Insights criativos e onde habitam

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Escrito ao som das 4 estações de Vivaldi

Após dois posts analisando a física sobre o viés histórico, vocês devem ter percebido que as histórias dos insights brilhantes acontecem durante uma caminhada, no meio do banho, num passeio ou nas férias. Essas “coincidências” são comumente conhecidas como ócio criativo.
Quando avaliamos o ato de pensar, comumente atribui-se mais valor aquela atenção focada e orientada a resultados do que a percepção aberta e espontânea. Mas, todo tipo de atenção tem sua utilidade.
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Metade dos nossos pensamentos são devaneios espontâneos, para a ciência isso sugere que esta pode ter sido uma vantagem evolutiva, a mente humana é capaz de considerar o imaginário. Porém, em momentos que precisamos executar questões cognitivamente exigentes o processo de dispersão da mente prejudica nosso desempenho. Descobriu-se que isso ocorre devido ao fato de duas áreas cerebrais que estarem ativadas durante a ruminação:

Faixa medial do córtex pré-frontal: sendo que o impulso interno para se afastar do foco intencional é tão forte que cientistas cognitivos entendem a mente divagadora como o modo-padrão do cérebro.
Sistema executivo do córtex pré-frontal: área que era considerada primordial para nos manter contato em tarefas.

Para onde a mente deriva?

Nossa mente normalmente deriva para nossas preocupações pessoais e nossas questões não resolvidas. Ou seja, apesar da divagação da mente prejudicar nosso foco imediato em alguma tarefa especifica, ela é responsável por resolver problemas importantes para nossa vida.

Enfim, a divagação da mente está associada a geração de cenários para o futuro, a autorreflexão, a capacidade de se relacionar em um mundo social complexo, a incubação de ideias criativas, a flexibilidade do foco, a ponderação do que se está aprendendo, a organização das lembranças ou mera meditação sobre a vida – e também a possibilidade de darmos ao nosso circuito de foco mais intensivo uma pausa revigorante.

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Vocês se lembram de quando falamos sobre Arno Penzias e Robert Wilson e a polêmica do Nobel 1978 no post sobre o espaço?

Em resumo, eles pesquisaram durante um ano o universo com equipamentos superpotentes, mas ficaram sobrecarregados por um mar de dados originais e na tentativa de simplificar o trabalho ignoravam “uma estática sem significado”. Então, ocorreu encontro casual com os físicos Bob Dicke e Jim Peebles que estudavam a possibilidade de os vestígios do Big Bang estarem chegando a terra nos dias de hoje. Esse encontro possibilitou o insight – e um polêmico prêmio Nobel em 1978 – pois, Penzias e Wilson a perceberam que o que eles vinham interpretando como “ruído” era na verdade um sinal fraco das continuas reverberações do Big Bang.

O devaneio incuba a mente criativa. A consciência aberta cria uma plataforma mental para descobertas criativas e insights inesperados. Na consciência aberta, não temos advogado do diabo, nem cinismo ou julgamento – apenas receptividade absoluta para o que vier na mente.

Hoje existem estudos que comprovam que adultos com TDAH, comparados com adultos sem o transtorno, mostram níveis maiores de pensamentos criativo original e mais realizações criativas reais.

Os insights criativos e onde habitam

Rappers freestyling, improvisam letras na hora de cantar, nesse momento demonstram uma atividade aumentada no circuito de divagação mental, entre outras partes do cérebro – permitindo novas conexões entre redes neurais distantes. Nesta espaçosa ecologia mental, temos mais propensão a fazermos novas associações, a sensação de EUREKA!

Em momentos criativos menos frenéticos, pouco antes de um insight, o cérebro costuma descansar em um foco aberto e relaxado, caracterizado por um ritmo alfa. Isso sinaliza um estado de devaneio ou sonho acordado. Como o cérebro armazena diferentes tipos de informações em circuitos de amplo alcance, uma consciência vagando livremente aumenta as chances de associações com serendipidade e novas combinações.

Picos gama ocorrem rotineiramente durante operações mentais e logo antes de um insight criativo. Porém o local do pico gama durante o insight criativo é revelador: ele ocorre na área do cérebro associada aos sonhos, a metáforas, à lógica da arte, do mito e da poesia. Elementos que operam na linguagem do inconsciente, uma esfera onde tudo é possível. O método de associação livre de Freud e abre uma porta para esta modalidade de consciência aberta.

Casulo criativo

vocação, trabalho, emprego e de carreira

Vivemos o caos do mundo contemporâneo. A era da informação. O fluxo ininterrupto de e-mails, mensagens de WhatsApp, notificações do facebook, contas a pagar, nos deixa num estado cerebral contrário ao foco aberto no qual as descobertas da serendipidade prosperam.

Num post antigo: trabalho, emprego, carreira e vida. Comentamos sobre a necessidade de encontrar um tempo livre no qual possamos manter a manter uma consciência aberta. Porque em meio ao tumulto das nossas distrações diárias, a procrastinação e as listas infindáveis de tarefas, a inovação trava. Somente, o tempo livre deixa o espirito criativo florescer. Agendas apertadas o matam.

Um estudo da Harvard Business School sobre a forma de trabalho interno de 238 membros de equipes de projetos criativos, que recebiam como tarefas desafios de inovação que iam de solucionar complexos problemas de TI a inventar equipamentos de cozinha. Percebeu que os Insights criativos fluem melhor quando as pessoas têm objetivos claros, mas também liberdade de meios para atingi-los. E o mais importante, tinham períodos de tempo reservados – o bastante para realmente pensarem livremente. Um casulo criativo.

Não confunda uma mente a deriva com ruminação!

vocação, trabalho, emprego e de carreira
Em fevereiro, escrevi um post tratava de mindfulness, ou atenção plena. que pode parecer que conflita com o que estou escrevendo agora. Porém existe uma ténue diferença entre a mente a deriva e a ruminação danosa. A prática constante da meditação ou a terapia psicológica ajuda o desenvolvimento da metaconsciência (capacidade de observarmos os nossos processos mentais, relacionarmos com os nossos sentimentos e escolher o que fazer a respeito).

O fortalecimento das conexões entre as zonas executivas pré-frontais e a amígdala (área do cérebro que domina as emoções), especialmente fortalece as regiões que dominam o autocontrole, os circuitos que podem dizer “não” aos impulsos.

Enfim…

Você é um sortudo. Sua mente tem infinitas ideias, lembranças e associações potenciais esperando para serem feitas. Mas a probabilidade de a ideia certa se ligar com a lembrança correta no momento adequado – e tudo isso ser capturado pelo holofote da atenção – diminui drasticamente quando estamos hiperfocados ou sobrecarregados demais por distrações para percebemos o insight. Então, relaxe e curta o seu tempo livre.

sarah adulta eu

Sugestões bibliográficas:

  • De onde vem as boas ideias (Jorge Zahar)
  • Working memory capacity, attencional focus, and problem solving (Wiley e jafoz)
  • The power os small wins (teresa Amabile e Seven Kramer)
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Sobre gostar do espaço, de física, de ciência

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Adoro dizer que sou cientista. E falo com muito, muito orgulho. Apesar de seguir minha carreira na área biomédica, nutro um grande interesse paralelo pela física, pelo espaço e pelo conceito de tempo. Aliás, tem alguém que não se admire com as impossibilidades da vida?

No fim do ano passado eu li “Uma breve história do tempo”, do Stephen Hawking, e a Sarah já deu uma aula aqui. Enrolei e enrolei para escrever porque eram tantas coisas que valiam ser mencionadas… Escolhi uma para agora (e prometo que não vai ser repetitivo). Preciso falar sobre ciência, e sobre sua popularização.

Não só um grande físico – absolutamente brilhante –, Stephen Hawking também é um nome de peso na popularização da ciência. Seus livros alcançam milhares de pessoas e com uma linguagem acessível a qualquer curioso, apesar dos temas densos. Mais especificamente em Uma Breve História do Tempo, aprendi mais sobre astrofísica do que jamais na minha vida. E não só isso, um dos principais motivos para eu achar esse livro tão incrível é a visão de história da ciência que ele contém. O próprio nome já dá a dica, mas se alguém não pegou de primeira (como eu, antes de ler o dito cujo), todo o livro relata como o entendimento sobre o tempo evoluiu… ao longo do tempo.

Muito mais do que jogar conceitos na nossa cara – como as escolas normalmente fazem, acho que o melhor jeito de criar interesse pela ciência é contando um pouco de como as coisas foram descobertas. E isso não se restringe à física, o entendimento sobre os diferentes papéis das áreas do cérebro por exemplo, é facilmente compreendido quando se conta sobre o Sr. Leborgne ou o paciente H.M. (Sim, essa sou eu claramente puxando a sardinha pro meu lado)

Voltando pra física e, mais especificamente para a astrofísica – como é o foco do livro de Hawking, tem uma história que eu acho particularmente curiosa e interessante: Tycho Brahe. Vejam o vídeo abaixo e digam se não seria muito mais interessante aprender assim na escola. O nome pode não soar familiar para muita gente, mas foi graças ao trabalho dele que Johannes Kepler pôde desenvolver seus estudos que acabariam por descrever os movimentos dos planetas.

