A nova onda do Imperador: Cusco em 5 dias

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Bom, eu acabei de voltar de Cusco, no Peru, e resolvi contar um pouco sobre como foi a viagem. Eu mesma planejei quase tudo e fiquei bem feliz com o resultado! 🙂
Então, vou começar pelo tempo de viagem: meu roteiro é de apenas 5 dias, mas se for possível aconselho ficar mais tempo. Eu tinha lido em vários blogs que 5 dias era suficiente para conhecer a cidade, mas não estava contando que em dois desses cinco dias eu passaria viajando e não poderia aproveitar tanto a cidade. Acredito que o tempo ideal seria de 7 dias, assim poderia visitar os lugares básicos do roteiro turístico que ficaram faltando e ter um tempinho a mais de explorar a cidade.
Começamos então pegando o avião de 5h40 aqui no Rio e acho que a maioria dos vôos pra lá saem nesse horário já que os outros brasileiros com quem conversei durante a viagem disseram ter viajado nesse mesmo horário. Apesar de ter que chegar no aeroporto mais ou menos 3h da manhã, pra fazer o check-in e ir pra sala de embarque até que não foi tão ruim. Eu com meus incríveis 1,57 cm de altura e anos de treinamento estudando de manhã, consigo me acomodar bem e dormir em qualquer lugar, então nem senti tanto a viagem (na verdade, até prefiro viajar de noite porque passa mais rápido). Nosso vôo tinha conexão em Lima, então chegamos no hotel em Cusco entre 13h e 14h da tarde.
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Logo que chegamos já tivemos nosso primeiro susto: o câmbio era bem diferente do que tinha pesquisado, mas precisávamos de dinheiro e resolvemos trocar ali mesmo no aeroporto, que costuma ser mais caro. Pagamos 1 real para 85 centímos de soles x_x! E aqui entra a segunda dica: não troque muito dinheiro! Apesar do câmbio ser bem abaixo do que esperávamos ficamos com dinheiro sobrando no final, que acabei gastando em coisas inúteis. No final, eu gastei menos de 200 soles em cinco dias, para as coisas comuns do dia-a-dia, tipo comida. Como a gente não queria viajar só com real, levamos dólares também porque lá eles também aceitam e pagamos o pacote dos passeios assim. Não é difícil achar casas de câmbio lá, na verdade, até barraquinhas de artesanato faziam isso, mas trocavam principalmente dólar e euro.
Como ficaríamos pouco tempo e deixamos pra comprar todos os tickets e passeios lá tínhamos que resolver isso logo no primeiro dia, que é um dia que você não deve fazer muito esforço por causa da altitude. (Eu não senti nada do soroche, mas levei as recomendações a sério e procurei não me esforçar muito no primeiro dia.) Enfim, tudo isso pra falar que compramos o pacote do nosso taxista. Sim. Do taxista do aeroporto.
A gente pegou o táxi do lado de fora, porque o primeiro cara do lado de dentro que nos abordou falou que custaria 50 soles até o hotel e tínhamos acabado de levar uma facada com a taxa de câmbio, então eu só ri da cara dele e fui embora. Do lado de fora a gente encontrou esse cara e conseguimos pechinchar o táxi pra 20 soles e nisso fomos conversando. Ele perguntou se já tínhamos um roteiro e começou a explicar um pouco sobre isso. Chegou até a parar em frente ao “escritório” dele, ou seja, uma rua esquisita que tava com tudo fechado (depois descobrimos que era feriado), mas pedimos pra ele nos deixar primeiro no hotel para pensarmos e fazer as contas pra ver se o valor realmente valeria a pena. No final a gente nem procurou muito, estávamos sem paciência e queríamos resolver logo isso. Só entramos em uma agencia na praça das armas e que nos atendeu muito mal, então fechamos com ele mesmo. Foi arriscado, sim, mas deu certo.

