A nova onda do Imperador: Cusco em 5 dias

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Bom, eu acabei de voltar de Cusco, no Peru, e resolvi contar um pouco sobre como foi a viagem. Eu mesma planejei quase tudo e fiquei bem feliz com o resultado! 🙂
Então, vou começar pelo tempo de viagem: meu roteiro é de apenas 5 dias, mas se for possível aconselho ficar mais tempo. Eu tinha lido em vários blogs que 5 dias era suficiente para conhecer a cidade, mas não estava contando que em dois desses cinco dias eu passaria viajando e não poderia aproveitar tanto a cidade. Acredito que o tempo ideal seria de 7 dias, assim poderia visitar os lugares básicos do roteiro turístico que ficaram faltando e ter um tempinho a mais de explorar a cidade.
Começamos então pegando o avião de 5h40 aqui no Rio e acho que a maioria dos vôos pra lá saem nesse horário já que os outros brasileiros com quem conversei durante a viagem disseram ter viajado nesse mesmo horário. Apesar de ter que chegar no aeroporto mais ou menos 3h da manhã, pra fazer o check-in e ir pra sala de embarque até que não foi tão ruim. Eu com meus incríveis 1,57 cm de altura e anos de treinamento estudando de manhã, consigo me acomodar bem e dormir em qualquer lugar, então nem senti tanto a viagem (na verdade, até prefiro viajar de noite porque passa mais rápido). Nosso vôo tinha conexão em Lima, então chegamos no hotel em Cusco entre 13h e 14h da tarde.
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Logo que chegamos já tivemos nosso primeiro susto: o câmbio era bem diferente do que tinha pesquisado, mas precisávamos de dinheiro e resolvemos trocar ali mesmo no aeroporto, que costuma ser mais caro. Pagamos 1 real para 85 centímos de soles x_x! E aqui entra a segunda dica: não troque muito dinheiro! Apesar do câmbio ser bem abaixo do que esperávamos ficamos com dinheiro sobrando no final, que acabei gastando em coisas inúteis. No final, eu gastei menos de 200 soles em cinco dias, para as coisas comuns do dia-a-dia, tipo comida. Como a gente não queria viajar só com real, levamos dólares também porque lá eles também aceitam e pagamos o pacote dos passeios assim. Não é difícil achar casas de câmbio lá, na verdade, até barraquinhas de artesanato faziam isso, mas trocavam principalmente dólar e euro.
Como ficaríamos pouco tempo e deixamos pra comprar todos os tickets e passeios lá tínhamos que resolver isso logo no primeiro dia, que é um dia que você não deve fazer muito esforço por causa da altitude. (Eu não senti nada do soroche, mas levei as recomendações a sério e procurei não me esforçar muito no primeiro dia.) Enfim, tudo isso pra falar que compramos o pacote do nosso taxista. Sim. Do taxista do aeroporto.
A gente pegou o táxi do lado de fora, porque o primeiro cara do lado de dentro que nos abordou falou que custaria 50 soles até o hotel e tínhamos acabado de levar uma facada com a taxa de câmbio, então eu só ri da cara dele e fui embora. Do lado de fora a gente encontrou esse cara e conseguimos pechinchar o táxi pra 20 soles e nisso fomos conversando. Ele perguntou se já tínhamos um roteiro e começou a explicar um pouco sobre isso. Chegou até a parar em frente ao “escritório” dele, ou seja, uma rua esquisita que tava com tudo fechado (depois descobrimos que era feriado), mas pedimos pra ele nos deixar primeiro no hotel para pensarmos e fazer as contas pra ver se o valor realmente valeria a pena. No final a gente nem procurou muito, estávamos sem paciência e queríamos resolver logo isso. Só entramos em uma agencia na praça das armas e que nos atendeu muito mal, então fechamos com ele mesmo. Foi arriscado, sim, mas deu certo.