Não se assustem, o vídeo tem legenda em português. É só ativar, caso não apareça direto.

Observação pertinente: acho particularmente interessante como tanto conhecimento foi acumulado em épocas sem tecnologias digitais. Sempre me deixa embasbacada.

Muitas outras iniciativas para a popularização da física e da ciência merecem ser mencionadas, mas vou me restringir a três delas:

1. Cosmos

STS-125 Atlantis Solar Transit (200905120002HQ)

Atlantis space shuttle, 2009. Créditos: Nasa/Thierry Legault

Provavelmente a iniciativa mais conhecida do mundo, iniciada por Carl Sagan, ganhou recentemente uma versão apresentada por Neil deGrasse Tyson – que está no Netfilx!!! Um episódio que me vem a cabeça agora e que se relaciona bem com o início do livro de Hawking é o episódio 7 da primeira temporada, que conta a história da descoberta que tornou possível calcular a idade da Terra. Como eu disse, eu acho incrível aprender ciência através da história, e essa séria reflete muito bem essa ideia. Esse episódio em particular conta como, a partir das datas mencionadas na Bíblia, alguém fez o primeiro cálculo da idade do planeta e chegou a uma conclusão comicamente “exata”, com hora e tudo. Como os episódios não tem uma ordem muito necessária, podem pular direto só pros temas que forem de interesse. Esse episódio também pode ser visto no YouTube.

2. Nerdologia

Uma das iniciativas brasileiras de maior visibilidade, o canal tem um foco nos princípios científicos relacionados (ou não) à cultura pop e de ficção científica. Apesar de ele ser “Átila, o biólogo”, o canal aborda uma variedade incrível de temas com uma linguagem bem simples mas que não se torna errada. Acho que uma das maiores dificuldades que os cientistas e jornalistas enfrentam para explicar ciência para o público geral é tornar a linguagem acessível, sem termos técnicos ou necessidade de muito conhecimento prévio, e ainda não simplificar demais ao ponto de que os conceitos passem a estar levemente errados e passíveis de múltiplas interpretações. Variando agora para o tema de comportamento da luz, esse episódio bem legal (e que conta a pesquisa de uma física brasileira!).

3. Leopoldo de Meis

Até hoje esse é o nome que se encontra na porta do meu laboratório, apesar de já ter passado mais de dois anos do seu falecimento. Não posso falar de divulgação científica no Brasil sem mencionar o fundador do instituto no qual faço mestrado hoje. Leopoldo de Meis teve um grande papel na pesquisa em metabolismo energético e deve ser um dos brasileiros que mais chegou perto de uma indicação ao Nobel, mas seu legado se estendeu muito mais do que isso. Ele escreveu livros e gravou filmes, sempre tendo como alvo o publico escolar, e criou a Rede Nacional de Educação e Ciência, para levar suas iniciativas de Cursos de Férias para todo o país. Aqui na UFRJ, o projeto se mantém ativo desde os anos 80 com duas edições anuais, nas quais recebemos nos laboratórios do IBqM alunos e professores do Ensino Médio. Hoje o curso ocorre ao longo de uma semana, na qual os participantes podem propor as perguntas que querem responder, planejar os experimentos e executá-los, levantando ou comprovando hipóteses através da aplicação do método científico. Tive a sorte de ser monitora de um desses cursos em janeiro agora e foi mágico ver a ciência despertando nos olhos de gente brilhante mas que tem poucas oportunidades. Vale dizer que a participação desses alunos pode continuar ao longo de um ano desenvolvendo projetos científicos inovadores, muito além daquela curiosidade inicial.

No YouTube tem esse vídeo, que está dividido em 3 partes, mas essa contém o trecho que mais marcou o que seria o início da minha carreira científica quando vi ele próprio apresentar ao instituto que hoje leva seu nome. A quantidade de conhecimento científico que geramos hoje é muito maior do que qualquer pessoa consegue acompanhar, e sobre isso dá pra eu ficar horas conversando. Na verdade só agora enquanto escrevo me dei conta, mas isso meio que acabou se tornando o tema da minha pesquisa.

Acho que já tem bastante material interessante aqui, e já divaguei um bocado também. Acho que vou gostar de escrever mais sobre ciência por aqui.

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Entre intrigas, Big Bangs, Buracos Negros e o formato do universo

Uma breve história do tempo

Texto escrito ao som do álbum dark side of the moon/ Pink Floyd

O que define uma boa teoria cientifica?
Uma teoria cientifica precisa ser simples e fazer previsões precisas que podem ser testadas pela observação.

Hoje vamos falar sobre o universo…
uma breve história do tempo

O astrônomo americano Edwin Hubble formulou em 1924 a imagem moderna do universo. Ele provou que a nossa galáxia não era única. Hubble notou que certos tipos de estrelas sempre tem a mesma luminosidade quando estão perto o bastante para serem medidas, então usou o método indireto para realizar os cálculos, determinando as distâncias até outras galáxias.

Como esse método de medição funciona…

Lembram-se de Newton? Ele descobriu que, se a luz solar passa através de um prisma as cores que a compõe (espectro) são separadas como um arco íris.
uma breve história do tempo

Com um telescópio moderno podemos adaptar esse conceito para estrelas e galáxias. Então é possível determinar a temperatura de uma estrela. Foi então que percebeu-se que faltam certas coras muito especificas nos espectros de estrelas.

Precisamos falar sobre o EFEITO DOPPLER aplicado ao espaço sideral…
uma breve história do tempo
Em 1920, os astrônomos observaram os espectros das estrelas em outras galáxias e descobriram que faltavam os mesmos conjuntos característicos de cores nas estrelas de nossa galáxia, e todos os espectros desviam em direção a extremidade vermelha.

  • O que é a luz?

A luz consiste em flutuações, ou ondas do campo eletromagnético. Os diferentes comprimentos de luz são o que nos entendemos como cores. Os comprimentos de onda mais longos são vermelhos e os mais curtos azuis.
Por tanto, se as estrelas se afastam terão os espectros desviados para cor vermelha, e se elas se aproximam terão um desvio para o azul.
CURIOSIDADE: A polícia usa o Efeito Doppler para calcular a velocidade de um veículo medindo o comprimento dos pulsos das ondas de rádio.
Voltando…
Hubble descobriu que a maior parte das galáxias exibia um desvio para o vermelho, ou seja, elas estavam se distanciando de nós. Além disso, em 1929, ele descobriu quanto mais distante está uma galáxia mais rápido ela se distancia de nós. Uma revolução! Até então, as pessoas acreditavam que o universo era estático. Ou seja, além do universo não ser estático, ele estava se expandindo.

  • Por que ninguém percebeu isso antes?

Esse comportamento do universo poderia ter sido previsto com base na teoria da gravitação de Newton. Contudo a crença em um universo estático era tão forte que ela persistiu até o início do século XX.
Vale ressaltar que Eisntein, ao formular a teoria da relatividade geral (1915), tinha tanta certeza que o universo era estático que modificou sua teoria para tornar isso possível. Ele alegou que o espaço-tempo tinha uma tendência inerente a se expandir e que isso poderia acontecer exatamente para compensar a atração de toda matéria no universo, de modo que o resultado seria um universo estático.
Mas não paramos aí….

Alexander Friedmann (1922), físico e matemático Russo, fez duas suposições simples sobre o universo:
1. A partir da nossa galáxia, o universo é idêntico em qualquer direção, ou seja, somos o centro do universo;
2. O universo deve parecer o mesmo em qualquer direção visto de qualquer galáxia, ou seja, não somos o centro do universo;
Arno Penzias e Robert Wilson, físicos americanos (1965), estavam testando um detector de micro-ondas muito sensível. Eis que, o detector estava captando mais ondas do que deveria. Esse ruído não vinha de nenhuma direção em particular. Então eles começaram a procurar os prováveis defeitos no aparelho, mas logo descartaram essa possibilidade. Percebeu-se que os ruídos eram os mesmos em qualquer direção que o detector fosse apontado, de modo que devia vir de fora da atmosfera.
Nessa mesma época, Bob Dicke e Jim Peebles, físicos americanos, estudavam as micro-ondas. Eles trabalhavam na hipótese que o universo primitivo deveria ser muito quente, denso e incandescente branco e acreditavam que ainda seria possível visualizar esse brilho, pois a luz de partes distantes somente estaria chegando até nós agora.

E você achando que não existia picuinha no mundo da física…

Penzias e Wilson souberam da pesquisa de Dicke e Peebles, e perceberam que eles haviam encontrado a resposta para o problemas deles nos ruídos captados pelo seu detector. Por esse feito ganharam o Prêmio Nobel em 1978.

