A vida continua mudando

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Escrever é uma atividade muito reflexiva. Quando começamos esse blog, já se foram 15 meses, nos encontrávamos em um certo momento de vida. Cada uma de nós com suas particularidades e nesse tempo as coisas deram giros completos algumas vezes, virando tudo de cabeça pra baixo e pra cima de volta. Não consegui manter o que propus a mim mesma e a você, em certos momentos o vislumbre de um momento de reflexão foi mais assustador do que parece normal.

Ultimamente mais do que antes, mas espero que aceite minhas desculpas e mais esse texto.

Já concordamos, há muito tempo, que nenhum problema ou alegria é comparável entre duas pessoas. Nesse tempo minhas alegrias foram muitas, tantas que me distraíram da jornada de auto-reflexão que estávamos seguindo lado a lado. Ao mesmo tempo, sentia aquela adrenalina de quem parou de pedalar, descendo morro abaixo, curtindo o vento no rosto com os olhos fechados para não ver o momento da queda.

A queda não veio – ainda – mas o medo não foi embora também. Cada vez que pensava em escrever, vinha também a paralização pelo medo de cair. Como se parar pra pensar sobre a vida fosse só destruir a ilusão de felicidade interminável. Ainda não estou pronta pra acreditar que isso vai ter um fim, mas bem no fundo eu sei.

Não estou sofrendo, e espero que isso amenize seus sentimentos. Por outro lado, dizem que de boas intenções o inferno está cheio. Antes que eu chegue nesse ponto, aqui estão as minhas singelas palavras e espero que as aceite e entenda.

Nossa vida estava mudando radicalmente 16 anos atrás, quando nos conhecemos. Não parou desde então – estava mudando 15 meses atrás, continua mudando agora e espero que não pare nunca. Venha o que vier, as vezes mais offline do que online, saiba que continuo aqui – pra discutir livros, estrelas, surpresas, alegrias e tristezas.

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Com direito à foto-vergonha porque sim. (:

Assinatura Clari

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1 ANO DE “ADULTA,EU?!”. OBRIGADA!

clari e sarah
Filosofo por temperamento, liberal por educação.
Sabia fazer-se agradável
Sua força e Fraqueza eram a bondade.
Um sopro de felicidade acompanhava suas esperanças impalpáveis.

Deleitava-se com a brisa fresca e o suspiro doce do mar.
Os sinos soavam ao longe,
Enquanto um canto de pássaros vibrava algures.
Fechou os olhos deslumbrado pelo esplendor
Era o seu sol, sua aurora, seu momento.

Começava sua existência e raiavam suas esperanças
Estendeu os braços para o espaço radioso como se quisesse envolver o sol
Tentou gritar algo tão sublime quanto a eclosão do dia
Parecia-lhe, então, que apenas três coisas na vida eram belas: o sol, o firmamento e o mar.

Permaneceu paralisado com entusiasmo impotente.
Vinham-lhe as alegrias desordenadas,
Pressentindo a aproximação de misteriosas felicidades.

Seguiu pela alameda plantando passos,
Permitindo-se longa horas imerso em pensamentos.
Porque é próprio de cada coração imaginar que foi o primeiro a sentir?
O mar substituía a voz e os sentimentos tornavam-se silenciosos.

SBB

Clari e Sarah

Clari,

Era necessário um post comemorativo. Como você me abandou nesse calor do RJ, não pudemos escrever juntas.

Alias, somos duas desnaturadas por somente perceber que o Blog fez um ano dia 16/02 quando vieram cobrar a fatura! RS! Já que você não ta aqui para limitar as fotos bizarras se prepare. Elas virão!

Obs: Você considera a foto acima louca? Eu acho fofa! Esse foi o dia do seu niver que eu derrubei geral no chão. E que todas eramos namoradas do Bernardo, isso deu ruim.

amigos

Agradecemos primeiramente a nossa família que nos permitiu a existência.

Ao nosso grupo central de amigos que resiste a algo entorno de 16 anos?!

Agradecemos aos amigos que foram se unindo a nós e garantindo que tudo pode faltar, menos o AMOR.

Partiu, uma linha do tempo?!

amigos

Na escola, eramos o grupo Nerd descolado. Nunca entendi muito bem como fomos parar ai. Mas uma coisa eu sei a “turma E” era a melhor em notas e a melhor dos esportes.

Por mais incrível que pareça eu ganhei medalha de ouro no basquete da 5ª – 8ª série (até quando eu era obrigada a jogar na “Abeliada”). Obviamente, não era por causa da minha habilidade. Devemos a proeza a Souza, Isa e Juliana (que também eram muito competitivas, somos todos competitivos de certa forma).

amigos

E em 2005 teve disney! Eu, Mari, Clari, Isa, Tássia, Ana e Renata C.!

Foi quando descobri que sou uma louca por adrenalina e Clari descobriu que não.

Assim comemoramos os 15 anos. Eu e Clari eramos 2 mocinhas que acreditavam que era possível ficar bêbada com Guaraná Antártica. E certamente não tínhamos a menor noção da maldade do mundo.

amigos

Na copa do mundo ia a caráter (todo mundo ainda vai a caráter).

A gente comia bolo de chocolate que sempre tinha na casa do Be. Que parou de ter porque ele virou fitness. (Saudades do bolo Berelindo)

Obs: Lembram que a gente levou bolo pro professor de geografia nesse dia? Não bastava ser representante de turma, tinha que ser puxa saco!

amigos
amigos
Falei que ia ter foto constrangedora! Obs: Repare o modelo de celular da Luiza! Obs 2: Repare como a gente tava preta. Obs 3: Preta de sol, não de sujeira.

A gente excluía os meninos na FF, pode chamar de Feme Fatale ou Farra Feminina. Quando a gente tentava sempre virar a noite jogando milhões de jogos.

A Luiza mandava super bem no perfil. 1 dica: “toulouse lautrec”! Obs: Nunca mais joguei com ela. Não gosto de perder. Já disse que sou competitiva?!

amigos

amigos

E eramos nerds com muitos eventos sociais. Não faltou praia, churrasco, piscina, viagem.