Chega de enrolação: vamos ao city tour! Foi nosso segundo dia na cidade e primeiro passeio. Um cara foi lá no hotel de manhã deixar nossas entradas e avisar que alguém nos buscaria 13h15 da tarde. Aproveitamos a manhã pra andar em lugares perto do hotel, mas como estávamos meio perdidas ainda e com medo de sentir algum mal de altitude, não rendemos muito nessa caminhada. Enfim, a pessoa foi lá buscar a gente e nos levou para o primeiro lugar – Qorikancha. Percebemos que o boleto turístico da minha prima estava no nome da mãe dela (por algum motivo eles confundem) e acabamos ficando presas do lado de fora tentando resolver isso. Pegamos o grupo já começado com um cara, señor Jesus, que falava espanhol muito rápido e um inglês com sotaque muito forte, ou seja, a gente não entendia nada que ele falava. Esse foi um lugar que fiquei triste de ter passado tão depressa! O cara só ficava falando e falando e não nos dava tempo para ver o lugar… Talvez se o tour começasse mais cedo daria pra ver melhor. Mas por causa disso eu quase me perdi do grupo umas 5 vezes nos 30 minutos que ficamos lá. DICA: Tentem visitar Qorikancha fora do city tour! É fácil chegar, o ingresso é separado do boleto turístico e tem guias na porta do local se você desejar.
Depois a gente pegou o ônibus e fomos para Saqsayhuaman. Não lembro qual era a distância, mas como aquele guia não parava de falar parecia infinito. Chegando lá já tínhamos pegado a malicia de abandonar o grupo, já que não entendíamos nada que ele falava e estávamos frustradas com a visitação super corrida no templo anterior. A gente deu umas voltas por lá, tiramos umas fotos, mas como era o primeiro lugar do tipo e eu não conhecia nada da sua história, pra mim era só um monte de pedra empilhada. Mas, por favor, façam diferente porque depois de visitar os outros locais, percebi que esse era um dos mais bonitos na minha opinião. As construções incas são muito incríveis, tentem valorizar cada lugar que vocês visitarem por que é realmente especial. (Mas eu só fui entender isso no segundo dia, com uma guia mais legal e que era possível compreender o que ela falava).
Depois fomos a Q’enqo e Tambomachay, mas como eu não estava prestando muita atenção não lembro de quase nada. Nem vendo as fotos eu lembro qual era qual. Estou me guiando pelo roteiro escrito que a gente ganhou do guia e os furinhos que eles fazem no boleto turístico quando você visita o lugar.
Por último paramos em Puca Pucara e lá visitamos uma loja e fábrica de produtos com lã de alpaca e llama. Essa loja até que foi legal, uma pessoa de lá falou um pouquinho sobre como diferenciamos os produtos legítimos dos falsos e nos ensinou sobre as diferentes qualidades das lãs de acordo com a raça das alpacas.
Voltando para a cidade, o ônibus nos deixou perto da praça das armas e de lá voltamos pro Hotel. Eu saí para comer sozinha e acabei num bar de esportes muito legalzinho chamado La Fabrica Sports Bar. Lá eu comi um macarrão delicioso lá que custou 19 soles e era enorme. No último dia almoçamos lá também, mas dessa vez dividi com a minha prima e serviu muito bem nós duas. Eu queria muito sair e fazer algo animado e divertido, mas não tinha conhecido ninguém ainda e lá nesse bar só tinha gente mais velha então não durei muito (apesar de que estava doida pra jogar dardos!), só comi e fui embora. Outra coisa que foi ruim em ter ficado pouco tempo: não deu pra curtir muito a vida noturna da cidade.
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No fim desse intenso primeiro dia, passei 40 minutos no telefone da recepção tentando conseguir um médico pra minha prima e acabou que ela estava com intoxicação alimentar. Então ela ficou no hotel no dia seguinte e eu fui passear sozinha.
Terceiro dia: Vale Sagrado. Todos os lugares que eu li diziam que nas cidades desse lugar tinham várias feirinhas de artesanato, principalmente no domingo, mas eu não achei nada demais quanto a isso. E olha que eu fui no domingo. A guia nesse dia era muito melhor, falava de forma clara e devagar e tinha um sotaque de inglês bem melhor que nosso primeiro guia. Então posso dizer: vale muito a pena ter uma visita guiada de qualidade, você consegue entender melhor o que são aqueles lugares que você está visitando e aproveitar muito mais do que só ir lá e tirar foto. O roteiro desse lugar inclui dois lugares principais: Pisaq e Ollantaytambo. Não vou me prolongar falando de cada um deles, mas dessa vez tivemos mais tempo para explora-los por nossa conta e os dois lugares são lindíssimos! Nesse dia também compramos o pacote com almoço incluso e vale muito a pena! É um buffet liberado e com vários pratos típicos peruanos. O restaurante era na cidade de Urubamba, mas a gente só ficou dentro do restaurante mesmo. Por fim, a última cidade é Chinchero, mas, de novo, chegamos lá e já estava escuro, então só conhecemos uma lojinha de lá. Nesse lugar foi a demonstração mais legal de todas! Eles mostraram como era o processo de confecção das peças têxteis desde a lã crua, até uma manta pronta! É realmente bem legal ver como é tudo feito com ingredientes naturais e o trabalhão que dá… depois disso fiquei até com pena de pechinchar os preços.