Voltando para Friedmann e o centro do universo…
Sem querer, Penzias e Wilson esbarraram na 1ª hipótese de Friedmann, de que nós estaríamos no centro do universo. Entretanto, sabe-se que o universo não é o mesmo em todas as direções (apenas em média escala), pois, em 1992, o satélite Cobe, verificou pequenas variações nessas medições.
No modelo de Friedman, todas as galáxias estão se afastando. Sendo assim, Imagine um balão com pintinhas se enchendo de ar:

À medida que o balão se expande, a distância entre 2 pontos aumenta, mas não existe um ponto que possa ser identificado como o centro de expansão.

Vamos forçar sua imaginação um pouco mais…

Friedmann encontrou um modelo. Porém três tipos de modelo correspondem a suas duas hipóteses fundamentais:
1. O universo está se expandindo devagar o bastante para que a atração gravitacional entre as galáxias faça com que a expansão desacelere até cessar. As galáxias então começam a se mover na direção uma das outras e o universo se contrai. Desse modo, a extensão do universo é finita.
Um breve historia do tempo
2. O universo está se expandindo tão rápido que a atração gravitacional nunca o detém, embora reduza sua velocidade. Desse modo, a extensão do universo é infinita.
Um breve historia do tempo
3. O universo está se expandindo depressa o bastante apenas para evitar um novo colapso. Desse modo, a extensão do universo é infinita e plana.
Um breve historia do tempo
Essas teorias todas ajudam os físicos a formular a provável forma do espaço.
No primeiro modelo de Friedmann o universo não é finito de espaço, porém o espaço tampouco possui contorno. A gravidade é tão forte que o espaço é curvado sobre si mesmo, mais ou menos como a superfície da terra.

Exemplo: Se alguém viaja constantemente em uma direção no nosso planeta, não cai pela borda. Ela acaba voltando para o ponto onde começou.
O espaço seria exatamente assim. A quarta dimensão, o tempo, também é finita em extensão, mas é com uma linha com duas extremidades ou contornos, um começo e um fim.
Se combinarmos a relatividade geral com o princípio da incerteza da mecânica quântica, é possível que tanto o espaço quanto o tempo sejam finitos sem bordas e nem contornos.

Muita abstração?!

A ideia de que alguém possa dar a volta no universo e terminar onde começou dá uma ótima ficção cientifica. Mas seria preciso viajar mais rápido do que a velocidade da luz a fim de terminar onde se começou antes do universo se extinguir.
Então vem a pergunta fundamental: Qual desses 03 modelos descreve o nosso universo? O universo vai se expandir para sempre? Ou o universo eventualmente voltará a se contrair?
Agora voltamos para o Efeito Doppler.

Aplicando o efeito doppler, pode-se determinar a taxa de expansão atual do universo ao medir a velocidade com que outras galáxias estão se afastando de nós. Entretanto, as distâncias para as galáxias não são bem conhecidas, pois só conseguimos medi-las de forma indireta. Assim, tudo o que se sabe é que o universo está se expandindo em algo entre 5% e 10% a cada bilhão de anos. No entanto, nossa incerteza sobre a densidade média atual do universo é ainda maior.

  • O que isso significa?

Somando-se todas as estrelas de todas as galáxias e a massa escura não temos força gravitacional suficiente para deter a expansão do universo. Então, a tendência atual é que o universo se expanda até entrar em colapso, o que deve acontecer em dez bilhões de anos.

Mas não se preocupe. A essa altura a menos que tenhamos colonizado outro sistema solar e nos mudado, a humanidade terá deixado de existir, pois será extinta junto com o sol.

Voltando para Friedman (e você achando que Einstein era o cara)…
As três soluções previstas pressupõem que o universo teve um começo: quando a distância entre as galáxias vizinhas deve ter sido zero.

Big Bang!

A matemática não pode lidar de fato com números infinitos, então chegamos num ponto onde a teoria da relatividade geral prevê que existe um ponto no qual a própria teoria deixa de ser válida. Isso se chama singularidade.
Mas o que isso quer dizer?
Mesmo que tenha havido eventos anteriores ao Big Bang, ainda somos incapazes de determinar pois a teoria da relatividade geral não se aplica. Deve-se assim eliminar a ideia de eventos anteriores e aceitar que o tempo se iniciou com o BIG BANG.

E isso causou o caos no meio acadêmico…

Muitos não gostam da ideia de que o tempo teve um início, porque isso remete ao conceito de Deus. Inclusive, a Igreja Católica acatou o modelo do Big Bang e em 1951 proclamou oficialmente que essa explicação estava de acordo com a Bíblia.

Em 1948, Hermann Bondi, Thomas Gold, Fred Hoyle sugeriram a teoria do estado estacionário: a ideia era que enquanto as galáxias se afastavam, novas galáxias surgiam nesse espaço, a partir da matéria nova criada continuamente.
Porém…
No fim da década de 1950, Martin Ryle e um grupo de astrônomos levantou as fontes de ondas de rádio provenientes do espaço. Esse experimento mostrou que a maioria das fontes deve se localizar fora da nossa galáxia e também havia muito mais fontes fracas do que fortes. Foi interpretado que as fontes fracas eram distantes e as fontes fracas eram próximas. Hipóteses:
1) Estamos no centro de uma grande região do universo onde as fontes são mais escassas do que em outras regiões;
2) As fontes eram mais numerosas no passado, quando as ondas de rádio partiram em sua jornada até nós;
As duas explicações inviabilizam a teoria do estado estacionário.
Em 1963, Evgenii Lifshitz e Isaac Khalatnikov, sugeriram que o Big Bang talvez moldasse uma peculiaridade exclusiva dos modelos de Friedmann. No universo real, as galáxias não estão apenas se afastando uma das outras – elas também apresentam pequenas velocidades laterais. Assim, ela nunca precisaram ter estado todas exatamente no mesmo lugar, apenas muito próximas umas das outras. Ou seja, talvez, o universo em expansão não resultasse de uma singularidade, mas de uma fase de contração.

  • Como provar que o universo começou com o BIG BANG?

Lifshitz e Khalatnikov estudaram o modelo do universo de modo parecida a Friedmann, mas levando em consideração as irregularidades e as velocidades aleatórias das galáxias no universo real. Eles argumentaram que, haveriam muito mais modelos como os de Friedmann sem singularidade de Big Bang.
Porém…
1970, eles voltaram atrás em sua alegação, quando descobriram que uma classe muito mais geral de modelos de Friedmann que de fato apresentavam singularidades e nos quais as galáxias não precisavam se mover de nenhuma forma especial.

  • No entanto, será que a relatividade geral prevê que nosso universo deve ter tido um Big Bang, um início de tempo?

Roger Penrose, 1965, demonstrou que uma estrela cedendo à própria gravidade fica aprisionada em uma região cuja superfície acaba por encolher ao tamanho 0. O mesmo acontece com o seu volume. Toda a matéria da estrela será comprimida a uma região de volume zero, de modo que a densidade da matéria e a curvatura do espaço tempo serão infinitas. Em outras palavras, tem-se uma singularidade contida dentro de uma região do espaço-tempo conhecida como buraco negro.

Então…
Stephen Hawking, 1965, percebeu que o teorema de Penrose mostrava que qualquer estrela em colapso deve terminar em uma singularidade. Hawking propôs que aplicando a reversão temporal podia-se entender o universo em expansão nos moldes de Friedmann, pois ele poderia ter se iniciado de uma singularidade.
Por razões técnicas, o teorema de Penrose exigia que o universo fosse infinito em espaço. Assim, o teorema foi usado para provar que haveria uma singularidade apenas se o universo estivesse se expandindo rápido o bastante para evitar um novo colapso.
1970, Hawking e Penrose, demonstram que deve ter havido uma singularidade de Big Bang, deste que a teoria de relatividade geral esteja correta e o universo contenha tanta matéria quanto observamos.
E mais o caos no meio acadêmico…
As oposições partiram dos russos, devido a crença marxista no determinismo cientifico, e em parte de pessoas que achavam que toda a ideia de singularidade era integrável e arruinava a beleza da teoria de Einstein.

Isso mostrou que a relatividade geral é uma teoria incompleta: ela é incapaz de nos dizer como universo começou, pois prevê que todas as teorias físicas perdem a validade no inicio do universo.

A ironia…
Stephen Hawking, atualmente, tenta convencer de que na realidade não houve singularidade alguma no início do universo. Pois, essa singularidade desaparece quando se leva em consideração os efeitos quânticos.
Mas esse assunto fica para um próximo post…

sarah adulta eu
Sugestões bibliográficas:
O universo em uma casca de nós (Stephen Hawking)
Uma breve história do tempo (Stephen Hawking)
Alice no país do quantum (Robert Gilmore)

Filme:
Quem somos nós?

E agradeço se você tiver mais alguma indicação!