Eu e Clari sempre tivemos um pique meio maluco e ideias inocentemente inconsequentes que é melhor nem comentar aqui. Nunca nada deu tão errado, então está tudo bem!

amigos

Começou a faculdade:

  • Eu fui desenho industrial PUC e depois arquitetura UFF (Graças aos Ceus).
  • Clari foi engenheira ambiental (UFF) e depois farmaceutica (UFRJ)
    Enquanto que na escola a gente vivia estudando para simulação da ONU!

Conclusão? Adolescente não sabe o que quer estudar. Entendam isso de uma vez!

amigos

amigos

amigos

A faculdade e a solterisse nos “ensinou” a beber. Na verdade não, todo mundo sabia beber melhor que a gente. Perdíamos tempo deslumbrados com arvores e fazendo coisas estranhas que as outras pessoas não faziam mais. Nosso grupo ainda bebe pouco, comparados aos demais.

Casa Rosa, Casa da Matriz, Boate Praia, Pista 3, Matriz, Baroneti, Hideway, Cine Ideal, dentre outras. Leia-se: Balada alternativa, Balada Hetero, Balada de Playboy, Balada Super Gay.

Chegávamos as 23h para não ficar na fila e saiamos as 6:30 para voltar no primeiro ônibus. Porque essa é a sina de quem habita Niterói e quer ir para uma festa descente.

Hoje dá 3 da manhã e está geral cochilando. Deixa o Rio para semana que vem!!

amigos

As reuniões periódicas na casa dos amigos continuaram… Comigo sempre desmaiando de sono em algum determinado momento.

Ainda tem churrasco de dia das crianças, Amigo Oculto de natal. FF, agora permitimos meninos. Final de ano na casa do pai do Bê.

Hoje tem muito agregado no grupo (coisa que era impensável na 5ª série, nossa sala tinha lista de espera de tanta gente).

E o grupo troncal ganhou ramos, outros grupos e os irmãozões e irmãozinhos passaram a frequentar nossas festas. O que ainda é um pouco estranho. Então tentamos não ser tão egoístas com nossos novos amigos.

amigos

amigos

Ah! Eu e clari passamos diversas vibes: rockeira, alternativa, patricinha. O que evidencia são os nossos cabelos.

Hoje nos contentamos com o termo “peculiar”. Somos diferentes e curtimos muito isso.

E Teve show de metal, rock, e coisas que não sei porque fomos parar lá. Com direito ao drama de ex. Obs: Camila, Olha nós duas de cabelão!

amigos

Eu formei e tomei o porre da minha vida.

Clari me levou ao banheiro e tivemos uma das conversas mais loucas em frente ao vaso sanitário, que eu não me lembro, mas ela me contou. E eu sei que era verdade.

Ela se arranjou e eu arranjei uma ambulância!

“NÃO ME FURA, NÃO ME FURA, NÃO ME FURA!” SBB, Maio de 2015

Obs: Glenda Maria, despencou de Dubai para o Brasil e me fez sentir a pessoa mais amada nesse dia! E me viu bêbada que nem um gambá! <3

OBS2: Existem videos que comprovam que vocês estavam completamente loucos também. 

OBS3: A Paula era a unica sóbria, o que não tem nada a ver com normalidade.

amigos

amigos

2017. Seguimos unidos.

Teve Briga. Teve amor. Teve discórdia. Teve fofoca. Teve namoro. Teve pegação.

Teve gente que chegou e sumiu. Gente que ficou sempre (até agora). Gente que do nada retornou.

Teve MUITA DEDICAÇÃO. MUITAS HORAS DE ESTUDO. MUITO TRABALHO. MUITO COMPROMETIMENTO.

E só me resta mais uma vez agradecer a todo mundo que contribuiu para nosso amadurecimento.

Seguimos LEVE, sem mágoas, cheias de amor, de histórias para contar e talvez realmente seja algo maravilhoso não conhecer todos os desdobramentos intrínsecos da arte de viver.

Mas PACIÊNCIA! Afinal, percebemos que ninguém acorda um dia e pensa: ME SINTO ADULTO! SEI TUDO O QUE PRECISO!

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OBS: ta faltando muuuuuito amigo aqui! Graças a Deus! É que tinha que englobar eu e Clari. Não me matem ou deixem de me amar! Eu amo muito todos vocês que me ajudaram a ser quem sou hoje! E a Clari também (apesar de eu não ter confirmado nada disso com ela)!

OBS2: OBRIGADA, CLARI! Seguimos projetando! Volte logo! <3

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Minha colcha de retalhos

Nicole

A memória nunca foi minha grande aliada, porém, recordo sempre do dia em que, aos prantos, fui consolada porque não gostaria de fazer oito anos, não queria crescer

Vinte anos depois, a memória continua não sendo meu forte, enquanto a percepção das coisas e o hábito de fazer (muitas) análises sempre o foram… Torturando, inúmeras vezes, mente e coração, mesmo quando infantis.

O pavor de crescer era muito maior que o simples desejo de ser Peter Pan e brincar para sempre; enraizava-se no medo de não conseguir ser capaz de fazer tudo que meus pais faziam, pagar por todas as despesas que os observava tendo comigo e meu irmão. Em partes, as raízes desse medo permanecem vivas…

Tornar-me adulta e me perceber como tal foi, muito além de um momento, um processo. Longo, por vezes doloroso, mas imensamente gratificante e do qual jamais retocaria uma experiência sequer.

O primeiro passo foi, definitivamente, a entrada na universidade e a consequente mudança para Niterói. A cidade natal de menos de 200 mil habitantes, o familiar colégio onde estudei por treze anos, o quarto repleto de roupinhas lavadas pela mamãe foram substituídos pela Universidade Federal Fluminense – um universo complexo naqueles meses iniciais -, por um beliche no quarto dividido, por semestres sem nenhum amigo na cidade onde eu era forasteira. Mas o caminho não foi de todo amargo comigo; o primeiro semestre foi tranquilo, a cidade era mais caminhável que eu imaginava, o mercado bem próximo…

Depois, mudei-me cinco vezes. Em cada república, uma história… De chegar de férias e ver todas as minhas coisas embaladas no meio da sala, com todo o apartamento em obras, até realizar mudança com amigos carregando meu colchão nas costas, de ter um rato gigante na república mais imunda já vista (e única com vagas), a morar com oito mulheres em uma casa de apenas um banheiro e normas – muito – rígidas. Até, enfim, descobrir a delícia de compartilhar um quarto, um chá, de acordar de madrugada para fazer festa surpresa para a amiga de república, de aprender a partilhar – bolo, conflitos, viradas de noite -, tolerar, respeitar o espaço do outro… E viver verdadeiros encontros de almas; construir amizades profundas e maduras durante cafés na mesa da cozinha comum.

