pessoa que inventou que família é o lugar sagrado, as pessoas que mais vão te amar e te proteger. Isso não é necessariamente verdade.

Com relação aos amigos e amores, antes eu sentia uma culpa enorme ao dizer não. Hoje eu ainda sinto culpa. E eu nem sempre acerto o tom da recusa. Mas sou 100% honesta comigo mesma. Se eu não posso ou não quero, eu não vou.

Obs: Sim, isso dá merda. As pessoas nem sempre te entendem. Sim, você as vezes é grosso. Com o tempo você melhora essa prática e as pessoas passam a te respeitar, ou pelo menos assumem que você é aquilo ali mesmo.

3) Exercitar a mente:

Como os músculos, o cérebro precisa se exercitar.

Tenha ideias. Crie. Tente se lembrar do que fez ontem. Escreva uma resenha de um livro que você acabou de ler. Se possível. Faça algumas dessas coisas todos os dias.

O blog me ajudou muito nisso. Criar faz bem.

4) Práticas Espirituais:

Eu não estou falando para você seguir uma instituição religiosa. Estou falando de práticas que efetivamente podem melhorar seu dia:

    • Reze, ou melhor, seja grato. Aprenda a ser grato.
    • Medite, ou melhor, respire – clique no link para conhecer dicas de respiração guiada.
    • Perdoe e Se perdoe.

Hoje eu já percebo diferença dessas atitudes na minha vida pessoal. Me sinto mais forte. Me conheço mais, isso inclui conhecer meus pontos fracos. Acho que cuidar da cabeça é que nem cuidar do peso. É mais fácil não cuidar, mas sua saúde é que vai pagar o preço.

Então, que tal aproveitar janeiro para começar?

BOA SORTE!

sarah adulta eu

Continue Reading