De noite consegui achar finalmente um lugar agitado e com pessoas da minha idade. Um argentino que conheci no tour me levou no hostel dele que tinham uns eventos, tipo umas festas de noite. O lugar de chama Loki Hostel e é bem legal! Lá eu comi uma pizza e joguei Beer Pong com uma galera meio aleatória. A parte mais legal é que cada um era de um canto do mundo ali e todos estavam na mesma vibe animada e receptiva. Infelizmente fui embora meio cedo, já que no dia seguinte iria acordar 4h30 da manhã para ir a Machu Picchu.
Quarto dia: o tão esperado Machu Picchu. Esse merece uma dica logo de cara: NÃO DEIXEM SEU GUIA COMPRAR O TREM DA VOLTA TÃO TARDE!!!! Um carro nos buscou no hotel as 5h em ponto, e de carro mesmo fomos até a estação de Ollantaytambo pegar o trem. O cara só deixou a gente lá com as passagens e o ticket de entrada e mandou a gente procurar uma bandeira vermelha escrito o nome do grupo. Obviamente a gente não achou o grupo. Catei um wifi e liguei pro nosso agente turístico (a gente só comprou o pacote com ele, não o encontramos nenhum outro dia) e ele falou que o grupo já tava no trem. Entramos meio desesperados no trem e não encontramos a tal da bandeira de novo. A viagem foi boa e rápida, o trajeto é muito bonito e o trem é bem confortável, vale bastante a pena!
Chegamos em Aguas Calientes e eu resolvi perguntar pra primeira pessoa que eu vi com uma bandeira pra saber se ela tinha visto nosso grupo. Acabou que o grupo que procurávamos era o dela, mas a bandeira era azul. Como podem ver já começou tudo meio confuso e assim continua. Como a gente ainda não tinha as passagens de ônibus pra subir de Aguas Calientes para Machu Picchu ela nos deixou com outra mulher pra comprar as passagens. E que por sua vez nos deixou no ônibus com as instruções de encontrar uma terceira pessoa que seria nosso guia em Machu Picchu. Chegamos lá em cima umas 9h40 e encontramos o señor Fernando apenas 10h15. Foi tudo bem confuso e corrido, mas finalmente entramos e 6 pessoas do grupo de 8 eram brasileiros. E todos cariocas <3 O tour durou umas 3h mais ou menos e segui a dica de um amigo de não tirar muitas fotos para aproveitar bastante aquele momento porque é um lugar muito especial (obrigada, Gabriel!). Por fim, ficamos livres para andar sozinhas pelo parque mas como minha prima não tava se sentindo bem no calor (inclusive o chocolate da minha mochila derreteu, sujou tudo, e ainda ficamos com belíssimas marcas de camisa por causa do sol) voltamos para Aguas Calientes por volta de 14h30. Nosso trem só sairia 20h20. Sério. Não façam isso. Tentamos de todo jeito trocar a passagem pra mais cedo, até mostramos o atestado médico, mas não adiantou… Nós também não éramos os únicos com o trem tarde tentando conseguir vaga mais cedo.
Enfim, não deu. Rodamos aquela cidadezinha inteira umas 3 vezes. Não tem nada demais, e é tudo mais caro. Mas foi divertido. Queria ter voltado mais cedo e aproveitado mais da cidade de Cusco, mas foi legal lá também. Chegamos no nosso hotel mais de 00h.

Ultimo dia (e, nossa, como eu falo!!!): Mercado São Pedro. Usamos o resto do tempo que tínhamos sobrando para ir nos museus que tínhamos entrada por causa do boleto turístico e gastar os soles que nos tinham sobrado nesse estranhíssimo lugar chamado mercado São Pedro. O lugar é uma mistura só! A gente quis ir lá porque no primeiro dia perguntamos a uma guardinha de transito onde poderíamos comer barato e ela falou desse mercado. Era muito esquisito, não sei nem como descrever… Bem cena de filme mesmo com uns bichos mortos pendurados pra vender, pé de galinha (!!!!!!), várias moscas, etc. Mas tinham também várias barraquinhas vendendo artesanato local e era bem mais barato, então valeu a pena.
Vou deixar aqui os lugares que eu comi e lembro o nome:
-Café Perla (Esq. San Andrés com Kuychipunku, nº492): o lugar é uma graça e tem um preço bom. Lá comi uma Truta a la Plancha deliciosa.
– La Fabrica Sports Bar (Rua Santa Catalina, nº360): é um bar temático que serve tanto pra comer como pra encher a cara. Tem umas mesas com dardo e em outro andar tem também sinuca e pebolim. Fui super bem atendida e, o preço da comida era bom e o prato que eu comi dava pra dividir tranquilamente. (as cervejas e drinks eram um pouco mais caros, mas nada fora do comum, coisa de 20 soles em média)
– Loki Hostel (Cuesta de Sta. Ana, nº 601): lá você precisa de uma pulseirinha pra entrar e você usa ela pra pagar também. Não sei como funciona pra pessoas de fora já que eu entrei meio escondido e peguei as coisas com a pulseira desse meu amigo, mas lá eu dividi uma pizza que custou 12 soles e ainda sobrou uns dois pedaços. A cerveja também tinha um preço bom.
Dicas no geral:
– Atenção ao horário do trem da volta em Machu Picchu. O parque fecha as 17h, e o ultimo ônibus desce 17h30, mas dá pra conhecer tudo com calma e terminar bem antes. Acredito que o trem das 18h seja o ideal, assim você vê tudo com o guia e sem ele depois e sem ficar muito tempo atoa na cidade.
– Tente passar a semana lá, assim você terá mais tempo de explorar as ruazinhas da cidade que por si só já são belíssimas. Cinco dias foi muito corrido e não conseguimos ver tudo.
– Comprando todos os passeios num pacote só porque saí mais barato assim, mas se puder gastar um pouco mais, acho que vale a pena ir comprando separadamente e escolher guias melhores em uma língua que você entenda! Dessa forma você escolhe os lugares que vai passar mais tempo e aproveitar tudo que o lugar e sua história podem proporcionar.
– Se você quer calma, e valoriza sua cama e banheiro fique numa pousada. Mas caso esteja interessado em conhecer gente nova, fazer amigos e curtir a noite cusqueña aconselho um hostel, lá tem várias opções para todos os gostos.
– Ficamos hospedados na pousada La Casona de Rimacpampa. Lá só serve café da manhã, que nem era tão bom, mas eles nos atenderam muito bem, principalmente no dia que precisei chamar um médico. O ruim foi que no dia que chegamos mais tarde não tinha mais água quente no chuveiro.
– Inca Kola tem gosto de chiclete de tutti frutti.
A nova onda do Imperador: Cusco em 5 dias