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Viajar sozinha

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Eu sempre ouvi dizer que viajar sozinho é uma experiência que todos deveriam ter. Para perto ou para longe, por pouco ou muito tempo, me diziam que era uma jornada de auto-conhecimento. Também já tinha ouvido falar que era assustador, impensável e até um pouco deprimente. Quando surgiu no fim do ano passado a oportunidade para que eu passasse um mês inteiro praticamente andando sozinha por um país desconhecido, eu não tive nem dúvida – eu fui – assustador ou empolgante eu sabia que seria uma experiência única.

Ao todo foram 34 dias, 30 dos quais eu efetivamente estava viajando sozinha. Fiquei em 4 cidades diferentes, fora as tantas outras que passeei só por um dia. Duas viagens de avião, 6 de trem e 3 ônibus. Muitas libras foram embora dos meus bolsos, mas posso dizer que me sinto enriquecida. Não outra pessoa – acho que já passei dessa fase de me refazer a cada nova experiência – mas também não a mesma de sempre. Viajar, sozinha ou acompanhada, tem esse poder mágico para mim.

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Glen Coe (Highlands), Escócia. Fevereiro, 2017.

Eu adoro me aventurar por novos lugares e procuro sempre fazer coisas que nunca fiz, mas não sou exatamente uma pessoa espontânea. Quando eu viajo eu gosto de planejar cada hora de cada dia, uma versão otimista e outra pessimista, e na hora eu faço o que a realidade permitir. Dessa vez não foi bem assim. Com tão pouco tempo para me preparar, só consegui dar uma olhada superficial em tudo que tinha pra fazer em cada um dos lugares onde iria parar. Certamente não consegui planejar com precisão o orçamento de cada etapa da viagem. Fora que não eram só os passeios que eu tinha que preparar, mas também o trabalho (afinal toda a viagem girou em torno do que eu poderia acrescentar para o meu projeto de mestrado).

Assim, pessoa ansiosa que sou, o pré-viagem não foi nada tranquilo. Sozinha, eu não tinha com quem compartilhar minhas dúvidas, dividir o peso de cada decisão. Não que os amigos ou a família não me ouvissem quando precisava, mas ninguém iria de fato arcar com as consequências das minhas (in)decisões. Planejei os quatro primeiros dias, respirei fundo e fui. Ao chegar lá, esqueci de todas as preocupações. Corri para conhecer e absorver o máximo que podia de Londres – o que não é pouco – em apenas dois dias. Foi empolgante, corrido, animado e meus pés reclamaram de tanto andar. A liberdade de acordar a cada dia e poder decidir o que eu ia fazer, pra onde ir, quanto tempo passar em cada lugar, o que e que horas eu iria comer, era único. Sei que aproveitei muito bem esse lado de estar sozinha. Pelo outro lado, tive diversos momentos em que eu estava tão encantada com o que estava vendo e vivendo, que eu gostaria que houvesse alguém ali para compartilhar aquilo. Alguém só pra olhar e sorrir e dizer: “Nossa, olha que incrível é isso!”.

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The National Gallery, Londres. Janeiro, 2017.

Segui minha programação nos dias seguintes para um congresso e depois, uma breve visita a um potencial novo colaborador. Essa etapa foi justamente o período em que eu estive acompanhada, então talvez não valha falar aqui. A partir daí, todos que eu conhecia foram embora e eu fiquei trabalhando com novas pessoas. Nessas próximas semanas eu consegui turistar durante os finais de semana, e trabalhar muito durante a semana. E foram nesses dias de trabalho que eu mais senti o peso da minha introversão.

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Seguir minha linha de raciocínio no que se trata de interagir com pessoas novas não é fácil nem pra mim, portanto nem me atrevo a arriscar aqui por escrito. Basta dizer que me sinto muito bem representada por esse quadrinho aí de cima. Estar em um ambiente em que, a cada minuto, eu não sabia o que esperar não foi nada fácil. Eu estava lá para aprender a fazer o que eles fazem de melhor nesse grupo de pesquisa, mas cada dúvida que eu precisava tirar com alguém eram horas de ruminação para decidir quem buscar (e que não ia me dar patada), o momento certo (pra não atrapalhar o trabalho deles), as palavras certas (para não parecer muito burra)… Nesse período fiquei hospedada em um apartamento do airbnb, ou seja, eu praticamente morei com esse casal por três semanas, e lá também até as escolhas de que horas comer e tomar banho eram decisões que me pesavam mais do que deveriam. A solução para mim foi fugir da interação em casa, eu rapidamente aprendi os horários deles e basicamente só usava o resto da casa quando eles não estavam mais lá. Sei que assim perdi alguma coisa dessa experiência, mas foi o que me permitiu manter minha produtividade durante o dia. Ah e, claro, toda a pressão de concluir o máximo de trabalho possível antes de acabar meu tempo. Foram três semanas emocionalmente exaustivas.

Ao sobreviver a base de comida de micro-ondas e um biscoito baratinho (e especialmente delicioso), consegui planejar meus últimos dias de férias. Saí de Edimburgo com a sensação de missão cumprida, apesar da exaustão acima mencionada. Absolutamente tudo tinha dado certo até ali, o trabalho, as hospedagens, os passeios. Assim, fui super empolgada de volta a Londres. Viajar sozinha me permitiu tomar essas decisões de “última hora”, me permitiu voltar a lugares já visitados em detrimento de conhecer outros simplesmente porque eu tinha gostado muito dali. Me permitiu sentir de novo a angústia e a empolgação de ser a única responsável pelas minhas escolhas – onde ficar, onde ir, onde comer. Mas, novamente, não tinha ninguém ali para compartilhar todas as coisas incríveis que eu vivi.

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Palácio de Buckingham, Londres. Janeiro, 2017.

Viajar sozinha, para mim, não foi auto-conhecimento. Foi ultrapassar limites que eu já sabia que tinha, foi me desafiar a coisas novas. Foi me sentir mais forte e confiante por saber que eu consegui passar por tudo isso com um resultado super positivo ao final. Foi a oportunidade de conhecer gente de todos os lugares, conversar sobre carreira, política e vida adulta com brasileiros, americanos e paquistaneses. Por outro lado, viajar sozinha foi, sim, solitário também. Estar sozinha comigo mesma é gostoso, mas cheguei a conclusão que prefiro ficar sozinha em casa. Acredito que tem alegrias que são só nossas, mas outras que são melhores quando são compartilhadas. Viajar é uma dessas.

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Castelo de Craigmillar, Edimburgo. Fevereiro, 2017. (também conhecido como caminho para a faculdade)
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5 lugares ao ar livre imperdíveis no Rio de Janeiro

Isa Por aí
Confesso que quando recebi o convite da Sarah e Clarissa para escrever para o blog, fiquei honrada! Passada a euforia inicial, comecei a me perguntar: “Logo eu, de exatas, super objetiva e que corria das redações na escola, como conseguirei contribuir para a página delas?!”. E bateu aquela insegurança… Parei, pensei, refleti e vi que nada melhor do que falar sobre aquilo que move e estimula a gente.
Eu, como boa ariana que não consegue parar quieta, sempre gostei de explorar novos lugares! Pode ser aqui do lado de casa (em Niterói – RJ) ou em outro país! O importante é não estar parada! E por todo canto que passo, saio registrando tudo através de fotos e escrevendo as minhas percepções! Talvez, pela certeza de uma carreira relativamente estável, cursei engenharia e levei a fotografia como hobby. Mas este ano, resolvi dar um passo à frente e expor todos esses registros, explicando um pouco sobre cada um desses lugares.
Sendo assim, vamos falar do que eu entendo!
Mais do que uma reflexão sobre a vida adulta levo este texto como um informativo de sugestões de lugares que a nossa cidade vizinha oferece, mas que muitas vezes passam despercebidos na correria do dia a dia.
Eis aqui 5 lugares ao ar livre imperdíveis (pelo menos na minha opinião) no Rio de Janeiro:

Mureta da Urca
Isa Por aí
Amor à primeira vista, a mureta é um dos meus lugares preferidos no Rio! Localizada no bairro de mesmo nome na Zona Sul carioca, ela é super democrática, contando com bares para todos os gostos e bolsos ao longo de sua extensão. Assistir ao por do sol sentada na mureta, com os amigos, comendo um pastel e bebendo alguma coisa, num pós praia deveria ser parada obrigatória para todo carioca ou visitante da cidade maravilhosa pelo menos uma vez!!

Pedra do Arpoador
Isa Por aí
Já experimentou assistir ao por do sol de cima da Pedra do Arpoador? Com uma visão completa da Praia de Ipanema e Leblon, contando com o Morro Dois Irmãos ao fundo, é a arquibancada preferida de 8 em cada 10 cariocas no verão! Conseguir um espacinho na famosa pedra não é tarefa fácil, mas vale muito a pena! A cada entardecer, o sol se despede com uma salva de palmas dos expectadores! Experiência que renova qualquer energia!