Após tantas mudanças, dos estágios, e de todas as experiências que expandem nosso horizonte e evidenciam que, bem, nem o mundo é tão grande assim, consegui uma bolsa de intercâmbio e fui, com mala, medos e um francês mequetrefe, viver um divisor de águas na minha vida, não sem antes uma pequena saga… A novela mexicana começou quando meu visto levou seis meses a mais que o esperado para ser aprovado, sendo necessária consulta médica para mostrar que, sim, eu viveria bem os 14 meses no Canadá… Cancelei e adiei três vezes a passagem de avião, paguei dois meses de aluguel, tranquei a faculdade – pois não tinha mais matérias a cursar – e voltei para minha cidade natal, sem nenhuma perspectiva. O visto chegou vinte dias antes do outro semestre começar… Ainda assim, cheguei a ir ao aeroporto, não embarcar e adiar a passagem mais dez dias… Este tempo, onde tudo parecia dar errado, foi a maior lição que quase nada depende exclusivamente de nós. O estômago gritou, a ansiedade me fez refém, e os quase dez meses de espera deixaram a certeza que devo fazer o que está ao meu alcance, mudar o que pode ser modificado, mas aceitar aquilo em que não posso interferir.
Nicole
Ultrapassada a fase de incertezas e esperas, vivi alguns dos melhores meses da minha vida. Montreal me proporcionou o mais profundo mergulho em mim mesma – a distância de tudo que me era conhecido facilitou o processo de compreensão de quem sou; o que estimo, o que não tem valor e não merece minha energia. A experiência de viver em um lugar onde o que julgava ser impossível existe, onde a gentileza é constante, onde as ruas têm balanços musicais e pianos públicos acendeu esperanças de dias melhores. Além disso, não havia por perto mãe que pudesse ajudar pregando, sequer, um botão… Se nas repúblicas aprendi a lavar copos, o banheiro, e cozinhar macarrão, no inverno rigoroso aprendi a cuidar de todas as tarefas que meu viver abarca, das menores às mais chatas, como andar pela neve com (muita) roupa suja para a lavanderia. Há, porém, um pequeno prazer escondido nestas coisas triviais… Só quem deitou cansado depois de uma faxina sabe o prazer que o cheiro do desinfetante no piso proporciona!
Nicole
Na cidade tão distante das praias de minha cidade natal, percebi-me responsável por mim mesma, em cada minúcia, descobri um momento de aquietar minha mente na execução das tarefas domésticas, dividi trabalhos e almoços com amigos e tive ainda mais certeza que partilhar é mágicotorna leve o que faz sofrer, multiplica as alegrias… Voltei com o coração cheio de saudades, a cabecinha cheia de referências arquitetônicas, o caderninho repleto de receitas, e os dias, sempre, preenchidos com a companhia dos amigos-irmãos que lá encontrei.
Nicole
Hoje, aos quase vinte oito anos, compreendo o amadurecer como esta fase única e decisiva onde ressignificamos nosso mundo… Alocando cada coisa (e pessoa) em seu devido lugar, estabelecendo nosso horizonte de sentidos, reescrevendo os sonhos infantis e readequando as metas, nos lapidando, a cada instante, como o ser único que somos: compreendendo o que faz parte de nós e o que nos impuseram, aprendendo a nos escutar e nos acolher, aceitando que há coisas que precisamos, enfim, fazer e outras tantas que não somos obrigados a tolerar.
O início da vida adulta é a lindíssima trajetória onde cada dia é uma busca pela independência e liberdade, onde nos deparamos com todas os retalhos de nossa vida até então e, pela primeira vez, sem tutores ou quem decida por nós, tramamos nossa colcha de sentidos, eliminando o que não deve permanecer, priorizando o que nos faz bem e nos constrói, adicionando o que encontramos de novo pelo mundo e toca nossos corações.

Ainda que seja confuso e doloroso romper alguns padrões, com os quais vivemos desde que nos recordamos, perceber-se autor de sua própria história é, não somente maravilhoso, como a melhor forma de se alegrar ao enxergar no espelho, vinte anos depois, a mulher que celebra seus vinte e oito anos. E não chora mais por isso… E se ama por ser quem lutou para ser; onde cada retalho de sua colcha está exatamente no local que decidiu costurar.

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Olhar para dentro: por que não?

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A minha geração, fim dos anos 80/início dos anos 90, é a geração das promessas. Fomos nos desenvolvendo como profissionais em um mundo de franco crescimento – plenitude de empregos, oportunidades, o Brasil despontando como o país do futuro. O tempo passou, fomos para faculdade , nos formamos e a conjuntura mudou. Da euforia ao estado de crise. Da abundância à austeridade. Sempre fui uma pessoa de planos, virginiana de sol, lua, mercúrio e virgem.
Quando me formei oficialmente, em abril de 2014, percebi, entretanto, que meus planos não se encaixavam mais no mundo real. Não só isso: percebi que enfrentava tantos conflitos internos que tudo que eu havia traçado para o meu futuro não teria como se concretizar.
Enfrentei um período de depressão e bulimia muito difícil. Confusões familiares constantes. Por algum tempo me vi perdida, sem vontade de recolocar a minha vida nos eixos. Não via saída para os problemas mais simples e reclamava de tudo. Até esse estado emocional me levou a ficar realmente doente – graças à bulimia, tive um problema renal gravíssimo, que me levou à internação por dez dias e me impossibilitou de fazer uma prova para qual eu havia estudado por quase oito meses.
Esse foi o turnpoint para uma mudança que não foi planejada e que eu não tinha concretude da sua dimensão. Decidi que queria mudar tudo de vez e de uma só vez. Comecei a reestruturar meu currículo, procurar oportunidades de emprego. Aceitei a terapia como uma oportunidade de melhorar. Aprendi a deixar ir e me desapegar do que me fizesse mal, ainda que isso representasse afastar amigos. E também aprendi a valorizar quem realmente se importava. As coisas fluíram de modo que consegui um novo emprego e, graças a isso, acabei de tendo que me mudar.
No início não foi fácil. Do conforto da minha casa, fui para uma República, morando com diversas pessoas, aprendendo a dividir desde o banheiro à rotina. Afinal, o salário de um recém-formado não permitia luxos. Troquei o chopp de sexta pela marmita da semana. Troquei a blusa nova por produto de limpeza. Vivi um bom tempo na base de trocas, na base do frio na barriga, na base do lápis, papel e calculadora. Aprendi a importância de valorizar a comida, valorizar o custo das coisas, valorizar o tempo. E mais ainda: aprendi a me ouvir primeiro antes de ouvir os outros. Isso acabou me fazendo aprender a aceitar também estar sozinha (logo eu, que sempre fui tão rodeada de gente).
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Hoje eu já mudei de emprego de novo, já estou em outra casa e a vida financeira está mais calma. Graças às economias e aos extras, consigo juntar dinheiro para poder viajar nas férias e pude realizar o sonho de adotar um cachorro, que hoje alegra a volta do trabalho de segunda a sexta e me ensina a compartilhar amor.