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5 lugares ao ar livre imperdíveis no Rio de Janeiro

Isa Por aí
Confesso que quando recebi o convite da Sarah e Clarissa para escrever para o blog, fiquei honrada! Passada a euforia inicial, comecei a me perguntar: “Logo eu, de exatas, super objetiva e que corria das redações na escola, como conseguirei contribuir para a página delas?!”. E bateu aquela insegurança… Parei, pensei, refleti e vi que nada melhor do que falar sobre aquilo que move e estimula a gente.
Eu, como boa ariana que não consegue parar quieta, sempre gostei de explorar novos lugares! Pode ser aqui do lado de casa (em Niterói – RJ) ou em outro país! O importante é não estar parada! E por todo canto que passo, saio registrando tudo através de fotos e escrevendo as minhas percepções! Talvez, pela certeza de uma carreira relativamente estável, cursei engenharia e levei a fotografia como hobby. Mas este ano, resolvi dar um passo à frente e expor todos esses registros, explicando um pouco sobre cada um desses lugares.
Sendo assim, vamos falar do que eu entendo!
Mais do que uma reflexão sobre a vida adulta levo este texto como um informativo de sugestões de lugares que a nossa cidade vizinha oferece, mas que muitas vezes passam despercebidos na correria do dia a dia.
Eis aqui 5 lugares ao ar livre imperdíveis (pelo menos na minha opinião) no Rio de Janeiro:

Mureta da Urca
Isa Por aí
Amor à primeira vista, a mureta é um dos meus lugares preferidos no Rio! Localizada no bairro de mesmo nome na Zona Sul carioca, ela é super democrática, contando com bares para todos os gostos e bolsos ao longo de sua extensão. Assistir ao por do sol sentada na mureta, com os amigos, comendo um pastel e bebendo alguma coisa, num pós praia deveria ser parada obrigatória para todo carioca ou visitante da cidade maravilhosa pelo menos uma vez!!

Pedra do Arpoador
Isa Por aí
Já experimentou assistir ao por do sol de cima da Pedra do Arpoador? Com uma visão completa da Praia de Ipanema e Leblon, contando com o Morro Dois Irmãos ao fundo, é a arquibancada preferida de 8 em cada 10 cariocas no verão! Conseguir um espacinho na famosa pedra não é tarefa fácil, mas vale muito a pena! A cada entardecer, o sol se despede com uma salva de palmas dos expectadores! Experiência que renova qualquer energia!

Praia da Joatinga
Isa Por aí
Esse paraíso fica escondido entre as praias de São Conrado e da Barra da Tijuca! A pequena praia de apenas 300 metros possui um visual deslumbrante, com um mar de água cristalina, num tom azul esverdeado poucas vezes encontrado no Rio!
Como chegar?!
A opção mais viável é o carro, já que os ônibus param muito distantes! Pegue a Estrada do Joá e entre no condomínio na Rua Pascoal Segreto (ponto de referência: o Clube Costa Brava fica dentro do condomínio). Há estacionamento no local, mas com número de vagas reduzidas! Portanto, se você optar ir num dia de sol, chegue cedo!
Após estacionar, para chegar efetivamente na praia, você deverá descer um caminho de pedras e rampas (nada tão perigoso), com mirantes pelo percurso.
Dica: Na maré alta/cheia (geralmente no outono e inverno), a faixa de areia some. É uma boa verificar a maré antes de ir até lá.

Mirante Dona Marta
Isa Por aí
Se você busca uma vista panorâmica da Cidade Maravilhosa, o Mirante Dona Marta é o lugar certo! Da Zona Norte à Zona Sul, é possível observar o Maracanã, a Baía de Guanabara, o Aterro do Flamengo, a Lagoa Rodrigo de Freitas e o Cristo Redentor!
Ao chegar no estacionamento do mirante, você terá duas possibilidades: de um lado uma escada de pedras leva até o mirante propriamente dito e do outro, um heliponto garante um lindo visual do Cristo Redentor mais de pertinho e da Lagoa Rodrigo de Freitas! O passeio vale muito a pena e o melhor: é possível chegar lá sem fazer nenhuma trilha e é gratuito!
Como chegar?!
Não há ônibus que leve ao mirante. As melhores formas de chegar até lá em cima são: de carro ou através de uma trilha que se inicia na favela Santa Marta (pacificada).
De carro: siga para o Cosme Velho pela Ladeira dos Guararapes, na direção do Corcovado. Em seguida, haverão placas indicando para o Mirante, o acesso é bem fácil! Como já mencionado, há estacionamento no local, sendo necessário colocar o cartão no veículo (R$ 2,00 para cada 2h de permanência).
Por trilha: o caminho é ir até o morro Santa Marta, subir ao topo da favela pelo elevador e seguir pela trilha que leva entre 30 e 50 minutos (grau de dificuldade médio).