Chega de enrolação: vamos ao city tour! Foi nosso segundo dia na cidade e primeiro passeio. Um cara foi lá no hotel de manhã deixar nossas entradas e avisar que alguém nos buscaria 13h15 da tarde. Aproveitamos a manhã pra andar em lugares perto do hotel, mas como estávamos meio perdidas ainda e com medo de sentir algum mal de altitude, não rendemos muito nessa caminhada. Enfim, a pessoa foi lá buscar a gente e nos levou para o primeiro lugar – Qorikancha. Percebemos que o boleto turístico da minha prima estava no nome da mãe dela (por algum motivo eles confundem) e acabamos ficando presas do lado de fora tentando resolver isso. Pegamos o grupo já começado com um cara, señor Jesus, que falava espanhol muito rápido e um inglês com sotaque muito forte, ou seja, a gente não entendia nada que ele falava. Esse foi um lugar que fiquei triste de ter passado tão depressa! O cara só ficava falando e falando e não nos dava tempo para ver o lugar… Talvez se o tour começasse mais cedo daria pra ver melhor. Mas por causa disso eu quase me perdi do grupo umas 5 vezes nos 30 minutos que ficamos lá. DICA: Tentem visitar Qorikancha fora do city tour! É fácil chegar, o ingresso é separado do boleto turístico e tem guias na porta do local se você desejar.
Depois a gente pegou o ônibus e fomos para Saqsayhuaman. Não lembro qual era a distância, mas como aquele guia não parava de falar parecia infinito. Chegando lá já tínhamos pegado a malicia de abandonar o grupo, já que não entendíamos nada que ele falava e estávamos frustradas com a visitação super corrida no templo anterior. A gente deu umas voltas por lá, tiramos umas fotos, mas como era o primeiro lugar do tipo e eu não conhecia nada da sua história, pra mim era só um monte de pedra empilhada. Mas, por favor, façam diferente porque depois de visitar os outros locais, percebi que esse era um dos mais bonitos na minha opinião. As construções incas são muito incríveis, tentem valorizar cada lugar que vocês visitarem por que é realmente especial. (Mas eu só fui entender isso no segundo dia, com uma guia mais legal e que era possível compreender o que ela falava).
Depois fomos a Q’enqo e Tambomachay, mas como eu não estava prestando muita atenção não lembro de quase nada. Nem vendo as fotos eu lembro qual era qual. Estou me guiando pelo roteiro escrito que a gente ganhou do guia e os furinhos que eles fazem no boleto turístico quando você visita o lugar.
Por último paramos em Puca Pucara e lá visitamos uma loja e fábrica de produtos com lã de alpaca e llama. Essa loja até que foi legal, uma pessoa de lá falou um pouquinho sobre como diferenciamos os produtos legítimos dos falsos e nos ensinou sobre as diferentes qualidades das lãs de acordo com a raça das alpacas.
Voltando para a cidade, o ônibus nos deixou perto da praça das armas e de lá voltamos pro Hotel. Eu saí para comer sozinha e acabei num bar de esportes muito legalzinho chamado La Fabrica Sports Bar. Lá eu comi um macarrão delicioso lá que custou 19 soles e era enorme. No último dia almoçamos lá também, mas dessa vez dividi com a minha prima e serviu muito bem nós duas. Eu queria muito sair e fazer algo animado e divertido, mas não tinha conhecido ninguém ainda e lá nesse bar só tinha gente mais velha então não durei muito (apesar de que estava doida pra jogar dardos!), só comi e fui embora. Outra coisa que foi ruim em ter ficado pouco tempo: não deu pra curtir muito a vida noturna da cidade.
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No fim desse intenso primeiro dia, passei 40 minutos no telefone da recepção tentando conseguir um médico pra minha prima e acabou que ela estava com intoxicação alimentar. Então ela ficou no hotel no dia seguinte e eu fui passear sozinha.
Terceiro dia: Vale Sagrado. Todos os lugares que eu li diziam que nas cidades desse lugar tinham várias feirinhas de artesanato, principalmente no domingo, mas eu não achei nada demais quanto a isso. E olha que eu fui no domingo. A guia nesse dia era muito melhor, falava de forma clara e devagar e tinha um sotaque de inglês bem melhor que nosso primeiro guia. Então posso dizer: vale muito a pena ter uma visita guiada de qualidade, você consegue entender melhor o que são aqueles lugares que você está visitando e aproveitar muito mais do que só ir lá e tirar foto. O roteiro desse lugar inclui dois lugares principais: Pisaq e Ollantaytambo. Não vou me prolongar falando de cada um deles, mas dessa vez tivemos mais tempo para explora-los por nossa conta e os dois lugares são lindíssimos! Nesse dia também compramos o pacote com almoço incluso e vale muito a pena! É um buffet liberado e com vários pratos típicos peruanos. O restaurante era na cidade de Urubamba, mas a gente só ficou dentro do restaurante mesmo. Por fim, a última cidade é Chinchero, mas, de novo, chegamos lá e já estava escuro, então só conhecemos uma lojinha de lá. Nesse lugar foi a demonstração mais legal de todas! Eles mostraram como era o processo de confecção das peças têxteis desde a lã crua, até uma manta pronta! É realmente bem legal ver como é tudo feito com ingredientes naturais e o trabalhão que dá… depois disso fiquei até com pena de pechinchar os preços.

De noite consegui achar finalmente um lugar agitado e com pessoas da minha idade. Um argentino que conheci no tour me levou no hostel dele que tinham uns eventos, tipo umas festas de noite. O lugar de chama Loki Hostel e é bem legal! Lá eu comi uma pizza e joguei Beer Pong com uma galera meio aleatória. A parte mais legal é que cada um era de um canto do mundo ali e todos estavam na mesma vibe animada e receptiva. Infelizmente fui embora meio cedo, já que no dia seguinte iria acordar 4h30 da manhã para ir a Machu Picchu.
Quarto dia: o tão esperado Machu Picchu. Esse merece uma dica logo de cara: NÃO DEIXEM SEU GUIA COMPRAR O TREM DA VOLTA TÃO TARDE!!!! Um carro nos buscou no hotel as 5h em ponto, e de carro mesmo fomos até a estação de Ollantaytambo pegar o trem. O cara só deixou a gente lá com as passagens e o ticket de entrada e mandou a gente procurar uma bandeira vermelha escrito o nome do grupo. Obviamente a gente não achou o grupo. Catei um wifi e liguei pro nosso agente turístico (a gente só comprou o pacote com ele, não o encontramos nenhum outro dia) e ele falou que o grupo já tava no trem. Entramos meio desesperados no trem e não encontramos a tal da bandeira de novo. A viagem foi boa e rápida, o trajeto é muito bonito e o trem é bem confortável, vale bastante a pena!
Chegamos em Aguas Calientes e eu resolvi perguntar pra primeira pessoa que eu vi com uma bandeira pra saber se ela tinha visto nosso grupo. Acabou que o grupo que procurávamos era o dela, mas a bandeira era azul. Como podem ver já começou tudo meio confuso e assim continua. Como a gente ainda não tinha as passagens de ônibus pra subir de Aguas Calientes para Machu Picchu ela nos deixou com outra mulher pra comprar as passagens. E que por sua vez nos deixou no ônibus com as instruções de encontrar uma terceira pessoa que seria nosso guia em Machu Picchu. Chegamos lá em cima umas 9h40 e encontramos o señor Fernando apenas 10h15. Foi tudo bem confuso e corrido, mas finalmente entramos e 6 pessoas do grupo de 8 eram brasileiros. E todos cariocas <3 O tour durou umas 3h mais ou menos e segui a dica de um amigo de não tirar muitas fotos para aproveitar bastante aquele momento porque é um lugar muito especial (obrigada, Gabriel!). Por fim, ficamos livres para andar sozinhas pelo parque mas como minha prima não tava se sentindo bem no calor (inclusive o chocolate da minha mochila derreteu, sujou tudo, e ainda ficamos com belíssimas marcas de camisa por causa do sol) voltamos para Aguas Calientes por volta de 14h30. Nosso trem só sairia 20h20. Sério. Não façam isso. Tentamos de todo jeito trocar a passagem pra mais cedo, até mostramos o atestado médico, mas não adiantou… Nós também não éramos os únicos com o trem tarde tentando conseguir vaga mais cedo.
Enfim, não deu. Rodamos aquela cidadezinha inteira umas 3 vezes. Não tem nada demais, e é tudo mais caro. Mas foi divertido. Queria ter voltado mais cedo e aproveitado mais da cidade de Cusco, mas foi legal lá também. Chegamos no nosso hotel mais de 00h.