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Faço minhas concessões todos os dias, toda semana, o que é difícil, mas sei reconhecer que vale a pena (faz mais de sete meses que não vou para uma festa, por exemplo; quase não peço comida e sempre estou vendendo e comprando roupas usadas). As mudanças sempre nos provocam sentimentos variados, não necessariamente prazerosos, eu confesso.

A exaustão de todo esse processo me fez ficar afastada de diversos amigos – alguns por opção, outros por conta do corre-corre mesmo. Aliás, esse talvez tenha sido o maior aprendizado dentre tantos: deixar ir. Não precisamos ouvir críticas a todo tempo nem que as pessoas interfiram na nossa vida de um modo que nos machuque. Aprender a dizer não é um dos primeiros passos para aprender a dizer sim para si mesmo, priorizar as suas vontades em detrimento dos outros. Não dói e eu recomendo.

“Mas Ana Luíza, o que mais você quer?”. Não é fácil não estar no lugar que planejamos no passado. Não é fácil ver que nem tudo funciona exatamente como queremos. Não é fácil trabalhar tanto todo dia, fim de semana e ver que você já (realmente) não é tão jovem assim. E ao mesmo tempo se sentir jovem o suficiente, com vontade de largar tudo para ir viver de qualquer loucura pelo mundo. Não é fácil entender que o seu ritmo de vida e as suas escolhas não necessariamente serão as mesmas de outras pessoas da sua idade – ou ainda que sejam, o resultado nem sempre é o mesmo. Cada pessoa é diferente, cada pessoa tem a sua própria trajetória. O nosso termômetro não deve ser a vida do outro, mas deve ser a nossa vontade (e por que não a nossa sorte?). Aprendi a parar de me comparar aos outros, na medida do possível. O autoconhecimento dos últimos três anos foi e tem sido essencial para tentar compreender o momento que estou e para onde pretendo ir.
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Se sou feliz, acho que só a Ana de alguns anos vai poder dizer. Sei que continuo caminhando, aprendendo sempre a olhar para dentro antes de olhar para os lados. E, especialmente, descobrindo várias Anas que eu nem sabia que existiam aqui dentro.
Apresentação1

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Diário de Bordo

luiz veiga arquiteto

Como vamos viver a nossa vida está diretamente ligada a maneira que você enfrenta um rio. Você pode se esforçar em tentar ter controle se equipando e preparando, ou você pode se deixar levar. Passamos pelo 1/3 da nossa vida sendo guiados, fluxo leve, familiares nos mostrando o caminho e apenas seguimos sem questionar. Nunca vi nada de errado. Por que veria? Esse tal ‘futuro’ estava logo ali na frente, virando a curva. Preciso estar preparado.
Mesmo correndo atrás de equipamentos nunca planejei meu trajeto, sempre aproveitei o máximo do que me aparecia. Aproveitei a viajem, apreciei a vista e levei o que pude comigo. Passei por quedas e águas tranquilas. Errei a bifurcação? Várias vezes. Nessas horas peguei minhas coisas e pensei em voltar atrás, mas sempre desisti e me deixei guiar pelo fluxo. Por que mudaria? Eu que decidi seguir esse caminho, vai que ali na frente melhora? E melhorava. É fácil seguir um caminho com pedras? Não. Mas esse tal futuro está ali na frente, não posso perder tempo. Vai que aprendo alguma coisa?

Meus equipamentos me ajudaram a ir a lugares incríveis, e como um rio sem correnteza me peguei entrando em novas águas sem sentir, me especializando na minha área de trabalho, vendo amigos virem e irem e descobrir o que não quero para minha vida.
A pressão é visível, você sente principalmente quando parece que tudo não está dando certo. Contas a pagar, vida social, horário de trabalho, graduação… você vai passando por trechos do rio sem saber que elas estão apenas te preparando para uma grande queda.

Back to the grey city

Uma foto publicada por Luiz Veiga (@luiz_veiga) em


Sempre tive uma rede de suporte, talvez por isso que sempre me deixei levar com tanta facilidade, mas nem essa rede de suporte me preparou para 2016. Recém-formado, não efetivado e dinheiro limitado. Se passam meses e nada. Dinheiro acabando e sensação de derrota. Me chamam para trabalhar em São Paulo. São Paulo. Eu, um cara de Niterói, recém-formado, com meses desempregado e agora com oportunidade de trabalho (pasmem) na minha área de especialização na maior cidade do país. Frustrando todo o imaginário holístico, o libriano estava mudando para a maior cidade do País em um piscar de olhos.

Me pego sentado experimentando um sofá em uma loja de móveis, fazendo contas imaginárias e perguntando ao vendedor os métodos de pagamento. Mas como farei isso? Junto? Parcelo? Será que conseguirei pagar a parcela daqui a dois meses? Posso me dar ao luxo de não ter esse valor mensalmente? E a conta de luz, condomínio, aluguel, internet, TV a cabo, celular etc?

A ficha cai.

Independência, essa é a palavra.