Mirante do Sacopã
Isa Por aí
Para mim é a melhor trilha em custo-benefício, subida rápida e sem grande grau de dificuldade, mas com um visual maravilhoso!
A caminhada inicia-se na entrada do Parque Natural Municipal da Catacumba, localizado na Lagoa Rodrigo de Freitas. Em um percurso de 330 metros, em cerca de 20 minutos, você chega ao mirante. Lá de cima é possível observar a Lagoa, a Pedra da Gávea, o Morro Dois Irmãos, o Jockey Club, a Praia do Leblon e o Cristo Redentor.
Na entrada do parque, há banheiros e uma pequena lanchonete.
Como chegar?!
A trilha fica no Parque Natural Municipal da Catacumba (Av. Epitácio Pessoa, 3000 – Lagoa), próximo ao corte do Cantagalo. Para chegar ao parque, você poderá ir tanto de carro quanto de transporte público.
De carro: não há estacionamento no local. Uma boa opção é o estacionamento ao entorno da Lagoa.
De ônibus: procure uma linha de ônibus que passe pela Av. Epitácio Pessoa.
De metrô: desça na Estação Cantagalo, ande na direção do Corte do Cantagalo, passando por ele e contorne a Lagoa pela direita. Em 10 minutos de caminhada, você avistará a entrada do Parque.
Horário de Funcionamento:
Terça à domingo, das 8h às 17h (até às 18h no verão).

Bom, o Rio de Janeiro conta com inúmeras possibilidades quando o assunto é atividade ao ar livre, porém essa breve lista já é um começo se você deseja explorar essa cidade maravilhosa!
Isa Por aí

Parabéns Mari! 🎂🎁🎉🎊 @sarahbbrito @vitor_eboli @marianaserenario @renatinhadns @paula.ferpat @clari_carneiro @leticia_vidigal

Uma publicação compartilhada por Isabela Farias (@isamfarias) em

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Minha colcha de retalhos

Nicole

A memória nunca foi minha grande aliada, porém, recordo sempre do dia em que, aos prantos, fui consolada porque não gostaria de fazer oito anos, não queria crescer

Vinte anos depois, a memória continua não sendo meu forte, enquanto a percepção das coisas e o hábito de fazer (muitas) análises sempre o foram… Torturando, inúmeras vezes, mente e coração, mesmo quando infantis.

O pavor de crescer era muito maior que o simples desejo de ser Peter Pan e brincar para sempre; enraizava-se no medo de não conseguir ser capaz de fazer tudo que meus pais faziam, pagar por todas as despesas que os observava tendo comigo e meu irmão. Em partes, as raízes desse medo permanecem vivas…

Tornar-me adulta e me perceber como tal foi, muito além de um momento, um processo. Longo, por vezes doloroso, mas imensamente gratificante e do qual jamais retocaria uma experiência sequer.

O primeiro passo foi, definitivamente, a entrada na universidade e a consequente mudança para Niterói. A cidade natal de menos de 200 mil habitantes, o familiar colégio onde estudei por treze anos, o quarto repleto de roupinhas lavadas pela mamãe foram substituídos pela Universidade Federal Fluminense – um universo complexo naqueles meses iniciais -, por um beliche no quarto dividido, por semestres sem nenhum amigo na cidade onde eu era forasteira. Mas o caminho não foi de todo amargo comigo; o primeiro semestre foi tranquilo, a cidade era mais caminhável que eu imaginava, o mercado bem próximo…

Depois, mudei-me cinco vezes. Em cada república, uma história… De chegar de férias e ver todas as minhas coisas embaladas no meio da sala, com todo o apartamento em obras, até realizar mudança com amigos carregando meu colchão nas costas, de ter um rato gigante na república mais imunda já vista (e única com vagas), a morar com oito mulheres em uma casa de apenas um banheiro e normas – muito – rígidas. Até, enfim, descobrir a delícia de compartilhar um quarto, um chá, de acordar de madrugada para fazer festa surpresa para a amiga de república, de aprender a partilhar – bolo, conflitos, viradas de noite -, tolerar, respeitar o espaço do outro… E viver verdadeiros encontros de almas; construir amizades profundas e maduras durante cafés na mesa da cozinha comum.