Ultimo dia (e, nossa, como eu falo!!!): Mercado São Pedro. Usamos o resto do tempo que tínhamos sobrando para ir nos museus que tínhamos entrada por causa do boleto turístico e gastar os soles que nos tinham sobrado nesse estranhíssimo lugar chamado mercado São Pedro. O lugar é uma mistura só! A gente quis ir lá porque no primeiro dia perguntamos a uma guardinha de transito onde poderíamos comer barato e ela falou desse mercado. Era muito esquisito, não sei nem como descrever… Bem cena de filme mesmo com uns bichos mortos pendurados pra vender, pé de galinha (!!!!!!), várias moscas, etc. Mas tinham também várias barraquinhas vendendo artesanato local e era bem mais barato, então valeu a pena.
Vou deixar aqui os lugares que eu comi e lembro o nome:
-Café Perla (Esq. San Andrés com Kuychipunku, nº492): o lugar é uma graça e tem um preço bom. Lá comi uma Truta a la Plancha deliciosa.
– La Fabrica Sports Bar (Rua Santa Catalina, nº360): é um bar temático que serve tanto pra comer como pra encher a cara. Tem umas mesas com dardo e em outro andar tem também sinuca e pebolim. Fui super bem atendida e, o preço da comida era bom e o prato que eu comi dava pra dividir tranquilamente. (as cervejas e drinks eram um pouco mais caros, mas nada fora do comum, coisa de 20 soles em média)
– Loki Hostel (Cuesta de Sta. Ana, nº 601): lá você precisa de uma pulseirinha pra entrar e você usa ela pra pagar também. Não sei como funciona pra pessoas de fora já que eu entrei meio escondido e peguei as coisas com a pulseira desse meu amigo, mas lá eu dividi uma pizza que custou 12 soles e ainda sobrou uns dois pedaços. A cerveja também tinha um preço bom.
Dicas no geral:
– Atenção ao horário do trem da volta em Machu Picchu. O parque fecha as 17h, e o ultimo ônibus desce 17h30, mas dá pra conhecer tudo com calma e terminar bem antes. Acredito que o trem das 18h seja o ideal, assim você vê tudo com o guia e sem ele depois e sem ficar muito tempo atoa na cidade.
– Tente passar a semana lá, assim você terá mais tempo de explorar as ruazinhas da cidade que por si só já são belíssimas. Cinco dias foi muito corrido e não conseguimos ver tudo.
– Comprando todos os passeios num pacote só porque saí mais barato assim, mas se puder gastar um pouco mais, acho que vale a pena ir comprando separadamente e escolher guias melhores em uma língua que você entenda! Dessa forma você escolhe os lugares que vai passar mais tempo e aproveitar tudo que o lugar e sua história podem proporcionar.
– Se você quer calma, e valoriza sua cama e banheiro fique numa pousada. Mas caso esteja interessado em conhecer gente nova, fazer amigos e curtir a noite cusqueña aconselho um hostel, lá tem várias opções para todos os gostos.
– Ficamos hospedados na pousada La Casona de Rimacpampa. Lá só serve café da manhã, que nem era tão bom, mas eles nos atenderam muito bem, principalmente no dia que precisei chamar um médico. O ruim foi que no dia que chegamos mais tarde não tinha mais água quente no chuveiro.
– Inca Kola tem gosto de chiclete de tutti frutti.
A nova onda do Imperador: Cusco em 5 dias

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Sequestros Neurais

Sequestros Neurais

O cérebro considera impossível ignorar expressões emocionais, principalmente as de irritação. Examine uma multidão, e alguém com a expressão irritada irá se destacar. Esse é o cérebro neandertal em busca de eventuais ameaças. Isso ocorre porque somos programados para prestar atenção reflexiva a “estímulos supernormais”, que seja por segurança, nutrição ou sexo.

No mundo atual, anúncios publicitários que agem sobre essas mesmas inclinações pré-programadas também nos cutucam no sistema ascendente, conquistando atenção reflexiva. Basta vincular sexo ou prestigio a um produto e é possível ativar esses mesmos circuitos para nos influenciar a comprar por motivos que sequer percebemos.

Nossas propensões particulares nos tornam ainda mais vulneráveis alcoólatras ficam fascinados por anúncios de vodca; depravados, por pessoas sensuais num comercial turístico.

Quando somos dominados por fortes emoções, elas guiam nosso foco, fixando nossa atenção no que é mais perturbador e fazendo com que nos esqueçamos do resto.

Sequestros emocionais são disparados pela amígdala – esqueça o seu pescoço, estamos falando do cérebro -, o radar de emaças do cérebro que está constantemente rastreando o entorno em busca de perigo.

Sequestros Neurais

Quando esses circuitos encontram uma ameaça (ou o que poderia ser uma ameaça – pois frequentemente se enganam), uma ampla via de circuitos neuronais subindo para as áreas pré-frontais envia um bombardeio de sinais que faz com que a parte mais baixa do cérebro guie a parte mais alta: nossa atenção se estreita, colada ao que está nos perturbando; nossa memória se reembaralha, tornando mais fácil recordar qualquer coisa que seja relevante à ameaça em questão. E nosso corpo entra em marcha acelerada enquanto uma enxurrada de hormônios do estresse prepara nossos membros para lutar ou correr. Nós nos fixamos no que é perturbador e esquecemos o resto.

Quanto mais forte a emoção, maior a fixação. Os sequestros emocionais são as supercola da atenção. Por quanto tempo? Isso depende do poder da região pré-frontal esquerda para acalmar a amigdala excitada. A resiliência emocional se resume à rapidez com que conseguimos nos recuperar de problemas nesses casos.

O envolvimento ativo da atenção significa uma atividade descendente, um antidoto para o risco de se atravessar o dia com um automatismo de zumbi. Podemos reagir a comerciais, ficar alertas ao que está acontecendo ao nosso redor, questionar rotinas automáticas ou melhora-las. Essa atenção focada e frequentemente orientada a resultados descuidados é o foco ativo.