Essa é a cara da independência, você estar por si só. É a sua casa, sua vida… de ninguém mais. Pisco e me percebo a milímetros da grande queda d’água que tanto me planejei enfrentar a vida toda.
Sabe aquele tal ‘futuro’? Ele é o hoje e se chama vida adulta, a minha independência forçada. A rede de segurança funciona a distância e meus equipamentos que tanto batalhei para ter parecem palitos Gina em minhas mãos. O ‘ser adulto’ chega de mansinho como um crocodilo. Você se sente preparado, mas realmente nunca vai estar. O sofá é meu, eu que pagarei. A dívida é minha. Contas a pagar aprendemos desde cedo que elas chegam. Mas ter um aluguel em seu nome dá um novo significado ao medo. Mas assim como o rio, a vida não para aí e a viajem não deixa de ser estimulante. A final, é meu sofá, e minha conquista! O primeiro susto é grande, não vou negar. Te marca como muitos outros ‘primeiros’ que existiram e que existirão, e mesmo com medo você segue tendo novas experiências, conhecendo novas pessoas, observando a vista e aproveitando a viajem.
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Zumbi Pendular: Adulta ou Jovem?!

Amanda Adulta eu convidado relato pessoal zumbi
No momento acho que me encontro no limbo da existência humana: não me sinto nem adulta nem jovem/ adolescente. Vivo no pendular zumbi entre a vida adulta e a de jovem. Talvez não me sinta tão adulta porque aos 26 anos, ganho um salário que não dá nem pra estocar miojo na dispensa, estou longe de ter um relacionamento amoroso estável, e ainda moro com meus pais. Em suma: o projeto de ser bem sucedida antes dos 30 flopou.
Não me sinto adulta porque 98% do tempo não me considero condutora da minha vida. Parece que meu poder de decisão é nulo em tudo no dia a dia: Não escolhi meu trabalho, ele apareceu. E afinal de contas quem é doido não aceitar emprego na atual conjuntura do país? Paga as contas. Fique feliz. Seja grato. Poderia ser pior. Aliás, só me sinto adulta quando chegam os boletos com as três palavras que mortificam a alma: “data de vencimento”.

Não me sinto mais tão jovem porque não tenho aqueela mesma energia para “coisas jovens”. Você sente que a chave virou quando as preferências mudam. Noitada? Pra que? Vamos reunir a galera e tomar um vinho lá casa. Ou sentar num barzinho e conversar. Noitada tem muito barulho, não dá pra interagir. Gente relando em mim, perguntando se posso conversar 1 minutinho. Filas enormes no banheiro. Preços absurdos pelo álcool. Muito esforço pra pouco resultado. No fim de semana acaba sendo regido pelo salmo 23 da bíblia do adulto “Netflix é meu pastor e nada me faltará”.

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Porque quando você se vê submerso numa rotina de 8 horas ou mais de trabalho, estudo, trânsito, academia, sono, e problemas, percebe que o tempo é algo valioso demais pra se gastar com coisas e pessoas levianas. Você passa a selecionar os amigos. Os amores. Os passeios. As conexões verdadeiras passam a ser cada vez mais raras, e por isso, essenciais.
E aí chegam os convites de casamento, os chás de bebê, open house de amigos, e a sensação de estar estagnado numa vida que não te pertence de fato começa a assustar. Parece que todo mundo evoluiu de alguma forma e você continua engessado. Nesse quesito, Facebook e instagram deviam vir com uma advertência: em caso de insatisfação extrema com a própria vida, não logar. Todos são bonitos, felizes, ricos, viajantes, em relacionamentos e perfeitos.

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Mas nem em meio a todo esse panorama de caos, incerteza e frustração coleciono pequenas vitórias: Durmo bem, não preciso de ansiolíticos ou anti depressivos, sou um ser humano bem humorado, otimista (pasmem!), me dou bem com 99% das pessoas com as quais convivo, e não tenho pressa alguma em achar o tal amor da vida. Porque aprendi a não sofrer pelas coisas que estão fora do meu controle, e que a vida não funciona no meu timing. Não é o fim do mundo. Tenho certeza que dou o meu melhor em todas as esferas da minha vida e faço das insatisfações a força motriz para tentar evoluir cada vez mais. Isso me dá uma certa paz de espírito e autoconfiança.

O que quero dizer é que não importa se você é adulto, jovem ou zumbi errante num limbo sem adjetivo definido: seja gentil consigo mesmo. Faça seu melhor. No fim somos todos perdedores. No cenário mais otimista, vamos perder algo. Aquele emprego dos sonhos, um amor, um ente querido…então tenha leveza. Se ame. A vida não é só boleto.

amanda farias

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Plano de vida

plano de vida

Hoje vou contar o meu plano ideal de vida:

1º  Ser feliz

2º  Erradicar a tristeza da minha vida

3º  Evitar ter problemas desnecessários

Esses objetivos deveriam ser fáceis. Porque não são?

A cabeça pula de problema em problema. Insegurança e insegurança. E parece impossível controlar a ruminação. Então, em combate a esse hábito terrível, venho me propondo essas 4 coisinhas:

1) Fazer exercícios físicos todos os dias.:

Não estou falando em malhar para ser a pessoa mais gostosa desse mundo. Estou falando em fazer uma caminhada saudável.

Ano passado comecei com a academia, aulas de dança e terminou com um curso da arte de viver. Esse ano vou apostar no yoga + aula de dança.

Exercício ajuda você a conhecer gente, libera endorfina, deixa seu corpo mais bonito (uma pessoa mais feliz é uma pessoa mais bonita).

2) Cuidar do emocional:

Esse é difícil. Quem me conhece sabe que eu faço terapia a algum tempo. E eu amo psicologia. Não entendo porque as pessoas são tão resistentes a procurar um psicólogo.

Uma das coisas que realmente aprendi na terapia foi a manter por perto quem faz bem, quem me quer bem.

Quanto vampiro tem por aí? Quanto tempo é vale perder ao lado de quem não se importa com você? E ninguém é sagrado aqui.

Comecei a faxina pela família. Eu não sei quem foi a pessoa que inventou que família é o lugar sagrado, as pessoas que mais vão te amar e te proteger. Isso não é necessariamente verdade.

Com relação aos amigos e amores, antes eu sentia uma culpa enorme ao dizer não. Hoje eu ainda sinto culpa. E eu nem sempre acerto o tom da recusa. Mas sou 100% honesta comigo mesma. Se eu não posso ou não quero, eu não vou.