Após tantas mudanças, dos estágios, e de todas as experiências que expandem nosso horizonte e evidenciam que, bem, nem o mundo é tão grande assim, consegui uma bolsa de intercâmbio e fui, com mala, medos e um francês mequetrefe, viver um divisor de águas na minha vida, não sem antes uma pequena saga… A novela mexicana começou quando meu visto levou seis meses a mais que o esperado para ser aprovado, sendo necessária consulta médica para mostrar que, sim, eu viveria bem os 14 meses no Canadá… Cancelei e adiei três vezes a passagem de avião, paguei dois meses de aluguel, tranquei a faculdade – pois não tinha mais matérias a cursar – e voltei para minha cidade natal, sem nenhuma perspectiva. O visto chegou vinte dias antes do outro semestre começar… Ainda assim, cheguei a ir ao aeroporto, não embarcar e adiar a passagem mais dez dias… Este tempo, onde tudo parecia dar errado, foi a maior lição que quase nada depende exclusivamente de nós. O estômago gritou, a ansiedade me fez refém, e os quase dez meses de espera deixaram a certeza que devo fazer o que está ao meu alcance, mudar o que pode ser modificado, mas aceitar aquilo em que não posso interferir.
Nicole
Ultrapassada a fase de incertezas e esperas, vivi alguns dos melhores meses da minha vida. Montreal me proporcionou o mais profundo mergulho em mim mesma – a distância de tudo que me era conhecido facilitou o processo de compreensão de quem sou; o que estimo, o que não tem valor e não merece minha energia. A experiência de viver em um lugar onde o que julgava ser impossível existe, onde a gentileza é constante, onde as ruas têm balanços musicais e pianos públicos acendeu esperanças de dias melhores. Além disso, não havia por perto mãe que pudesse ajudar pregando, sequer, um botão… Se nas repúblicas aprendi a lavar copos, o banheiro, e cozinhar macarrão, no inverno rigoroso aprendi a cuidar de todas as tarefas que meu viver abarca, das menores às mais chatas, como andar pela neve com (muita) roupa suja para a lavanderia. Há, porém, um pequeno prazer escondido nestas coisas triviais… Só quem deitou cansado depois de uma faxina sabe o prazer que o cheiro do desinfetante no piso proporciona!
Nicole
Na cidade tão distante das praias de minha cidade natal, percebi-me responsável por mim mesma, em cada minúcia, descobri um momento de aquietar minha mente na execução das tarefas domésticas, dividi trabalhos e almoços com amigos e tive ainda mais certeza que partilhar é mágicotorna leve o que faz sofrer, multiplica as alegrias… Voltei com o coração cheio de saudades, a cabecinha cheia de referências arquitetônicas, o caderninho repleto de receitas, e os dias, sempre, preenchidos com a companhia dos amigos-irmãos que lá encontrei.
Nicole
Hoje, aos quase vinte oito anos, compreendo o amadurecer como esta fase única e decisiva onde ressignificamos nosso mundo… Alocando cada coisa (e pessoa) em seu devido lugar, estabelecendo nosso horizonte de sentidos, reescrevendo os sonhos infantis e readequando as metas, nos lapidando, a cada instante, como o ser único que somos: compreendendo o que faz parte de nós e o que nos impuseram, aprendendo a nos escutar e nos acolher, aceitando que há coisas que precisamos, enfim, fazer e outras tantas que não somos obrigados a tolerar.
O início da vida adulta é a lindíssima trajetória onde cada dia é uma busca pela independência e liberdade, onde nos deparamos com todas os retalhos de nossa vida até então e, pela primeira vez, sem tutores ou quem decida por nós, tramamos nossa colcha de sentidos, eliminando o que não deve permanecer, priorizando o que nos faz bem e nos constrói, adicionando o que encontramos de novo pelo mundo e toca nossos corações.

Ainda que seja confuso e doloroso romper alguns padrões, com os quais vivemos desde que nos recordamos, perceber-se autor de sua própria história é, não somente maravilhoso, como a melhor forma de se alegrar ao enxergar no espelho, vinte anos depois, a mulher que celebra seus vinte e oito anos. E não chora mais por isso… E se ama por ser quem lutou para ser; onde cada retalho de sua colcha está exatamente no local que decidiu costurar.

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Olhar para dentro: por que não?

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A minha geração, fim dos anos 80/início dos anos 90, é a geração das promessas. Fomos nos desenvolvendo como profissionais em um mundo de franco crescimento – plenitude de empregos, oportunidades, o Brasil despontando como o país do futuro. O tempo passou, fomos para faculdade , nos formamos e a conjuntura mudou. Da euforia ao estado de crise. Da abundância à austeridade. Sempre fui uma pessoa de planos, virginiana de sol, lua, mercúrio e virgem.
Quando me formei oficialmente, em abril de 2014, percebi, entretanto, que meus planos não se encaixavam mais no mundo real. Não só isso: percebi que enfrentava tantos conflitos internos que tudo que eu havia traçado para o meu futuro não teria como se concretizar.
Enfrentei um período de depressão e bulimia muito difícil. Confusões familiares constantes. Por algum tempo me vi perdida, sem vontade de recolocar a minha vida nos eixos. Não via saída para os problemas mais simples e reclamava de tudo. Até esse estado emocional me levou a ficar realmente doente – graças à bulimia, tive um problema renal gravíssimo, que me levou à internação por dez dias e me impossibilitou de fazer uma prova para qual eu havia estudado por quase oito meses.
Esse foi o turnpoint para uma mudança que não foi planejada e que eu não tinha concretude da sua dimensão. Decidi que queria mudar tudo de vez e de uma só vez. Comecei a reestruturar meu currículo, procurar oportunidades de emprego. Aceitei a terapia como uma oportunidade de melhorar. Aprendi a deixar ir e me desapegar do que me fizesse mal, ainda que isso representasse afastar amigos. E também aprendi a valorizar quem realmente se importava. As coisas fluíram de modo que consegui um novo emprego e, graças a isso, acabei de tendo que me mudar.
No início não foi fácil. Do conforto da minha casa, fui para uma República, morando com diversas pessoas, aprendendo a dividir desde o banheiro à rotina. Afinal, o salário de um recém-formado não permitia luxos. Troquei o chopp de sexta pela marmita da semana. Troquei a blusa nova por produto de limpeza. Vivi um bom tempo na base de trocas, na base do frio na barriga, na base do lápis, papel e calculadora. Aprendi a importância de valorizar a comida, valorizar o custo das coisas, valorizar o tempo. E mais ainda: aprendi a me ouvir primeiro antes de ouvir os outros. Isso acabou me fazendo aprender a aceitar também estar sozinha (logo eu, que sempre fui tão rodeada de gente).
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Hoje eu já mudei de emprego de novo, já estou em outra casa e a vida financeira está mais calma. Graças às economias e aos extras, consigo juntar dinheiro para poder viajar nas férias e pude realizar o sonho de adotar um cachorro, que hoje alegra a volta do trabalho de segunda a sexta e me ensina a compartilhar amor.