Embora as emoções possam desviar nossa atenção, com esforço ativo também conseguimos administrar as emoções descentes. Assim, as regiões pré-frontais assumem o controle da amigdala, diminuída sua potencia. Um rosto irritado, ou mesmo aquele bebê fofo, pode não conseguir capturar nossas atenção quando os circuitos do controle descendente assumem as escolhas do cérebro sobre o que levar em consideração e o que ignorar.

sarah adulta eu

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Utópias, Distopias e Eutopias

utópias, distopias e eutopias

utópias, distopias e eutopias

É fácil condenar. Exigente é amar, servir e dispor-se em favor da vida. O ser humano e a infinita teima interrogante do saber. De onde viemos, por que viemos, quem somos, o que vem depois? Os porquês da ciência são rasos. No final, são reduzidos mapas, registros e explicações cada vez mais precisas e minuciosas da superfície causal do que acontece.

O físico Steven Weinberg afirma que “Quanto mais o universo parece compreensível, mais ele parece destituído de proposito”. Poderia alguém tecer uma fábula e nem por isso teria ilustrado suficientemente quão limitadas, frágeis e rusticas são as nossas mais sofisticadas e inspiradas tentativas de responder aos “por quês” da existência e tapar com mitos e explicações de toda ordem os buracos da nossa infinita ignorância.

utópias, distopias e eutopias

Inadvertidamente o sobrenatural está sendo banido da natureza. E paradoxalmente, a ciência percebe o mistério do mundo cada dia mais insondável. Sendo assim, perceveram duas incógnitas, o antes de nascer e o depois de morrer, duas eternidades que circunscrevem o espasmo da vida.

Não obstante, se a imortalidade fosse concedida aos seres humanos, acabariam todos enfadados. “Nascer é uma desgraça, viver é doloroso, morrer é uma dificuldade” dizia São Bernardo.

Então se a fome de sentido é inerente a condição humana, as formas e estratégias de aplaca-las são infinitas. Shakespeare dizia “Os nossos pensamentos são nossos, mas os seus fins não nos pertencem”, ou seja, nenhum autor consegue controlar o uso das suas ideias.
Navega-se no terreno das probabilidades e não das certezas. Muitas coisas são resultado da ação humana, mas não da intenção humana. Todo ato, por mais simples, extrapola a pretensão de quem o pratica.

O mundo moderno elegeu três ídolos para usurpar o trono dos antigos deuses: o avanço da ciência; o progresso da tecnologia; e o crescimento da renda e riqueza e da riqueza. O indivíduo enche a boca para dizer palavras nobres e ocas.

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Brinda-se o fim  do ócio criativo que é algo muito distinto do lazer cronometrado. Acompanhado do crescimento da espiral do descontrole humano. Homens e mulheres afogados no sono sintético, presos entre a excitação efêmera e o tédio tardio. Talvez, algum dia a farmacopeia fornecerá também profundidade.

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Fernando Pessoa foi tradutor de cartas comerciais, T.S.Eliot bancário, Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade servidores públicos. Esses criadores, dentre tantos, embora premidos a trabalhar para pagar as contas no final do mês, encontraram trabalho fora do emprego – uma razão de viver. Então, o que define trabalho?

Verso e reverso. O ter, e não o fazer, define a sociedade atual. O aumento da renda faz crescer a sensação da falta. O consumo é visto como: o território sagrado para o exercício da liberdade individual. A humanidade é serva do ganho, livre e soberana no gasto. No final de tudo, o ser humano no fundo continua sendo um animal selvagem e terrível.

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Dizem que tudo em excesso faz mal. Então, é logico dizer que pode-se pecar pelo excesso de moderação. Assim sendo, o ceticismo não é uma sabedoria, está mais para uma renúncia; o niilismo desemboca no suicídio e em formas degradadas de credulidade, como os fanatismos políticos. A arquitetura, a música e a reza partilham dessa insanidade: as artes afundam nos truques e convites ao devaneio.

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Na sociedade perfeita, seja como que for, não haveria o que mudar. Sendo assim, as utopias acabam-se tornando eutopia, ou seja, lugar feliz. Não obstante, a eutopia de alguns pode ser a distopia de outros.

A inadaptação a um meio mórbido, por incapacidade ou recusa, afinal, é um sinal de sanidade. Mas superar deficiências e atacar pendencias, por mais clamorosas, não é o mesmo que afirmar valores. Toda cultura incorpora um ideal de felicidade. A lógica sozinha não move: a criação do novo exige sonho.

Reconciliado consigo próprio. É garimpando o cascalho das nossas apostas, conquistas e fracassos que chegaremos a lapidação dos nossos saberes e potencialidades. O segredo da utopia reside na arte de desentranhar a luz das trevas. O futuro se redefine sem cessar – ele responde à força e à ousadia do nosso querer. Vem do breu da noite espessa o raiar da manhã.

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Em primeira pessoa:

Veio de presente para mim o livro “Trópicos utópicos” de Eduardo Giannetti. Se pudesse definir o livro em uma palavra seria: questionamento. O livro representa um conjunto de ensaios, todos embasados em filósofos, sociólogos, teólogos, economistas, em fim, um conhecimento nada modesto usado apenas para incitar o leitor a arte da indagação.

Além de tudo, é o mais puro abuso da língua portuguesa (ou seria da língua brasileira?!), ele ousa com palavras e expressões de cunho elevado que termina por garantir o que Schopenhauer chamaria de “uso sutil dos vocábulos”, ou seja, acaba por conferir ao autor uma certa “autoridade credencial”. Contudo, o autor (aparentemente) não tem intensão de se impor, pois se contra argumenta em cada novo texto.

A leitura é sempre uma experiência estritamente individual. Porém, vive-se a era twitter, facebook que aparentemente proferiu a todos o direito divino a “verborragia” interminável e inescrupulosa, por vezes, cansativa. O autor, Eduardo Giannetti, acredita que “a natureza e as sociedades humanas são portadoras de energias regeneradoras das quais mal desconfiamos”, eu espero que ele esteja certo.