Obs: Sim, isso dá merda. As pessoas nem sempre te entendem. Sim, você as vezes é grosso. Com o tempo você melhora essa prática e as pessoas passam a te respeitar, ou pelo menos assumem que você é aquilo ali mesmo.

3) Exercitar a mente:

Como os músculos, o cérebro precisa se exercitar.

Tenha ideias. Crie. Tente se lembrar do que fez ontem. Escreva uma resenha de um livro que você acabou de ler. Se possível. Faça algumas dessas coisas todos os dias.

O blog me ajudou muito nisso. Criar faz bem.

4) Práticas Espirituais:

Eu não estou falando para você seguir uma instituição religiosa. Estou falando de práticas que efetivamente podem melhorar seu dia:

    • Reze, ou melhor, seja grato. Aprenda a ser grato.
    • Medite, ou melhor, respire – clique no link para conhecer dicas de respiração guiada.
    • Perdoe e Se perdoe.

Hoje eu já percebo diferença dessas atitudes na minha vida pessoal. Me sinto mais forte. Me conheço mais, isso inclui conhecer meus pontos fracos. Acho que cuidar da cabeça é que nem cuidar do peso. É mais fácil não cuidar, mas sua saúde é que vai pagar o preço.

Então, que tal aproveitar janeiro para começar?

BOA SORTE!

sarah adulta eu

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Trabalho, emprego, carreira e vida

vocação, trabalho, emprego e de carreira

2016 foi um ano difícil. CRISE o resume bem. Hoje eu decidi partilhar com vocês o que eu aprendi com as minhas supostas derrotas. Não espere um texto melodramático, isso não me pertenece. Espere um texto prático e racional e que talvez possa ajudar outras pessoas.

Me tornei arquiteta antes de me formar, 6 meses antes da formatura já tinha carteira assinada. Além disso, cumpri todas as metas que me propus quando entrei na UFF com 18 anos: estagiar, ser bolsista CNPQ, fazer intercambio universitário e me formar empregada.

Eu sempre fui boa aluna, esforçada, leitora, nerd. E me orgulhava disso. Eu também estava completamente apaixonada pelo papel que eu exercia na empresa, amo meus colegas de trabalho, especialmente minha chefinha de coração.

Lá estava eu: carteira assinada, namorando, me estabilizando financeiramente e exercendo um papel bastante importante para uma recém formada. Mas a vida disse NÃO. E a roda da fortuna girou e me virou de ponta cabeça.
Quando a crise começou a pegar em meados de 2015, ela não veio apenas abalar meu mundo financeiro, como toda boa crise, ela destroçou várias áreas da sua vida, aos poucos eu me vi sem chão. Triste, desestimulada e encurralada, mas resiliente. Passei o ano de 2016 replanejando. Planos A, B, C, D, E … incrível, ainda não colhi os frutos.

E quando eu imaginava que não ia acontecer nada, acontecia, paulada atrás de paulada, de onde eu imaginava e de onde eu não imaginava. E pela primeira vez na vida, encontrei um tipo de pessoa que só tinha intenção de me machucar, o pior é que ela nem me conhecia.

vocação, trabalho, emprego e de carreira

Mesmo agora ao escrever essas tristes linhas, sei que a luta está apenas começando. E comecei a trabalhar uma nova estratégia: “a melhor ação pode ser uma não ação”.

Mais um vez, esse não é um post triste. Afinal, sofrimento traz aprendizado. E mais uma vez, eu sou uma pessoa altamente resiliente e infinitamente positiva com relação a vida. Eu luto e aprendo em cada novo passo. E o que acabou me valendo esse ano foi a leitura. Devo ter lido uma média de 40 livros, também aprendi a meditar e me fortaleci através da religião.

E nesse exato momento em que escrevo encontro a paz e alegria interior, dependentes apenas de mim. E é isso que me motiva a escrever.

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Percebi que eu associava o excesso de ocupação do trabalho/ faculdade/ cursos com um tipo de sensação de poder. Poder que nunca me pertenceu, como todas as efemeridades da vida. Eu saltava de atividade em atividade sem refletir. Desaprendi a não ficar ocupada.

Vocação, Trabalho, Emprego e Carreira:

  • Trabalho é o esforço requerido para se cumprir uma tarefa.
  • Emprego é a situação na qual se trabalha.
  • Carreira é a trajetória de longo prazo de muitos empregos.
  • Vocação, porém, é algo mais profundo do que cada um desses conceitos. Ela abrange nosso trabalho, emprego e carreira e se estende ao tipo de pessoa que desejamos ser.

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O desejo é a via principal para descobrirmos o que fomos designados a fazer e também para descobrir quem somos. Porém, “Há desejos profundos e vontades superficiais”.

Você é capaz de sentar e deixar a sujeira, as folhas e os gravetos da sua vida – suas vontades egoístas – se aquietarem para que as coisas fiquem claras? Você é capaz de observar o que está nas profundezas?
Se você pudesse fazer qualquer coisa que quisesse, o que seria?
Reserve um tempo para refletir. Pode haver padrões nos seus desejos que o ajudem a entender melhor quem você é. Logicamente, você não pode ser cantor se não souber cantar. Você precisa levar em conta a realidade da situação. Ou seja, refletir sobre os desejos a luz da vida cotidiana. Lembre-se: Toda decisão tem a ver com interesses e necessidades, mas também com circunstâncias e talentos.

“Confie em seu coração, mas use a cabeça”

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Isso pode ser muito difícil. Ainda mais para aqueles que lutam para pagar as contas no final do mês: a mãe solteira e o cidadão subempregado que chega ao limite das próprias forças apara garantir o sustento e o bem-estar de sua família. O tempo é sempre um problema para qualquer pessoa muito ocupada.
Gostaria de propor um exame de consciência que pode ser extremamente útil:

Um dos grandes problemas que os workaholics enfrentam é passar a acreditar que são o que fazem, e sendo assim, quando tem pouca coisa a fazer se sentem inúteis e sem valor.
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O trabalho pode ser prazeroso. Porém, não podemos ignorar que grande maioria não consegue seguir o que acredita ser sua vocação profissional por vários motivos – condições financeiras, exigências familiares, restrições educacionais, limitações físicas ou um mercado de trabalho reduzido. Alguns empregos realmente são horríveis. E, as vezes, é necessário deixá-los. Mas nem sempre é possível.
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O pior é que cada vez mais estamos conectados. As novas tecnologias nos fazem desperdiçar os poucos momentos que nos restam para vivenciar a nossa solidão – momentos preciosos para a meditação, a reflexão e o silêncio interior.