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Faço minhas concessões todos os dias, toda semana, o que é difícil, mas sei reconhecer que vale a pena (faz mais de sete meses que não vou para uma festa, por exemplo; quase não peço comida e sempre estou vendendo e comprando roupas usadas). As mudanças sempre nos provocam sentimentos variados, não necessariamente prazerosos, eu confesso.

A exaustão de todo esse processo me fez ficar afastada de diversos amigos – alguns por opção, outros por conta do corre-corre mesmo. Aliás, esse talvez tenha sido o maior aprendizado dentre tantos: deixar ir. Não precisamos ouvir críticas a todo tempo nem que as pessoas interfiram na nossa vida de um modo que nos machuque. Aprender a dizer não é um dos primeiros passos para aprender a dizer sim para si mesmo, priorizar as suas vontades em detrimento dos outros. Não dói e eu recomendo.

“Mas Ana Luíza, o que mais você quer?”. Não é fácil não estar no lugar que planejamos no passado. Não é fácil ver que nem tudo funciona exatamente como queremos. Não é fácil trabalhar tanto todo dia, fim de semana e ver que você já (realmente) não é tão jovem assim. E ao mesmo tempo se sentir jovem o suficiente, com vontade de largar tudo para ir viver de qualquer loucura pelo mundo. Não é fácil entender que o seu ritmo de vida e as suas escolhas não necessariamente serão as mesmas de outras pessoas da sua idade – ou ainda que sejam, o resultado nem sempre é o mesmo. Cada pessoa é diferente, cada pessoa tem a sua própria trajetória. O nosso termômetro não deve ser a vida do outro, mas deve ser a nossa vontade (e por que não a nossa sorte?). Aprendi a parar de me comparar aos outros, na medida do possível. O autoconhecimento dos últimos três anos foi e tem sido essencial para tentar compreender o momento que estou e para onde pretendo ir.
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Se sou feliz, acho que só a Ana de alguns anos vai poder dizer. Sei que continuo caminhando, aprendendo sempre a olhar para dentro antes de olhar para os lados. E, especialmente, descobrindo várias Anas que eu nem sabia que existiam aqui dentro.
Apresentação1

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Diário de Bordo

luiz veiga arquiteto

Como vamos viver a nossa vida está diretamente ligada a maneira que você enfrenta um rio. Você pode se esforçar em tentar ter controle se equipando e preparando, ou você pode se deixar levar. Passamos pelo 1/3 da nossa vida sendo guiados, fluxo leve, familiares nos mostrando o caminho e apenas seguimos sem questionar. Nunca vi nada de errado. Por que veria? Esse tal ‘futuro’ estava logo ali na frente, virando a curva. Preciso estar preparado.
Mesmo correndo atrás de equipamentos nunca planejei meu trajeto, sempre aproveitei o máximo do que me aparecia. Aproveitei a viajem, apreciei a vista e levei o que pude comigo. Passei por quedas e águas tranquilas. Errei a bifurcação? Várias vezes. Nessas horas peguei minhas coisas e pensei em voltar atrás, mas sempre desisti e me deixei guiar pelo fluxo. Por que mudaria? Eu que decidi seguir esse caminho, vai que ali na frente melhora? E melhorava. É fácil seguir um caminho com pedras? Não. Mas esse tal futuro está ali na frente, não posso perder tempo. Vai que aprendo alguma coisa?

Meus equipamentos me ajudaram a ir a lugares incríveis, e como um rio sem correnteza me peguei entrando em novas águas sem sentir, me especializando na minha área de trabalho, vendo amigos virem e irem e descobrir o que não quero para minha vida.
A pressão é visível, você sente principalmente quando parece que tudo não está dando certo. Contas a pagar, vida social, horário de trabalho, graduação… você vai passando por trechos do rio sem saber que elas estão apenas te preparando para uma grande queda.

Back to the grey city

Uma foto publicada por Luiz Veiga (@luiz_veiga) em


Sempre tive uma rede de suporte, talvez por isso que sempre me deixei levar com tanta facilidade, mas nem essa rede de suporte me preparou para 2016. Recém-formado, não efetivado e dinheiro limitado. Se passam meses e nada. Dinheiro acabando e sensação de derrota. Me chamam para trabalhar em São Paulo. São Paulo. Eu, um cara de Niterói, recém-formado, com meses desempregado e agora com oportunidade de trabalho (pasmem) na minha área de especialização na maior cidade do país. Frustrando todo o imaginário holístico, o libriano estava mudando para a maior cidade do País em um piscar de olhos.