Praia da Joatinga
Isa Por aí
Esse paraíso fica escondido entre as praias de São Conrado e da Barra da Tijuca! A pequena praia de apenas 300 metros possui um visual deslumbrante, com um mar de água cristalina, num tom azul esverdeado poucas vezes encontrado no Rio!
Como chegar?!
A opção mais viável é o carro, já que os ônibus param muito distantes! Pegue a Estrada do Joá e entre no condomínio na Rua Pascoal Segreto (ponto de referência: o Clube Costa Brava fica dentro do condomínio). Há estacionamento no local, mas com número de vagas reduzidas! Portanto, se você optar ir num dia de sol, chegue cedo!
Após estacionar, para chegar efetivamente na praia, você deverá descer um caminho de pedras e rampas (nada tão perigoso), com mirantes pelo percurso.
Dica: Na maré alta/cheia (geralmente no outono e inverno), a faixa de areia some. É uma boa verificar a maré antes de ir até lá.

Mirante Dona Marta
Isa Por aí
Se você busca uma vista panorâmica da Cidade Maravilhosa, o Mirante Dona Marta é o lugar certo! Da Zona Norte à Zona Sul, é possível observar o Maracanã, a Baía de Guanabara, o Aterro do Flamengo, a Lagoa Rodrigo de Freitas e o Cristo Redentor!
Ao chegar no estacionamento do mirante, você terá duas possibilidades: de um lado uma escada de pedras leva até o mirante propriamente dito e do outro, um heliponto garante um lindo visual do Cristo Redentor mais de pertinho e da Lagoa Rodrigo de Freitas! O passeio vale muito a pena e o melhor: é possível chegar lá sem fazer nenhuma trilha e é gratuito!
Como chegar?!
Não há ônibus que leve ao mirante. As melhores formas de chegar até lá em cima são: de carro ou através de uma trilha que se inicia na favela Santa Marta (pacificada).
De carro: siga para o Cosme Velho pela Ladeira dos Guararapes, na direção do Corcovado. Em seguida, haverão placas indicando para o Mirante, o acesso é bem fácil! Como já mencionado, há estacionamento no local, sendo necessário colocar o cartão no veículo (R$ 2,00 para cada 2h de permanência).
Por trilha: o caminho é ir até o morro Santa Marta, subir ao topo da favela pelo elevador e seguir pela trilha que leva entre 30 e 50 minutos (grau de dificuldade médio).

Mirante do Sacopã
Isa Por aí
Para mim é a melhor trilha em custo-benefício, subida rápida e sem grande grau de dificuldade, mas com um visual maravilhoso!
A caminhada inicia-se na entrada do Parque Natural Municipal da Catacumba, localizado na Lagoa Rodrigo de Freitas. Em um percurso de 330 metros, em cerca de 20 minutos, você chega ao mirante. Lá de cima é possível observar a Lagoa, a Pedra da Gávea, o Morro Dois Irmãos, o Jockey Club, a Praia do Leblon e o Cristo Redentor.
Na entrada do parque, há banheiros e uma pequena lanchonete.
Como chegar?!
A trilha fica no Parque Natural Municipal da Catacumba (Av. Epitácio Pessoa, 3000 – Lagoa), próximo ao corte do Cantagalo. Para chegar ao parque, você poderá ir tanto de carro quanto de transporte público.
De carro: não há estacionamento no local. Uma boa opção é o estacionamento ao entorno da Lagoa.
De ônibus: procure uma linha de ônibus que passe pela Av. Epitácio Pessoa.
De metrô: desça na Estação Cantagalo, ande na direção do Corte do Cantagalo, passando por ele e contorne a Lagoa pela direita. Em 10 minutos de caminhada, você avistará a entrada do Parque.
Horário de Funcionamento:
Terça à domingo, das 8h às 17h (até às 18h no verão).

Bom, o Rio de Janeiro conta com inúmeras possibilidades quando o assunto é atividade ao ar livre, porém essa breve lista já é um começo se você deseja explorar essa cidade maravilhosa!
Isa Por aí

Parabéns Mari! 🎂🎁🎉🎊 @sarahbbrito @vitor_eboli @marianaserenario @renatinhadns @paula.ferpat @clari_carneiro @leticia_vidigal

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1 ANO DE “ADULTA,EU?!”. OBRIGADA!

clari e sarah
Filosofo por temperamento, liberal por educação.
Sabia fazer-se agradável
Sua força e Fraqueza eram a bondade.
Um sopro de felicidade acompanhava suas esperanças impalpáveis.

Deleitava-se com a brisa fresca e o suspiro doce do mar.
Os sinos soavam ao longe,
Enquanto um canto de pássaros vibrava algures.
Fechou os olhos deslumbrado pelo esplendor
Era o seu sol, sua aurora, seu momento.

Começava sua existência e raiavam suas esperanças
Estendeu os braços para o espaço radioso como se quisesse envolver o sol
Tentou gritar algo tão sublime quanto a eclosão do dia
Parecia-lhe, então, que apenas três coisas na vida eram belas: o sol, o firmamento e o mar.

Permaneceu paralisado com entusiasmo impotente.
Vinham-lhe as alegrias desordenadas,
Pressentindo a aproximação de misteriosas felicidades.

Seguiu pela alameda plantando passos,
Permitindo-se longa horas imerso em pensamentos.
Porque é próprio de cada coração imaginar que foi o primeiro a sentir?
O mar substituía a voz e os sentimentos tornavam-se silenciosos.

SBB

Clari e Sarah

Clari,

Era necessário um post comemorativo. Como você me abandou nesse calor do RJ, não pudemos escrever juntas.

Alias, somos duas desnaturadas por somente perceber que o Blog fez um ano dia 16/02 quando vieram cobrar a fatura! RS! Já que você não ta aqui para limitar as fotos bizarras se prepare. Elas virão!

Obs: Você considera a foto acima louca? Eu acho fofa! Esse foi o dia do seu niver que eu derrubei geral no chão. E que todas eramos namoradas do Bernardo, isso deu ruim.

amigos

Agradecemos primeiramente a nossa família que nos permitiu a existência.

Ao nosso grupo central de amigos que resiste a algo entorno de 16 anos?!

Agradecemos aos amigos que foram se unindo a nós e garantindo que tudo pode faltar, menos o AMOR.

Partiu, uma linha do tempo?!

amigos

Na escola, eramos o grupo Nerd descolado. Nunca entendi muito bem como fomos parar ai. Mas uma coisa eu sei a “turma E” era a melhor em notas e a melhor dos esportes.

Por mais incrível que pareça eu ganhei medalha de ouro no basquete da 5ª – 8ª série (até quando eu era obrigada a jogar na “Abeliada”). Obviamente, não era por causa da minha habilidade. Devemos a proeza a Souza, Isa e Juliana (que também eram muito competitivas, somos todos competitivos de certa forma).

amigos

E em 2005 teve disney! Eu, Mari, Clari, Isa, Tássia, Ana e Renata C.!

Foi quando descobri que sou uma louca por adrenalina e Clari descobriu que não.

Assim comemoramos os 15 anos. Eu e Clari eramos 2 mocinhas que acreditavam que era possível ficar bêbada com Guaraná Antártica. E certamente não tínhamos a menor noção da maldade do mundo.

amigos

Na copa do mundo ia a caráter (todo mundo ainda vai a caráter).

A gente comia bolo de chocolate que sempre tinha na casa do Be. Que parou de ter porque ele virou fitness. (Saudades do bolo Berelindo)

Obs: Lembram que a gente levou bolo pro professor de geografia nesse dia? Não bastava ser representante de turma, tinha que ser puxa saco!

amigos
amigos
Falei que ia ter foto constrangedora! Obs: Repare o modelo de celular da Luiza! Obs 2: Repare como a gente tava preta. Obs 3: Preta de sol, não de sujeira.

A gente excluía os meninos na FF, pode chamar de Feme Fatale ou Farra Feminina. Quando a gente tentava sempre virar a noite jogando milhões de jogos.

A Luiza mandava super bem no perfil. 1 dica: “toulouse lautrec”! Obs: Nunca mais joguei com ela. Não gosto de perder. Já disse que sou competitiva?!

amigos

amigos

E eramos nerds com muitos eventos sociais. Não faltou praia, churrasco, piscina, viagem.

Eu e Clari sempre tivemos um pique meio maluco e ideias inocentemente inconsequentes que é melhor nem comentar aqui. Nunca nada deu tão errado, então está tudo bem!

amigos

Começou a faculdade:

  • Eu fui desenho industrial PUC e depois arquitetura UFF (Graças aos Ceus).
  • Clari foi engenheira ambiental (UFF) e depois farmaceutica (UFRJ)
    Enquanto que na escola a gente vivia estudando para simulação da ONU!

Conclusão? Adolescente não sabe o que quer estudar. Entendam isso de uma vez!

amigos

amigos

amigos

A faculdade e a solterisse nos “ensinou” a beber. Na verdade não, todo mundo sabia beber melhor que a gente. Perdíamos tempo deslumbrados com arvores e fazendo coisas estranhas que as outras pessoas não faziam mais. Nosso grupo ainda bebe pouco, comparados aos demais.