Onde está o tempo para o recolhimento?

Algumas vezes parece que não podemos mais suportar ficar sozinhos ou fora de área, nossos amores, amigos e familiares nos exigem presença constante. Mas sem algum silêncio interior fica difícil escutar o que está passando dentro de você. Reduzir o uso dessas parafernálias tecnológicas e não responder imediatamente a cada mensagem eletrônica ou chamada de celular pode levar a um estado de calma edificante. Logo, é preciso desconectar para conectar.

ESTABELECENDO PILARES PARA UMA VIDA SAÚDAVEL:

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Autoaceitação é palavra chave da felicidade. Isso significa aceitar a própria personalidade e os próprios sonhos. Com frequência sentimos que há pessoas, grupos ou circunstancias tentando nos moldar em alguma coisa que não escolhemos ser.

É sempre difícil evitar comparações com outras pessoas – principalmente na era facebook – e não achar que elas conseguem as coisas com mais facilidade. Muito comum é subestimar os próprios dons e supervalorizar os dons de outra pessoa. Mas ninguém tem uma vida perfeita.

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Comece aceitando que o processo de se tornar você é longo, exige paciência e principalmente confiança.

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Tatuagens e o esforço em parecer mais comigo mesma

Adulta eu tatuagem

Esse post já tinha sido escrito há um tempo, mas achei que ia se encaixar bem nessa temática de tomada de decisões que a Sarah falou aqui. Além disso, vale reforçar o que eu penso sobre escolhas certas e erradas.

Desde sempre fui adepta a modificações corporais, começando devagar pelas mudanças capilares e pequenos piercings. Não acho as minhas escolhas muito diferentes de quem escolhe fazer luzes e usar brincos (que aliás, eu raramente uso) – mas, por algum motivo, as pessoas estranham quando eu falo que escolhi fazer um piercing microdermal porque acho bonito.

Não acredito que hajam muitos limites no quesito se sentir bem com você mesmo, e nunca me identifiquei tanto com a Clarissa do espelho como quando tenho o cabelo colorido. Ainda assim, essas mudanças temporárias são mais fáceis de serem aceitas – afinal “quando você cansar você tira, né?” (#ironia).

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Aí vem a questão das tatuagens, que estarão no meu corpo para sempre. É claro que desde a adolescência eu queria fazer várias, e tive várias ideias – algumas persistiram e outras não. Por isso sempre adiei, com medo de que um dia desistisse e me arrependesse. Só fiz a primeira ano passado, aos 25 anos, quando algumas coisas ficaram mais claras para mim. Foi quando tive a certeza de que eu não teria me arrependido de nenhuma das tatuagens não feitas até então, até aquelas que eu não faria agora. Percebi que elas seriam uma marca de quem eu era naquele momento, um registro das minhas escolhas até então. E como eu já disse, não acho que existam escolhas erradas.

Assim, escolhi fazer na primeira uma frase de muito significado para mim. Um verso de um poema contido no livro A Sociedade do Anel, quando se descreve Passolargo (que depois vem a se revelar o grande Aragorn). “Nem tudo que é ouro reluz”, uma reversão da famosa frase de Shakespeare (em O Mercador de Veneza), ressaltando como coisas (ou, no caso, pessoas) incríveis podem passar desapercebidas sob aparências ordinárias. E depois de decidida, comecei a estranhar me olhar no espelho e não ter aquilo lá.

"tatuagem

Pronto, dizem que basta a primeira para se viciar. Não sei se chego a tanto, e 1 ano e meio depois só foram mais 3. E tenho a mais absoluta certeza de que não me arrependerei delas, mesmo que um dia já não as ache bonitas, convenientes ou adequadas. Ainda serão uma marca de quem eu sou hoje. Uma marca das escolhas que eu faço hoje, e da liberdade que tenho em fazê-las. Uma marca da esperança que eu tenho em quem eu serei um dia e da certeza que eu tenho hoje sobre quem eu sou, mesmo que depois eu mude de ideia.

Eu acredito que me fez falta na vida até agora conseguir encarar e vestir as minhas escolhas. Olhar pra quem eu já fui e poder dizer que aquilo ali é um produto só de escolhas minhas e de mais ninguém. Conseguir levantar a cabeça para admitir onde errei com orgulho por isso também, tanto quanto pelos acertos. Não respondam rápido, vocês conseguem? Acredito que isto está em processo de mudança, e espero ainda que as minhas mudanças não acabem nunca.

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Agora quanto às perguntas mais tradicionais:
– E quando você ficar velha? Serei uma velha tatuada.
– E quanto ao ambiente de trabalho? Já escolhi minha carreira, e mesmo que um dia mude de ideia hoje eu já me conheço o suficiente para saber que não seria feliz em nenhum emprego que impusesse esse tipo de limite. Mesmo que eu não quisesse passar desses limites, não é – no geral – o perfil de carreira para mim. Como a Sarah já falou aqui, algo a se evitar na vida é tentar se ajustar artificialmente em um emprego.
– Dói? Tanto quanto um arranhão de gato, e quando vai colorir é como se ficasse arranhando várias vezes no mesmo lugar. Interprete a seu gosto.
– Eu quero fazer, o que você acha? Se você quer mesmo, vai fundo. Se está na dúvida, não custa esperar e refletir mais um pouco. Pro sim ou pro não, tenha confiança nas suas escolhas.

