Diário de Bordo

luiz veiga arquiteto

Como vamos viver a nossa vida está diretamente ligada a maneira que você enfrenta um rio. Você pode se esforçar em tentar ter controle se equipando e preparando, ou você pode se deixar levar. Passamos pelo 1/3 da nossa vida sendo guiados, fluxo leve, familiares nos mostrando o caminho e apenas seguimos sem questionar. Nunca vi nada de errado. Por que veria? Esse tal ‘futuro’ estava logo ali na frente, virando a curva. Preciso estar preparado.
Mesmo correndo atrás de equipamentos nunca planejei meu trajeto, sempre aproveitei o máximo do que me aparecia. Aproveitei a viajem, apreciei a vista e levei o que pude comigo. Passei por quedas e águas tranquilas. Errei a bifurcação? Várias vezes. Nessas horas peguei minhas coisas e pensei em voltar atrás, mas sempre desisti e me deixei guiar pelo fluxo. Por que mudaria? Eu que decidi seguir esse caminho, vai que ali na frente melhora? E melhorava. É fácil seguir um caminho com pedras? Não. Mas esse tal futuro está ali na frente, não posso perder tempo. Vai que aprendo alguma coisa?

Meus equipamentos me ajudaram a ir a lugares incríveis, e como um rio sem correnteza me peguei entrando em novas águas sem sentir, me especializando na minha área de trabalho, vendo amigos virem e irem e descobrir o que não quero para minha vida.
A pressão é visível, você sente principalmente quando parece que tudo não está dando certo. Contas a pagar, vida social, horário de trabalho, graduação… você vai passando por trechos do rio sem saber que elas estão apenas te preparando para uma grande queda.

Back to the grey city

Uma foto publicada por Luiz Veiga (@luiz_veiga) em


Sempre tive uma rede de suporte, talvez por isso que sempre me deixei levar com tanta facilidade, mas nem essa rede de suporte me preparou para 2016. Recém-formado, não efetivado e dinheiro limitado. Se passam meses e nada. Dinheiro acabando e sensação de derrota. Me chamam para trabalhar em São Paulo. São Paulo. Eu, um cara de Niterói, recém-formado, com meses desempregado e agora com oportunidade de trabalho (pasmem) na minha área de especialização na maior cidade do país. Frustrando todo o imaginário holístico, o libriano estava mudando para a maior cidade do País em um piscar de olhos.

Me pego sentado experimentando um sofá em uma loja de móveis, fazendo contas imaginárias e perguntando ao vendedor os métodos de pagamento. Mas como farei isso? Junto? Parcelo? Será que conseguirei pagar a parcela daqui a dois meses? Posso me dar ao luxo de não ter esse valor mensalmente? E a conta de luz, condomínio, aluguel, internet, TV a cabo, celular etc?

A ficha cai.

Independência, essa é a palavra.

Essa é a cara da independência, você estar por si só. É a sua casa, sua vida… de ninguém mais. Pisco e me percebo a milímetros da grande queda d’água que tanto me planejei enfrentar a vida toda.
Sabe aquele tal ‘futuro’? Ele é o hoje e se chama vida adulta, a minha independência forçada. A rede de segurança funciona a distância e meus equipamentos que tanto batalhei para ter parecem palitos Gina em minhas mãos. O ‘ser adulto’ chega de mansinho como um crocodilo. Você se sente preparado, mas realmente nunca vai estar. O sofá é meu, eu que pagarei. A dívida é minha. Contas a pagar aprendemos desde cedo que elas chegam. Mas ter um aluguel em seu nome dá um novo significado ao medo. Mas assim como o rio, a vida não para aí e a viajem não deixa de ser estimulante. A final, é meu sofá, e minha conquista! O primeiro susto é grande, não vou negar. Te marca como muitos outros ‘primeiros’ que existiram e que existirão, e mesmo com medo você segue tendo novas experiências, conhecendo novas pessoas, observando a vista e aproveitando a viajem.
FotorCreated1

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2 Comments

  1. Mais uma vez ótimo! Nunca deixamos de amadurecer! E estar aberto a mudança é algo inteiramente necessário para se viver bem! Boa sorte ao Luiz em SP!

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