Donzela de ferro

donzela de ferro

Há uma notável semelhança entre o ato de amor e as ministrações de um torturador.
O som de um preludio de Debussy disfarçava o suave equilíbrio da letargia do fracassado simulacro da vida.
Como os animais selvagens, essa dama vivia sem futuro.
O clima esfriou, seu coração também.

Tornou-se magnificamente excêntrica na adversidade.
Tão longe da infância, vivia uma infâmia e o potencial para corrupção aumentava.
As pontadas de dor da perda seguiam escondidas por trás da feição aquiliana.
Empobreceu por causa do amor, não sabia se pelo excesso ou pela falta.

Habitava um Lugar belo e triste onde o céu derretia no mar,
A atmosfera sempre imersa na salinidade amniótica do oceano,
O local anfíbio transgredia a materialidade tanto da terra quanto das ondas.
Os pilares eram feitos de espuma e as paredes brilhavam como se suassem de medo.

Solidão feérica!

A consciência lhe pregava peças e puía sua autoconfiança
Parecia que todos os objetos inanimados ganharam vida, somente para zombar dela.
Fazendo par com as harpias delinquentes de Debussy que a atormentavam.

Sentia a premonição de algum horror,
Recolhia-se a uma imobilidade de cera
Não havia medo, mas hesitação, como se prendesse a respiração espiritual.

E a estrela vespertina caminhava na borda da noite
Enquanto o cálice transbordava o absinto que a condenou.

Todos os dias a nobre dama renascia em formas desconhecidas.
Ansiava por aquele momento e, ao mesmo tempo, o repugnava.
Portava uma fita vermelha símbolo da memória de sua ferida.
Ainda acreditava que teria sido feliz ali, pois era senhora das chaves daquela prisão.
Porém , sabia que seria executava com exuberância escabrosa.

Agora ausência de indícios da vida real não a impressionavam.
Tudo em silencio, tudo imóvel, a exceção do murmúrio das ondas.
Da noite viemos, á noite regressaremos.
A couraça de metal da donzela de ferro emitiu um fantasmagórico ruído metálico.
Um passo em falso e ela tropeçou para sempre no abismo da escuridão.
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sarah adulta eu

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