Quando ele propõe “a ciência ilumina, mas não sacia – e pior: mina e desacredita todas as fontes possíveis de repleção” o leitor pode revoltar-se e crer que o autor é um religioso fanático. Superada essa barreira, o leitor pode espantar-se com: “existe mais mistério no ser de uma simples flor ou de um aleatório grão de areia do que em todas as religiões do mundo“.

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Carol Bensimon, escritora brasileira, escreveu: “Não preciso ler obras que propaguem meus valores feministas porque entendo que isso pode-se tornar extremamente perigoso: romances, sob hipótese alguma devem ser escritos como cartilhas que pregam essa ou aquela ideologia“. Muita gente diz detestar a obra de Nietzsche porque ele é machista, ou se nega a ler Marx por medo extremo de se tornar comunista. E eu me questiono, onde reside o senso crítico? Ou se é obrigados a mudar de opinião quando nos expomos a outros fatos?

É delicada a forma como o autor entende e defende a liberdade de crença “Ao imaginar que a crença em Deus é algo que possa ser ligado ou desligado da mente como se opera um interruptor elétrico; (…) o contrario seria como supor que alguém dilacerado por um amor fracassado pudesse reencontrar a paz mediante uma hipótese explanatória ou um raciocínio lógico.

E enquanto submergia no livro me questionava: Serei um dia capaz de organizar minhas ideias de uma forma tão simples e rica? Me deparo então com a sentença “A lógica sozinha não move: a criação do novo exige sonho“, não obstante ele completa com “É garimpando o cascalho das nossas apostas, conquistas e fracassos que chegaremos à lapidação dos nossos saberes e potencialidades.

Sendo assim, escrevi essa releitura do livro, espero que não tenha ficado tão aquém do livro, e também espero que suscite em quem ler esse texto a curiosidade em conhecer o livro.

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Por fim, obrigada Diego!

sarah adulta eu

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Donzela de ferro

donzela de ferro

Há uma notável semelhança entre o ato de amor e as ministrações de um torturador.
O som de um preludio de Debussy disfarçava o suave equilíbrio da letargia do fracassado simulacro da vida.
Como os animais selvagens, essa dama vivia sem futuro.
O clima esfriou, seu coração também.

Tornou-se magnificamente excêntrica na adversidade.
Tão longe da infância, vivia uma infâmia e o potencial para corrupção aumentava.
As pontadas de dor da perda seguiam escondidas por trás da feição aquiliana.
Empobreceu por causa do amor, não sabia se pelo excesso ou pela falta.

Habitava um Lugar belo e triste onde o céu derretia no mar,
A atmosfera sempre imersa na salinidade amniótica do oceano,
O local anfíbio transgredia a materialidade tanto da terra quanto das ondas.
Os pilares eram feitos de espuma e as paredes brilhavam como se suassem de medo.

Solidão feérica!

A consciência lhe pregava peças e puía sua autoconfiança
Parecia que todos os objetos inanimados ganharam vida, somente para zombar dela.
Fazendo par com as harpias delinquentes de Debussy que a atormentavam.

Sentia a premonição de algum horror,
Recolhia-se a uma imobilidade de cera
Não havia medo, mas hesitação, como se prendesse a respiração espiritual.

E a estrela vespertina caminhava na borda da noite
Enquanto o cálice transbordava o absinto que a condenou.

Todos os dias a nobre dama renascia em formas desconhecidas.
Ansiava por aquele momento e, ao mesmo tempo, o repugnava.
Portava uma fita vermelha símbolo da memória de sua ferida.
Ainda acreditava que teria sido feliz ali, pois era senhora das chaves daquela prisão.
Porém , sabia que seria executava com exuberância escabrosa.

Agora ausência de indícios da vida real não a impressionavam.
Tudo em silencio, tudo imóvel, a exceção do murmúrio das ondas.
Da noite viemos, á noite regressaremos.
A couraça de metal da donzela de ferro emitiu um fantasmagórico ruído metálico.
Um passo em falso e ela tropeçou para sempre no abismo da escuridão.
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sarah adulta eu

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Você se lembra?

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Você se lembra? Era outono quando a gente se conheceu. Aquela época do ano em que conseguimos sair no sol sem achar que vamos nos desafazer no asfalto. Não é uma época particularmente pitoresca por aqui, você já deve ter percebido isso não? Ainda assim, os dias são agradáveis e as frentes frias começam a nos lembrar de que conseguimos sim ter um pequeno inverno. Quando a gente se conheceu fazia um dia lindo lá fora, você se lembra? O sol brilhava gentilmente, mas a brisa do mar não o deixava castigar nossas peles. Não estávamos sozinhos, era realmente um belo dia, tanto pra você quanto pra mim. A noite estava começando a chegar quando eu te vi, e como se uns poucos raios de sol ainda conseguissem escapar do horizonte você se destacou no meio de tanta gente. Você deve ter reparado meu olhar atordoado, porque andou na minha direção e sorriu. Não consigo me lembrar se sorri de volta. De repente, foi como se o tempo andasse ao contrário. Naqueles poucos segundos em que encarei o seu sorriso, o sol brilhou dentro de mim, queimou a minha pele e me fez acreditar que eu nunca veria um inverno novamente.

IMG_0770Parque da Cidade, Niterói, Rio de Janeiro. Abril, 2016. 

Você se lembra? Enquanto eu estava ali, nesse estado, você se apresentou e quis saber o meu nome. A gente não deve ter trocado muitas palavras, não acredito que eu fosse capaz de encontrar muitas cada vez que seus olhos encontravam os meus. Não estávamos sozinhos e a vida tem dessas coisas, naquela noite nós sorrimos e andamos em direções opostas.

Como todo ano, aquele inverno não foi diferente. Os dias continuavam claros, mas o nosso corpo precisava de mais proteção. Umas tempestades passaram e, cada um de nós do seu lado da cidade, as observamos e nos afligimos achando que os dias estavam escuros de mais pro nosso gosto.  Mas, você se lembra de como foi rápido? Enquanto ainda buscávamos abrigo da escuridão que nunca chegaria, enquanto as noites pareciam mais compridas do que realmente eram, enquanto levantar da cama era a tarefa mais difícil que poderíamos pensar em executar, a primavera ocupou o ar.