Casa Rosa, Casa da Matriz, Boate Praia, Pista 3, Matriz, Baroneti, Hideway, Cine Ideal, dentre outras. Leia-se: Balada alternativa, Balada Hetero, Balada de Playboy, Balada Super Gay.

Chegávamos as 23h para não ficar na fila e saiamos as 6:30 para voltar no primeiro ônibus. Porque essa é a sina de quem habita Niterói e quer ir para uma festa descente.

Hoje dá 3 da manhã e está geral cochilando. Deixa o Rio para semana que vem!!

amigos

As reuniões periódicas na casa dos amigos continuaram… Comigo sempre desmaiando de sono em algum determinado momento.

Ainda tem churrasco de dia das crianças, Amigo Oculto de natal. FF, agora permitimos meninos. Final de ano na casa do pai do Bê.

Hoje tem muito agregado no grupo (coisa que era impensável na 5ª série, nossa sala tinha lista de espera de tanta gente).

E o grupo troncal ganhou ramos, outros grupos e os irmãozões e irmãozinhos passaram a frequentar nossas festas. O que ainda é um pouco estranho. Então tentamos não ser tão egoístas com nossos novos amigos.

amigos

amigos

Ah! Eu e clari passamos diversas vibes: rockeira, alternativa, patricinha. O que evidencia são os nossos cabelos.

Hoje nos contentamos com o termo “peculiar”. Somos diferentes e curtimos muito isso.

E Teve show de metal, rock, e coisas que não sei porque fomos parar lá. Com direito ao drama de ex. Obs: Camila, Olha nós duas de cabelão!

amigos

Eu formei e tomei o porre da minha vida.

Clari me levou ao banheiro e tivemos uma das conversas mais loucas em frente ao vaso sanitário, que eu não me lembro, mas ela me contou. E eu sei que era verdade.

Ela se arranjou e eu arranjei uma ambulância!

“NÃO ME FURA, NÃO ME FURA, NÃO ME FURA!” SBB, Maio de 2015

Obs: Glenda Maria, despencou de Dubai para o Brasil e me fez sentir a pessoa mais amada nesse dia! E me viu bêbada que nem um gambá! <3

OBS2: Existem videos que comprovam que vocês estavam completamente loucos também. 

OBS3: A Paula era a unica sóbria, o que não tem nada a ver com normalidade.

amigos

amigos

2017. Seguimos unidos.

Teve Briga. Teve amor. Teve discórdia. Teve fofoca. Teve namoro. Teve pegação.

Teve gente que chegou e sumiu. Gente que ficou sempre (até agora). Gente que do nada retornou.

Teve MUITA DEDICAÇÃO. MUITAS HORAS DE ESTUDO. MUITO TRABALHO. MUITO COMPROMETIMENTO.

E só me resta mais uma vez agradecer a todo mundo que contribuiu para nosso amadurecimento.

Seguimos LEVE, sem mágoas, cheias de amor, de histórias para contar e talvez realmente seja algo maravilhoso não conhecer todos os desdobramentos intrínsecos da arte de viver.

Mas PACIÊNCIA! Afinal, percebemos que ninguém acorda um dia e pensa: ME SINTO ADULTO! SEI TUDO O QUE PRECISO!

sarah adulta eu

OBS: ta faltando muuuuuito amigo aqui! Graças a Deus! É que tinha que englobar eu e Clari. Não me matem ou deixem de me amar! Eu amo muito todos vocês que me ajudaram a ser quem sou hoje! E a Clari também (apesar de eu não ter confirmado nada disso com ela)!

OBS2: OBRIGADA, CLARI! Seguimos projetando! Volte logo! <3

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Minha colcha de retalhos

Nicole

A memória nunca foi minha grande aliada, porém, recordo sempre do dia em que, aos prantos, fui consolada porque não gostaria de fazer oito anos, não queria crescer

Vinte anos depois, a memória continua não sendo meu forte, enquanto a percepção das coisas e o hábito de fazer (muitas) análises sempre o foram… Torturando, inúmeras vezes, mente e coração, mesmo quando infantis.

O pavor de crescer era muito maior que o simples desejo de ser Peter Pan e brincar para sempre; enraizava-se no medo de não conseguir ser capaz de fazer tudo que meus pais faziam, pagar por todas as despesas que os observava tendo comigo e meu irmão. Em partes, as raízes desse medo permanecem vivas…

Tornar-me adulta e me perceber como tal foi, muito além de um momento, um processo. Longo, por vezes doloroso, mas imensamente gratificante e do qual jamais retocaria uma experiência sequer.

O primeiro passo foi, definitivamente, a entrada na universidade e a consequente mudança para Niterói. A cidade natal de menos de 200 mil habitantes, o familiar colégio onde estudei por treze anos, o quarto repleto de roupinhas lavadas pela mamãe foram substituídos pela Universidade Federal Fluminense – um universo complexo naqueles meses iniciais -, por um beliche no quarto dividido, por semestres sem nenhum amigo na cidade onde eu era forasteira. Mas o caminho não foi de todo amargo comigo; o primeiro semestre foi tranquilo, a cidade era mais caminhável que eu imaginava, o mercado bem próximo…

Depois, mudei-me cinco vezes. Em cada república, uma história… De chegar de férias e ver todas as minhas coisas embaladas no meio da sala, com todo o apartamento em obras, até realizar mudança com amigos carregando meu colchão nas costas, de ter um rato gigante na república mais imunda já vista (e única com vagas), a morar com oito mulheres em uma casa de apenas um banheiro e normas – muito – rígidas. Até, enfim, descobrir a delícia de compartilhar um quarto, um chá, de acordar de madrugada para fazer festa surpresa para a amiga de república, de aprender a partilhar – bolo, conflitos, viradas de noite -, tolerar, respeitar o espaço do outro… E viver verdadeiros encontros de almas; construir amizades profundas e maduras durante cafés na mesa da cozinha comum.

Após tantas mudanças, dos estágios, e de todas as experiências que expandem nosso horizonte e evidenciam que, bem, nem o mundo é tão grande assim, consegui uma bolsa de intercâmbio e fui, com mala, medos e um francês mequetrefe, viver um divisor de águas na minha vida, não sem antes uma pequena saga… A novela mexicana começou quando meu visto levou seis meses a mais que o esperado para ser aprovado, sendo necessária consulta médica para mostrar que, sim, eu viveria bem os 14 meses no Canadá… Cancelei e adiei três vezes a passagem de avião, paguei dois meses de aluguel, tranquei a faculdade – pois não tinha mais matérias a cursar – e voltei para minha cidade natal, sem nenhuma perspectiva. O visto chegou vinte dias antes do outro semestre começar… Ainda assim, cheguei a ir ao aeroporto, não embarcar e adiar a passagem mais dez dias… Este tempo, onde tudo parecia dar errado, foi a maior lição que quase nada depende exclusivamente de nós. O estômago gritou, a ansiedade me fez refém, e os quase dez meses de espera deixaram a certeza que devo fazer o que está ao meu alcance, mudar o que pode ser modificado, mas aceitar aquilo em que não posso interferir.
Nicole
Ultrapassada a fase de incertezas e esperas, vivi alguns dos melhores meses da minha vida. Montreal me proporcionou o mais profundo mergulho em mim mesma – a distância de tudo que me era conhecido facilitou o processo de compreensão de quem sou; o que estimo, o que não tem valor e não merece minha energia. A experiência de viver em um lugar onde o que julgava ser impossível existe, onde a gentileza é constante, onde as ruas têm balanços musicais e pianos públicos acendeu esperanças de dias melhores. Além disso, não havia por perto mãe que pudesse ajudar pregando, sequer, um botão… Se nas repúblicas aprendi a lavar copos, o banheiro, e cozinhar macarrão, no inverno rigoroso aprendi a cuidar de todas as tarefas que meu viver abarca, das menores às mais chatas, como andar pela neve com (muita) roupa suja para a lavanderia. Há, porém, um pequeno prazer escondido nestas coisas triviais… Só quem deitou cansado depois de uma faxina sabe o prazer que o cheiro do desinfetante no piso proporciona!
Nicole
Na cidade tão distante das praias de minha cidade natal, percebi-me responsável por mim mesma, em cada minúcia, descobri um momento de aquietar minha mente na execução das tarefas domésticas, dividi trabalhos e almoços com amigos e tive ainda mais certeza que partilhar é mágicotorna leve o que faz sofrer, multiplica as alegrias… Voltei com o coração cheio de saudades, a cabecinha cheia de referências arquitetônicas, o caderninho repleto de receitas, e os dias, sempre, preenchidos com a companhia dos amigos-irmãos que lá encontrei.
Nicole
Hoje, aos quase vinte oito anos, compreendo o amadurecer como esta fase única e decisiva onde ressignificamos nosso mundo… Alocando cada coisa (e pessoa) em seu devido lugar, estabelecendo nosso horizonte de sentidos, reescrevendo os sonhos infantis e readequando as metas, nos lapidando, a cada instante, como o ser único que somos: compreendendo o que faz parte de nós e o que nos impuseram, aprendendo a nos escutar e nos acolher, aceitando que há coisas que precisamos, enfim, fazer e outras tantas que não somos obrigados a tolerar.
O início da vida adulta é a lindíssima trajetória onde cada dia é uma busca pela independência e liberdade, onde nos deparamos com todas os retalhos de nossa vida até então e, pela primeira vez, sem tutores ou quem decida por nós, tramamos nossa colcha de sentidos, eliminando o que não deve permanecer, priorizando o que nos faz bem e nos constrói, adicionando o que encontramos de novo pelo mundo e toca nossos corações.