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Resenha: Paddy Clarke Ha Ha Ha

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Há 3 meses estou participando de um clube do livro que se chama TAG experiências literárias. Todo mês um curador indica um livro e esse livro é encaminhado para os associados com um encarte que conta curiosidades do autor e da história. Descobri o clube através do Skoob (que é uma rede social para leitores). E tenho me surpreendido de maravilhosamente todos os meses.
Especialmente, o livro do mês de setembro indicado pela Maria Rita Kehl me marcou bastante. A começar pelo encarte:
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A um só tempo para ser amoroso e responsável” Essa frase é muito real para mim. Cresci em uma família desestruturada, um pai alcoólatra ausente e uma mãe bipolar completamente instável. Hoje, percebo que a família é um termo relativo, não se refere necessariamente ao sangue, é bastante importânte na infância e a importância se torna relativa na vida adulta.
Roddy Doyle escreveu o “Paddy Clarke Há Há Há” logo após o nascimento do seu filho. E quando eu acabei de ler eu só conseguia pensar “como ele teve coragem de ser pai tendo essa super consciência de todo aquele universo fantástico, confuso, e muitas vezes, mau em que as crianças vivem”. Como será que Paddy influenciou na paternidade do autor?
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Foto do encarte que veio com o livro – trechos retirados do livro “a casa das estrelas”

Nesse post não tem “spoiler” do livro. Acho que essa é a minha postagem mais pessoal. Eu aproveitei uma tarde mineira chuvosa e um momento de vida melancólico-criativo para dar voz aos sentimentos que permaneceram em mim após a leitura.

Transcrevi alguns trechos do livro que grifei. Gostaria de ressaltar apenas, que eles não refletem em sua totalidade a minha experiência quando infantil. talvez, o livro tenha me levado a focar muito na separação dos meus pais, e por isso não escrevi tanto a respeito das minhas traquinagens. Ou então, eu não tenha querido me prolongar tanto assim no post.

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Foto da capa do livro

  • “Sempre me perguntava se era pecado fazer hóstias. Achava que não. Uma das hóstias que deixei na janela ficou embolorada. Agora isso era pecado: Deixar as hóstias embolorarem.”: Religião sempre foi um problema para mim. Minha avó materna era católica, meu pai era espirita, minha mãe era tudo e mais um pouco – dependia de que meio “Deus” ia responder mais rápido. Eu estudei em colégio católico e fiz 4 anos de catequese no interior de Minas. Eu não sabia muito bem o que era pecado. Morria de medo do demônio. Não assisto filmes de terror.

 

  • “Papai cantava a musica do Batman; ele era assim, maluco as vezes, mas muito engraçado.”: Eu amava meu pai, completamente louca por ele. Lembro que ele me chamava de “zoca” que era o complementar ao nome dos meus gatos: zaca, zeca, zica (mamãe gata) e zuca. Essa é a melhor lembrança que tenho dele. O meu pai era meio doidão, era pouco presente e foi ficando cada vez menos presente. Hoje eu não participo mais da vida do meu pai.

 

  • “A primeira briga tinha terminado. Papai ganhou porque fez mamãe chorar. Acabou e pronto; tudo voltou ao normal, mas melhor que antes.”: Os meus pais brigavam muito. Mas não como os pais de Paddy. Era pior. Me lembro do meu pai trazendo facas pro quarto. Quem tirou as facas da mão dele foi o meu irmão, acho que ele tinha uns 5 ou 6 anos. Lembro de pegar a mãozinha dele no dia seguinte e pensar naquela mão bem pequenininha. Eu amo a existência do meu irmão.

 

  • Havia um cheiro bom da mamãe, da comida e de sabão”: Eu me lembro do cheiro da minha mãe quando ela chegava da faculdade de noite. Eu gostava daquele cheiro.

 

  • “Ele não podia simplesmente me dar a medalha. Tinha que fazer um comentário maldoso.”: A família do meu pai estimulava a competição entre os primos. Mas nós sempre soubemos quem eram os favoritos. Eu era aluna exemplar, mesmo assim não escapava dos comentários maldosos na mesa de domingo. A minha mãe ficava muito brava com eles. Hoje eu não tenho vontade de conviver com esses tios e com minha avó.

 

  • Não era justo o jeito que fazia a gente chorar antes de mudar de ideia e fazer o que a gente queria que fizesse.”: Chantagem emocional. Eu me lembro que depois que meus pais se separaram, eu mudei para o Rio de Janeiro. Meu pai não visitava. A família dele também não. Mas eu chorava implorando minha mãe deixar eu vir para Minas. Era um tormento. Era um cabo de guerra.

 

  • Estavam todos lá e eu não gostava deles. Me sentia completamente só.”: Resume bem a sensação que eu tinha nos almoços de domingo na casa da minha avó paterna.

 

  • “As vezes, quando a gente pensa em alguma coisa tentando entende-la, a resposta se abre sem a gente esperar, como uma luz esponjosa e suave, e aí a gente entende, faz sentido para sempre. (…) Não acontecia agora, porém. Podia pensar e pensar e penar e me concentrar e nada vinha.”: Mais tarde a situação de casa piorou. Minha mãe foi se tornando cada vez mais agressiva. Meu pai foi se tornando cada vez mais ausente. Após o pior natal da minha vida, denunciei os dois no conselho tutelar. Levei meu irmão para fazer exame de corpo delito. E todos tiveram que responder na justiça. Minha mãe foi obrigada a se tratar e meu pai a pagar a pensão atrasada e a justificar a falta das visitas e a negligencia.

 

  • “Queria fugir para meter medo neles, fazê-los se sentirem culpados, faze-los se reaproximarem. Ela iria chorar e ele a consolaria com abraços.”: Nada do que fiz pode transformar meus pais em pessoas amorosas. Porém me ajudou a ser alguém. Hoje com 27 anos, aceito que as pessoas são como são. E determinei que minhas as carências infantis precisam ficar na infância.

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Foto da caixinha da TAG (sempre um mimo)

Agradeço ao Patrick por me lembrar como funciona a mente infantil. Não existe, probleminha e problemão, existem problemas. Agradeço por me lembrar que irmãos absorvem e amadurecem de formas diferentes mesmo recebendo os mesmo insumos. Agradeço por me sensibilizar e fortalecer.

Eu não chorei no final do livro. Acho que já chorei o que poderia pela Sarinha. Apenas me preocupei com Patrick e Francis (seu irmãozinho) como fossem meus irmãos, eu quis salva-los, como eu gostaria de ter sido salva. Gosto de imaginar que eles se tornaram grandes adultos e que construíram famílias felizes.
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Trecho retirado do livro “vermelho e o negro” de Stendhal indicação do luiz ruffato de Junho

Obs.1: Ao amigo que teve paciência de ler até aqui.
Obs.2: Obrigada TAG pelo maravilhoso livro!
Obs.3: Se algum amigo quiser me dar de aniversário “a casa das estrelas”, eu vou amar!Image and video hosting by TinyPic

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