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Tiradentes, Minas Gerais. Agosto, 2014.

Não por acaso a primavera é minha estação preferida. Foi quando a vida cruzou nossos caminhos novamente, e inspirados pelas flores nós conversamos e andamos e discutimos o universo, futuro e presente. Foi na primavera que você segurou a minha mão, você se lembra? Foi ali mesmo, à beira do infinito do mar que eu pedi, a quem quisesse me ouvir, que aquele momento não acabasse. Nunca tivemos uma primavera tão longa. Todas as cores brilhavam mais, as frutas eram mais saborosas e acordar todos os dias não era nada mal. Você se lembra se foram dias, meses ou anos? Eu tento, mas não consigo. Tudo que guardei em mim foram os incontáveis sorrisos, as cores, os gostos.

O verão chegou e, como é comum por aqui, a única diferença foi o calor. A gente tem mania de reclamar disso, ne? Mas aquele deve ter sido o melhor verão das nossas vidas. Tudo se aqueceu, nossos sorrisos, nossos olhares, nossos toques. Não tínhamos nada do que reclamar. Tudo é mais intenso no verão. É aquela estação do ano que nos inspira a acreditar que nada pode dar errado, que as noites não podem durar muito – e que na verdade elas nunca são tão escuras assim.

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Parque da Cidade, Niterói, Rio de Janeiro. Abril, 2016.

Um dia, porém, o outono chegou. E, novamente, com seus ventos fortes, ameaçou um inverno terrível. A principio eu não acreditei que isso fosse possível, não depois de duas estações tão quentes, coloridas e felizes. A vida tem dessas coisas não é? Durante alguns minutos só você falou, enquanto eu apertava meu coração com força para que ele não se desfizesse ali na sua frente. Você se lembra? Com um sorriso eu disse que estava bem, você se lembra? Eu me lembro. Você sorriu, se desculpou e foi embora.

17101512_10210042962724389_2113080367_o Iguaba Grande, Rio de Janeiro. Junho, 2016.

O inverno chegou. Contra todas as expectativas, ficou frio e escuro. As noites eram intermináveis, sair na rua e encarar o mundo parecia impossível. O ar era tão pesado que dificultava a respiração, os agasalhos pesavam como se eu carregasse um enorme cachorro preto nas costas. As lágrimas continuavam escondidas, é claro, atrás de um sorriso. Os pesadelos eram constantes, inspirados pela escuridão do mundo e pela violência que começava a assolar nossas ruas.

Uma dessas noites eu sonhei com você. Eu sonhei que sentia seu corpo ao meu lado e que o sol brilhava quente sobre nós. Eu sonhei que aquilo era a realidade, e todo aquele inverno não passava de uma pequena nuvem que cruzava o céu. Sonhei que, se você havia passado pelas mesmas estações que eu, ainda poderia haver esperança. O único defeito de todos os mundos oníricos é que eles tem um fim. Disso você não vai lembrar, mas aquela noite eu acordei e estava deitada no chão. Percebi que todo aquele calor era meu sangue se esvaindo de mim. Quando tentei gritar, a única palavra de que me lembrava era o seu nome. Naquela tarde de outono, ao som melancólico da sua voz, eu apertei meu coração mais forte do que deveria. Durante o inverno, toda a escuridão vinha de dentro e eu não fui capaz de perceber. Sem um coração operante, nosso sangue se perde não é? Não tinha mais seu destino predeterminado, e talvez estivesse tão ruim aqui dentro que ele precisou sair. Enquanto eu tentava me equilibrar em meio aquela poça de sentimentos vermelhos e grudentos, não conseguia mais lembrar do seu sorriso. Quando as lágrimas vieram novamente, alagou o quarto. Naquele desespero de sobreviver, eu duvidei se em algum momento você sequer existiu. Enquanto tudo de mim se esvaziava, eu acreditei que todas as últimas estações haviam sido alucinações de uma mente solitária. Acreditei que você era somente o produto de um cérebro que lia muitos romances.

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“The Gates of Hell” (Rodin). Stanford, Estados Unidos. Janeiro, 2015.

Sem perceber, caí no sono novamente. Quando acordei, finalmente era dia. O quarto estava limpo, assim como meu corpo, que apenas se sentia ressaqueado. Por uns dias eu tentei entender aquela noite. Por uns dias eu tentei sentir alguma coisa, mas não consegui. Aquele inverno parecia cada vez mais interminável, tinha me deixado dormente e fotofóbica. Preferi me resignar à ideia de que você não era real, era um personagem da minha criatividade, e isso doeu. Doeu por mais uns dias enquanto acreditei que nunca mais eu veria o sol.

Ainda era inverno quando meu telefone tocou e eu ouvi a sua voz.

Novamente caí em um desespero sanguinolento, simplesmente por descobrir que era tudo real. Toda felicidade foi real, mas não tanto quanto a dor. Senti a força que a minha própria escuridão conseguia exercer sobre mim. Foi quando percebi que enquanto eu chorava e estremecia, o sol lá fora já estava voltando a cantar. Saí de casa e decidi que precisava sair de mim. Senti uma vontade incontrolável de me jogar em direção a um abismo desconhecido qualquer. Todos aqueles pelos quais eu caí antes pareciam doloridos olhando do chão em que aterrissei, escuros demais, duros demais. Ainda assim, todos eles haviam parecido como um poço dos desejos quando olhados lá de cima. E por alguns momentos da queda a adrenalina fazia tudo parecer mais quente, intenso, levemente insano, mas bom.

17122118_10210042961964370_487306367_oGovernador Celso Ramos, Santa Catarina. Dezembro, 2016. 

Entendi que faria tudo de novo. Entendi que naquele último outono, quando olhamos para o abismo eu me desequilibrei na beirada enquanto você teve medo e preferiu ficar no seu próprio deserto. Me debrucei sobre as duvidas, as inseguranças e toda a escuridão que me assolou durante o inverno. Será que você havia passado pelo mesmo que eu? Não pude aquietar essa duvida e durante a primavera escalei pedra a pedra o abismo de volta até te encontrar. Aquele sorriso que tanto havia me aquecido um dia ainda estava lá, apesar de todos meus questionamento quanto a sua existência.