Ainda que seja confuso e doloroso romper alguns padrões, com os quais vivemos desde que nos recordamos, perceber-se autor de sua própria história é, não somente maravilhoso, como a melhor forma de se alegrar ao enxergar no espelho, vinte anos depois, a mulher que celebra seus vinte e oito anos. E não chora mais por isso… E se ama por ser quem lutou para ser; onde cada retalho de sua colcha está exatamente no local que decidiu costurar.

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Prática inteligente: Mindfulness

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A atenção plena (mindfulness) estimula a rede de atenção que tem a função de desligar seu foco de uma coisa, transferi-lo para outra e permanecer naquele novo foco de atenção. Outra melhoria-chave está na atenção seletiva, ou seja, inibição da força das distrações. Essa função permite focar no que é importante em vez de nos distrairmos com o que está acontecendo ao nosso redor. Essa é a essência do controle cognitivo.

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Um dos maiores benefícios para os estudantes é a compreensão. Mentes divagando geram buracos na compreensão. O antidoto para divagação da mente é a metaconsciência, a atenção a própria atenção, como na capacidade de perceber o que você não está percebendo, o que deveria estar percebendo e corrigir o foco.

Há também os efeitos relaxantes. Esse impacto fisiológico sugere uma redução no ponto de ajuste para estimulação do circuito do nervo vago, a chave para habilidade de manter a calma em situações de estresse e se recuperar rapidamente de aborrecimentos. Ou seja, as pessoas têm mais condições de administrar tanto a atenção quanto suas emoções. Na esfera social, podem criar relacionamentos positivos com mais facilidade e ter interações mais efetivas.

Praticamente qualquer variedade de meditação recicla nossos hábitos de atenção – especialmente a rotina-padrão de uma mente divagando. Quando os tipos de meditação foram examinados – concentração, geração de bondade e consciência aberta – todas as técnicas acalmaram as áreas da divagação da mente. Ficamos mais envolvidos com o mundo.

Como isso funciona no cérebro? A atenção plena fortalece as conexões entre as zonas executivas pré-frontais e a amígdala (emoções), especialmente os circuitos que podem dizer “não” aos impulsos – uma habilidade vital para atravessarmos a vida.

Uma função executiva aprimorada significa uma distância mais ampla entre o impulso e a ação, em parte por produzir a metaconsciência, a capacidade de observamos nossos processos mentais em vez de apenas sermos dominados por eles. Isso cria pontos de decisão que não tínhamos antes: podemos oprimir impulsos incômodos que normalmente nos levariam a agir.

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Quanto mais o número de respostas “sim”, maior a probabilidade de você fechar a mente em vez de sintonizá-la. A atenção plena possibilita um maior nível de escolhas de foco. A falta de atenção, na forma de divagação da mente, pode ser a maior fonte de desperdício de atenção no local de trabalho e na vida de forma geral.

O foco em nossa experiência no aqui e agora – como na tarefa em execução, na conversa que estamos tendo ou na construção do consenso numa reunião – demanda que desliguemos o “eu”, aquele-fluxo de pensamento que gera o mosaico mental de coisas todas-sobre-mim irrelevantes ao que está acontecendo agora.

O mindfulness desenvolve nossa capacidade de mirar nosso foco no presente observando nossa experiência momento a momento de uma forma imparcial e não reativa. Nós praticamos o abandono de pensamentos sobre qualquer coisa e abrimos nosso foco para o que que que nos venha à mente no fluxo de consciência, sem nos perdermos num fluxo de pensamentos sobre uma única coisa.

Produzir controle executivo ajuda especialmente àqueles de nós para quem qualquer contratempo, mágoa ou decepção cria cascatas intermináveis de ruminação. A atenção plena permite que bloqueemos o fluxo de pensamentos que poderia, de oura forma, nos levar a afundar na tristeza ao modificar nosso relacionamento com o próprio pensamento. Em vez de sermos arrebatados por esse fluxo, podemos fazer uma pausa e ver que são apenas pensamentos – e decidir se iremos ou não fazer algo a respeito deles.

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Há também o conceito multitarefas, a ruína da eficiência. Ser “multitarefa” na realidade significa trocar o que está preenchendo a capacidade da memória de trabalho – e interrupções rotineiras de um determinado foco no trabalho podem significar minutos perdidos para a tarefa original. Podem ser necessários de 10 a 15 minutos para o foco total ser recuperado.

Já existem diversos cursos voltados para essas práticas no dia-a-dia: Universidade Google “Busque dentro de você”; Inner Resilience Program; Centro da mente Contemplativa; Institute for Mindful Leadership; Center for Contemplative Mindfulness-Bades Stress. E se você acha que estou falando história para boi dormir, gostaria de salientar que empresas como: Google, Target, Cargill, Honeywell Aerospace, tem obrigado seus funcionários a tomar parte nesses cursos.

“Os participantes disseram que se tornaram mais capazes de utilizar estratégias de autorregulação – como redirecionar a atenção para aspectos menos perturbadores de situações delicadas – no calor do momento em que suas atenções estavam sendo sequestradas. Eles estão promovendo a preparação do músculo da atenção para escolher qual aspecto da experiência devem observar.  Eles são mais capazes de usar essas habilidades de atenção quando elas se mostram realmente necessárias. Também descobrimos um aumento da preocupação empática pelos outros e uma capacidade de ouvir melhor. Um é uma atitude, o outro é a habilidade em si, o músculo. São coisas vitalmente importantes no local de trabalho.”

Philippe Goldin, psicologo de Stanford avaliador do programa da Google “Busque dentro de você”

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Nós podemos julgar mal o que fará com que nos sintamos bem, se não nos propusermos a nos conhecer melhor. A maioria dos líderes simplesmente não faz pausas, mas todos precisamos de um tempo para refletir. Reservar algum tempo regular para refletir na agenda diária ou semanal pode ajudar a vencer a hiperatividade habitual, avaliar a situação e olhar adiante. Precisamos construir uma sociedade com triplo foco: em nosso próprio bem-estar, no bem-estar dos outros e nas operações dos sistemas mais amplos que moldam nossas vidas.

Uma proposta seria prestar mais atenção à forma como usamos nosso dinheiro, corremos o risco de sermos vítimas de anúncios sedutores de produtos que não nos deixarão nem um pouco mais felizes.

Dados econômicos globais mostram que quando um país atinge um nível modesto de renda – o suficiente para as necessidades básicas – não há qualquer relação entre felicidade e riqueza. Coisas intangíveis como relações afetuosas com pessoas que amamos e atividades significativas tornam as pessoas muito mais felizes do que digamos, fazer compras ou trabalhar.

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É intrigante que Singapura tenha se tornado o primeiro país do mundo a exigir que todos os alunos passem por um Programa de Aprendizagem Acadêmica, Social e Emocional. O Governo fez parceria com o Psicologo Roger Weissberg, e passou a elaborar os planos de aulas com base em inteligência emocional.

Essa minúscula cidade-Estado representa uma das grandes histórias de sucesso econômico dos últimos cinquenta anos, exemplifica como um governo paternalista transformou uma nação diminuta numa potência econômica. Sendo assim, o segredo desse sucesso está no seu povo que o governo cultivou intencionalmente esses recursos humanos como propulsores de sua economia.

sarah adulta eu

Referencias:
Norman Farb et al. “Attending to the presente: Mindfulness Meditation Reveals Distinct Neural Modes of Self-Reference, Social Cognitive Affective Neuroscience 2, n 4 (2007):313-322
Aviva Berkovich-Ohana et al. “Mindfulnesse-Induced Changes in Gamma Band Activity 123, n 4 (Abril de 2012): 700-710
Richard J. Davidson et al., “Alterations in Brain and Immune Function Produced by Mindfulness Meditation!, Psychosomatic Medicine 65 (2003): 564-570
Frederickson, Barbara, Love 2.0
Stephen W. Porges, the Polyvagal Theory. Nova York: W. W. Norton & Co.,2011
Richard Davidson “Centro para investigação de mentes saudáveis”
Nathaniel R. Riggs et al., “The impacto f Enhancing Students” Social/ Emocional Learning: A meta-Analysis of School-Based Universal Inventions”, Child Development 82, n.1 (2011): 405-432

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Olhar para dentro: por que não?