Me pego sentado experimentando um sofá em uma loja de móveis, fazendo contas imaginárias e perguntando ao vendedor os métodos de pagamento. Mas como farei isso? Junto? Parcelo? Será que conseguirei pagar a parcela daqui a dois meses? Posso me dar ao luxo de não ter esse valor mensalmente? E a conta de luz, condomínio, aluguel, internet, TV a cabo, celular etc?

A ficha cai.

Independência, essa é a palavra.

Essa é a cara da independência, você estar por si só. É a sua casa, sua vida… de ninguém mais. Pisco e me percebo a milímetros da grande queda d’água que tanto me planejei enfrentar a vida toda.
Sabe aquele tal ‘futuro’? Ele é o hoje e se chama vida adulta, a minha independência forçada. A rede de segurança funciona a distância e meus equipamentos que tanto batalhei para ter parecem palitos Gina em minhas mãos. O ‘ser adulto’ chega de mansinho como um crocodilo. Você se sente preparado, mas realmente nunca vai estar. O sofá é meu, eu que pagarei. A dívida é minha. Contas a pagar aprendemos desde cedo que elas chegam. Mas ter um aluguel em seu nome dá um novo significado ao medo. Mas assim como o rio, a vida não para aí e a viajem não deixa de ser estimulante. A final, é meu sofá, e minha conquista! O primeiro susto é grande, não vou negar. Te marca como muitos outros ‘primeiros’ que existiram e que existirão, e mesmo com medo você segue tendo novas experiências, conhecendo novas pessoas, observando a vista e aproveitando a viajem.
FotorCreated1

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Zumbi Pendular: Adulta ou Jovem?!

Amanda Adulta eu convidado relato pessoal zumbi
No momento acho que me encontro no limbo da existência humana: não me sinto nem adulta nem jovem/ adolescente. Vivo no pendular zumbi entre a vida adulta e a de jovem. Talvez não me sinta tão adulta porque aos 26 anos, ganho um salário que não dá nem pra estocar miojo na dispensa, estou longe de ter um relacionamento amoroso estável, e ainda moro com meus pais. Em suma: o projeto de ser bem sucedida antes dos 30 flopou.
Não me sinto adulta porque 98% do tempo não me considero condutora da minha vida. Parece que meu poder de decisão é nulo em tudo no dia a dia: Não escolhi meu trabalho, ele apareceu. E afinal de contas quem é doido não aceitar emprego na atual conjuntura do país? Paga as contas. Fique feliz. Seja grato. Poderia ser pior. Aliás, só me sinto adulta quando chegam os boletos com as três palavras que mortificam a alma: “data de vencimento”.

Não me sinto mais tão jovem porque não tenho aqueela mesma energia para “coisas jovens”. Você sente que a chave virou quando as preferências mudam. Noitada? Pra que? Vamos reunir a galera e tomar um vinho lá casa. Ou sentar num barzinho e conversar. Noitada tem muito barulho, não dá pra interagir. Gente relando em mim, perguntando se posso conversar 1 minutinho. Filas enormes no banheiro. Preços absurdos pelo álcool. Muito esforço pra pouco resultado. No fim de semana acaba sendo regido pelo salmo 23 da bíblia do adulto “Netflix é meu pastor e nada me faltará”.

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Porque quando você se vê submerso numa rotina de 8 horas ou mais de trabalho, estudo, trânsito, academia, sono, e problemas, percebe que o tempo é algo valioso demais pra se gastar com coisas e pessoas levianas. Você passa a selecionar os amigos. Os amores. Os passeios. As conexões verdadeiras passam a ser cada vez mais raras, e por isso, essenciais.
E aí chegam os convites de casamento, os chás de bebê, open house de amigos, e a sensação de estar estagnado numa vida que não te pertence de fato começa a assustar. Parece que todo mundo evoluiu de alguma forma e você continua engessado. Nesse quesito, Facebook e instagram deviam vir com uma advertência: em caso de insatisfação extrema com a própria vida, não logar. Todos são bonitos, felizes, ricos, viajantes, em relacionamentos e perfeitos.

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Mas nem em meio a todo esse panorama de caos, incerteza e frustração coleciono pequenas vitórias: Durmo bem, não preciso de ansiolíticos ou anti depressivos, sou um ser humano bem humorado, otimista (pasmem!), me dou bem com 99% das pessoas com as quais convivo, e não tenho pressa alguma em achar o tal amor da vida. Porque aprendi a não sofrer pelas coisas que estão fora do meu controle, e que a vida não funciona no meu timing. Não é o fim do mundo. Tenho certeza que dou o meu melhor em todas as esferas da minha vida e faço das insatisfações a força motriz para tentar evoluir cada vez mais. Isso me dá uma certa paz de espírito e autoconfiança.

O que quero dizer é que não importa se você é adulto, jovem ou zumbi errante num limbo sem adjetivo definido: seja gentil consigo mesmo. Faça seu melhor. No fim somos todos perdedores. No cenário mais otimista, vamos perder algo. Aquele emprego dos sonhos, um amor, um ente querido…então tenha leveza. Se ame. A vida não é só boleto.

amanda farias

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