Eu te perguntei: “Você se lembra?”

Você pegou a minha mão e, sem precisar de uma palavra, nós pulamos. O salto mais sincronizado que o abismo já presenciou em todos os seus milênios de existência. E com os sorrisos coordenados não conseguíamos olhar para baixo, ainda assim nós dois soubemos ali que aquele abismo não tinha chão. Dali, a gente só podia cair para o infinito do universo.

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Insights criativos e onde habitam

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Escrito ao som das 4 estações de Vivaldi

Após dois posts analisando a física sobre o viés histórico, vocês devem ter percebido que as histórias dos insights brilhantes acontecem durante uma caminhada, no meio do banho, num passeio ou nas férias. Essas “coincidências” são comumente conhecidas como ócio criativo.
Quando avaliamos o ato de pensar, comumente atribui-se mais valor aquela atenção focada e orientada a resultados do que a percepção aberta e espontânea. Mas, todo tipo de atenção tem sua utilidade.
criativida
Metade dos nossos pensamentos são devaneios espontâneos, para a ciência isso sugere que esta pode ter sido uma vantagem evolutiva, a mente humana é capaz de considerar o imaginário. Porém, em momentos que precisamos executar questões cognitivamente exigentes o processo de dispersão da mente prejudica nosso desempenho. Descobriu-se que isso ocorre devido ao fato de duas áreas cerebrais que estarem ativadas durante a ruminação:

Faixa medial do córtex pré-frontal: sendo que o impulso interno para se afastar do foco intencional é tão forte que cientistas cognitivos entendem a mente divagadora como o modo-padrão do cérebro.
Sistema executivo do córtex pré-frontal: área que era considerada primordial para nos manter contato em tarefas.

Para onde a mente deriva?

Nossa mente normalmente deriva para nossas preocupações pessoais e nossas questões não resolvidas. Ou seja, apesar da divagação da mente prejudicar nosso foco imediato em alguma tarefa especifica, ela é responsável por resolver problemas importantes para nossa vida.

Enfim, a divagação da mente está associada a geração de cenários para o futuro, a autorreflexão, a capacidade de se relacionar em um mundo social complexo, a incubação de ideias criativas, a flexibilidade do foco, a ponderação do que se está aprendendo, a organização das lembranças ou mera meditação sobre a vida – e também a possibilidade de darmos ao nosso circuito de foco mais intensivo uma pausa revigorante.

criativida

Vocês se lembram de quando falamos sobre Arno Penzias e Robert Wilson e a polêmica do Nobel 1978 no post sobre o espaço?

Em resumo, eles pesquisaram durante um ano o universo com equipamentos superpotentes, mas ficaram sobrecarregados por um mar de dados originais e na tentativa de simplificar o trabalho ignoravam “uma estática sem significado”. Então, ocorreu encontro casual com os físicos Bob Dicke e Jim Peebles que estudavam a possibilidade de os vestígios do Big Bang estarem chegando a terra nos dias de hoje. Esse encontro possibilitou o insight – e um polêmico prêmio Nobel em 1978 – pois, Penzias e Wilson a perceberam que o que eles vinham interpretando como “ruído” era na verdade um sinal fraco das continuas reverberações do Big Bang.

O devaneio incuba a mente criativa. A consciência aberta cria uma plataforma mental para descobertas criativas e insights inesperados. Na consciência aberta, não temos advogado do diabo, nem cinismo ou julgamento – apenas receptividade absoluta para o que vier na mente.

Hoje existem estudos que comprovam que adultos com TDAH, comparados com adultos sem o transtorno, mostram níveis maiores de pensamentos criativo original e mais realizações criativas reais.

Os insights criativos e onde habitam

Rappers freestyling, improvisam letras na hora de cantar, nesse momento demonstram uma atividade aumentada no circuito de divagação mental, entre outras partes do cérebro – permitindo novas conexões entre redes neurais distantes. Nesta espaçosa ecologia mental, temos mais propensão a fazermos novas associações, a sensação de EUREKA!

Em momentos criativos menos frenéticos, pouco antes de um insight, o cérebro costuma descansar em um foco aberto e relaxado, caracterizado por um ritmo alfa. Isso sinaliza um estado de devaneio ou sonho acordado. Como o cérebro armazena diferentes tipos de informações em circuitos de amplo alcance, uma consciência vagando livremente aumenta as chances de associações com serendipidade e novas combinações.

Picos gama ocorrem rotineiramente durante operações mentais e logo antes de um insight criativo. Porém o local do pico gama durante o insight criativo é revelador: ele ocorre na área do cérebro associada aos sonhos, a metáforas, à lógica da arte, do mito e da poesia. Elementos que operam na linguagem do inconsciente, uma esfera onde tudo é possível. O método de associação livre de Freud e abre uma porta para esta modalidade de consciência aberta.

Casulo criativo

vocação, trabalho, emprego e de carreira

Vivemos o caos do mundo contemporâneo. A era da informação. O fluxo ininterrupto de e-mails, mensagens de WhatsApp, notificações do facebook, contas a pagar, nos deixa num estado cerebral contrário ao foco aberto no qual as descobertas da serendipidade prosperam.

Num post antigo: trabalho, emprego, carreira e vida. Comentamos sobre a necessidade de encontrar um tempo livre no qual possamos manter a manter uma consciência aberta. Porque em meio ao tumulto das nossas distrações diárias, a procrastinação e as listas infindáveis de tarefas, a inovação trava. Somente, o tempo livre deixa o espirito criativo florescer. Agendas apertadas o matam.

Um estudo da Harvard Business School sobre a forma de trabalho interno de 238 membros de equipes de projetos criativos, que recebiam como tarefas desafios de inovação que iam de solucionar complexos problemas de TI a inventar equipamentos de cozinha. Percebeu que os Insights criativos fluem melhor quando as pessoas têm objetivos claros, mas também liberdade de meios para atingi-los. E o mais importante, tinham períodos de tempo reservados – o bastante para realmente pensarem livremente. Um casulo criativo.