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A minha geração, fim dos anos 80/início dos anos 90, é a geração das promessas. Fomos nos desenvolvendo como profissionais em um mundo de franco crescimento – plenitude de empregos, oportunidades, o Brasil despontando como o país do futuro. O tempo passou, fomos para faculdade , nos formamos e a conjuntura mudou. Da euforia ao estado de crise. Da abundância à austeridade. Sempre fui uma pessoa de planos, virginiana de sol, lua, mercúrio e virgem.
Quando me formei oficialmente, em abril de 2014, percebi, entretanto, que meus planos não se encaixavam mais no mundo real. Não só isso: percebi que enfrentava tantos conflitos internos que tudo que eu havia traçado para o meu futuro não teria como se concretizar.
Enfrentei um período de depressão e bulimia muito difícil. Confusões familiares constantes. Por algum tempo me vi perdida, sem vontade de recolocar a minha vida nos eixos. Não via saída para os problemas mais simples e reclamava de tudo. Até esse estado emocional me levou a ficar realmente doente – graças à bulimia, tive um problema renal gravíssimo, que me levou à internação por dez dias e me impossibilitou de fazer uma prova para qual eu havia estudado por quase oito meses.
Esse foi o turnpoint para uma mudança que não foi planejada e que eu não tinha concretude da sua dimensão. Decidi que queria mudar tudo de vez e de uma só vez. Comecei a reestruturar meu currículo, procurar oportunidades de emprego. Aceitei a terapia como uma oportunidade de melhorar. Aprendi a deixar ir e me desapegar do que me fizesse mal, ainda que isso representasse afastar amigos. E também aprendi a valorizar quem realmente se importava. As coisas fluíram de modo que consegui um novo emprego e, graças a isso, acabei de tendo que me mudar.
No início não foi fácil. Do conforto da minha casa, fui para uma República, morando com diversas pessoas, aprendendo a dividir desde o banheiro à rotina. Afinal, o salário de um recém-formado não permitia luxos. Troquei o chopp de sexta pela marmita da semana. Troquei a blusa nova por produto de limpeza. Vivi um bom tempo na base de trocas, na base do frio na barriga, na base do lápis, papel e calculadora. Aprendi a importância de valorizar a comida, valorizar o custo das coisas, valorizar o tempo. E mais ainda: aprendi a me ouvir primeiro antes de ouvir os outros. Isso acabou me fazendo aprender a aceitar também estar sozinha (logo eu, que sempre fui tão rodeada de gente).
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Hoje eu já mudei de emprego de novo, já estou em outra casa e a vida financeira está mais calma. Graças às economias e aos extras, consigo juntar dinheiro para poder viajar nas férias e pude realizar o sonho de adotar um cachorro, que hoje alegra a volta do trabalho de segunda a sexta e me ensina a compartilhar amor.

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Faço minhas concessões todos os dias, toda semana, o que é difícil, mas sei reconhecer que vale a pena (faz mais de sete meses que não vou para uma festa, por exemplo; quase não peço comida e sempre estou vendendo e comprando roupas usadas). As mudanças sempre nos provocam sentimentos variados, não necessariamente prazerosos, eu confesso.

A exaustão de todo esse processo me fez ficar afastada de diversos amigos – alguns por opção, outros por conta do corre-corre mesmo. Aliás, esse talvez tenha sido o maior aprendizado dentre tantos: deixar ir. Não precisamos ouvir críticas a todo tempo nem que as pessoas interfiram na nossa vida de um modo que nos machuque. Aprender a dizer não é um dos primeiros passos para aprender a dizer sim para si mesmo, priorizar as suas vontades em detrimento dos outros. Não dói e eu recomendo.

“Mas Ana Luíza, o que mais você quer?”. Não é fácil não estar no lugar que planejamos no passado. Não é fácil ver que nem tudo funciona exatamente como queremos. Não é fácil trabalhar tanto todo dia, fim de semana e ver que você já (realmente) não é tão jovem assim. E ao mesmo tempo se sentir jovem o suficiente, com vontade de largar tudo para ir viver de qualquer loucura pelo mundo. Não é fácil entender que o seu ritmo de vida e as suas escolhas não necessariamente serão as mesmas de outras pessoas da sua idade – ou ainda que sejam, o resultado nem sempre é o mesmo. Cada pessoa é diferente, cada pessoa tem a sua própria trajetória. O nosso termômetro não deve ser a vida do outro, mas deve ser a nossa vontade (e por que não a nossa sorte?). Aprendi a parar de me comparar aos outros, na medida do possível. O autoconhecimento dos últimos três anos foi e tem sido essencial para tentar compreender o momento que estou e para onde pretendo ir.
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Se sou feliz, acho que só a Ana de alguns anos vai poder dizer. Sei que continuo caminhando, aprendendo sempre a olhar para dentro antes de olhar para os lados. E, especialmente, descobrindo várias Anas que eu nem sabia que existiam aqui dentro.
Apresentação1

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Diário de Bordo

luiz veiga arquiteto

Como vamos viver a nossa vida está diretamente ligada a maneira que você enfrenta um rio. Você pode se esforçar em tentar ter controle se equipando e preparando, ou você pode se deixar levar. Passamos pelo 1/3 da nossa vida sendo guiados, fluxo leve, familiares nos mostrando o caminho e apenas seguimos sem questionar. Nunca vi nada de errado. Por que veria? Esse tal ‘futuro’ estava logo ali na frente, virando a curva. Preciso estar preparado.
Mesmo correndo atrás de equipamentos nunca planejei meu trajeto, sempre aproveitei o máximo do que me aparecia. Aproveitei a viajem, apreciei a vista e levei o que pude comigo. Passei por quedas e águas tranquilas. Errei a bifurcação? Várias vezes. Nessas horas peguei minhas coisas e pensei em voltar atrás, mas sempre desisti e me deixei guiar pelo fluxo. Por que mudaria? Eu que decidi seguir esse caminho, vai que ali na frente melhora? E melhorava. É fácil seguir um caminho com pedras? Não. Mas esse tal futuro está ali na frente, não posso perder tempo. Vai que aprendo alguma coisa?

Meus equipamentos me ajudaram a ir a lugares incríveis, e como um rio sem correnteza me peguei entrando em novas águas sem sentir, me especializando na minha área de trabalho, vendo amigos virem e irem e descobrir o que não quero para minha vida.
A pressão é visível, você sente principalmente quando parece que tudo não está dando certo. Contas a pagar, vida social, horário de trabalho, graduação… você vai passando por trechos do rio sem saber que elas estão apenas te preparando para uma grande queda.

Back to the grey city

Uma foto publicada por Luiz Veiga (@luiz_veiga) em


Sempre tive uma rede de suporte, talvez por isso que sempre me deixei levar com tanta facilidade, mas nem essa rede de suporte me preparou para 2016. Recém-formado, não efetivado e dinheiro limitado. Se passam meses e nada. Dinheiro acabando e sensação de derrota. Me chamam para trabalhar em São Paulo. São Paulo. Eu, um cara de Niterói, recém-formado, com meses desempregado e agora com oportunidade de trabalho (pasmem) na minha área de especialização na maior cidade do país. Frustrando todo o imaginário holístico, o libriano estava mudando para a maior cidade do País em um piscar de olhos.

Me pego sentado experimentando um sofá em uma loja de móveis, fazendo contas imaginárias e perguntando ao vendedor os métodos de pagamento. Mas como farei isso? Junto? Parcelo? Será que conseguirei pagar a parcela daqui a dois meses? Posso me dar ao luxo de não ter esse valor mensalmente? E a conta de luz, condomínio, aluguel, internet, TV a cabo, celular etc?

A ficha cai.

Independência, essa é a palavra.

Essa é a cara da independência, você estar por si só. É a sua casa, sua vida… de ninguém mais. Pisco e me percebo a milímetros da grande queda d’água que tanto me planejei enfrentar a vida toda.
Sabe aquele tal ‘futuro’? Ele é o hoje e se chama vida adulta, a minha independência forçada. A rede de segurança funciona a distância e meus equipamentos que tanto batalhei para ter parecem palitos Gina em minhas mãos. O ‘ser adulto’ chega de mansinho como um crocodilo. Você se sente preparado, mas realmente nunca vai estar. O sofá é meu, eu que pagarei. A dívida é minha. Contas a pagar aprendemos desde cedo que elas chegam. Mas ter um aluguel em seu nome dá um novo significado ao medo. Mas assim como o rio, a vida não para aí e a viajem não deixa de ser estimulante. A final, é meu sofá, e minha conquista! O primeiro susto é grande, não vou negar. Te marca como muitos outros ‘primeiros’ que existiram e que existirão, e mesmo com medo você segue tendo novas experiências, conhecendo novas pessoas, observando a vista e aproveitando a viajem.
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