Não confunda uma mente a deriva com ruminação!

vocação, trabalho, emprego e de carreira
Em fevereiro, escrevi um post tratava de mindfulness, ou atenção plena. que pode parecer que conflita com o que estou escrevendo agora. Porém existe uma ténue diferença entre a mente a deriva e a ruminação danosa. A prática constante da meditação ou a terapia psicológica ajuda o desenvolvimento da metaconsciência (capacidade de observarmos os nossos processos mentais, relacionarmos com os nossos sentimentos e escolher o que fazer a respeito).

O fortalecimento das conexões entre as zonas executivas pré-frontais e a amígdala (área do cérebro que domina as emoções), especialmente fortalece as regiões que dominam o autocontrole, os circuitos que podem dizer “não” aos impulsos.

Enfim…

Você é um sortudo. Sua mente tem infinitas ideias, lembranças e associações potenciais esperando para serem feitas. Mas a probabilidade de a ideia certa se ligar com a lembrança correta no momento adequado – e tudo isso ser capturado pelo holofote da atenção – diminui drasticamente quando estamos hiperfocados ou sobrecarregados demais por distrações para percebemos o insight. Então, relaxe e curta o seu tempo livre.

sarah adulta eu

Sugestões bibliográficas:

  • De onde vem as boas ideias (Jorge Zahar)
  • Working memory capacity, attencional focus, and problem solving (Wiley e jafoz)
  • The power os small wins (teresa Amabile e Seven Kramer)
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Sobre gostar do espaço, de física, de ciência

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Adoro dizer que sou cientista. E falo com muito, muito orgulho. Apesar de seguir minha carreira na área biomédica, nutro um grande interesse paralelo pela física, pelo espaço e pelo conceito de tempo. Aliás, tem alguém que não se admire com as impossibilidades da vida?

No fim do ano passado eu li “Uma breve história do tempo”, do Stephen Hawking, e a Sarah já deu uma aula aqui. Enrolei e enrolei para escrever porque eram tantas coisas que valiam ser mencionadas… Escolhi uma para agora (e prometo que não vai ser repetitivo). Preciso falar sobre ciência, e sobre sua popularização.

Não só um grande físico – absolutamente brilhante –, Stephen Hawking também é um nome de peso na popularização da ciência. Seus livros alcançam milhares de pessoas e com uma linguagem acessível a qualquer curioso, apesar dos temas densos. Mais especificamente em Uma Breve História do Tempo, aprendi mais sobre astrofísica do que jamais na minha vida. E não só isso, um dos principais motivos para eu achar esse livro tão incrível é a visão de história da ciência que ele contém. O próprio nome já dá a dica, mas se alguém não pegou de primeira (como eu, antes de ler o dito cujo), todo o livro relata como o entendimento sobre o tempo evoluiu… ao longo do tempo.

Muito mais do que jogar conceitos na nossa cara – como as escolas normalmente fazem, acho que o melhor jeito de criar interesse pela ciência é contando um pouco de como as coisas foram descobertas. E isso não se restringe à física, o entendimento sobre os diferentes papéis das áreas do cérebro por exemplo, é facilmente compreendido quando se conta sobre o Sr. Leborgne ou o paciente H.M. (Sim, essa sou eu claramente puxando a sardinha pro meu lado)

Voltando pra física e, mais especificamente para a astrofísica – como é o foco do livro de Hawking, tem uma história que eu acho particularmente curiosa e interessante: Tycho Brahe. Vejam o vídeo abaixo e digam se não seria muito mais interessante aprender assim na escola. O nome pode não soar familiar para muita gente, mas foi graças ao trabalho dele que Johannes Kepler pôde desenvolver seus estudos que acabariam por descrever os movimentos dos planetas.

Não se assustem, o vídeo tem legenda em português. É só ativar, caso não apareça direto.

Observação pertinente: acho particularmente interessante como tanto conhecimento foi acumulado em épocas sem tecnologias digitais. Sempre me deixa embasbacada.

Muitas outras iniciativas para a popularização da física e da ciência merecem ser mencionadas, mas vou me restringir a três delas:

1. Cosmos

STS-125 Atlantis Solar Transit (200905120002HQ)

Atlantis space shuttle, 2009. Créditos: Nasa/Thierry Legault

Provavelmente a iniciativa mais conhecida do mundo, iniciada por Carl Sagan, ganhou recentemente uma versão apresentada por Neil deGrasse Tyson – que está no Netfilx!!! Um episódio que me vem a cabeça agora e que se relaciona bem com o início do livro de Hawking é o episódio 7 da primeira temporada, que conta a história da descoberta que tornou possível calcular a idade da Terra. Como eu disse, eu acho incrível aprender ciência através da história, e essa séria reflete muito bem essa ideia. Esse episódio em particular conta como, a partir das datas mencionadas na Bíblia, alguém fez o primeiro cálculo da idade do planeta e chegou a uma conclusão comicamente “exata”, com hora e tudo. Como os episódios não tem uma ordem muito necessária, podem pular direto só pros temas que forem de interesse. Esse episódio também pode ser visto no YouTube.

2. Nerdologia

Uma das iniciativas brasileiras de maior visibilidade, o canal tem um foco nos princípios científicos relacionados (ou não) à cultura pop e de ficção científica. Apesar de ele ser “Átila, o biólogo”, o canal aborda uma variedade incrível de temas com uma linguagem bem simples mas que não se torna errada. Acho que uma das maiores dificuldades que os cientistas e jornalistas enfrentam para explicar ciência para o público geral é tornar a linguagem acessível, sem termos técnicos ou necessidade de muito conhecimento prévio, e ainda não simplificar demais ao ponto de que os conceitos passem a estar levemente errados e passíveis de múltiplas interpretações. Variando agora para o tema de comportamento da luz, esse episódio bem legal (e que conta a pesquisa de uma física brasileira!).

3. Leopoldo de Meis

Até hoje esse é o nome que se encontra na porta do meu laboratório, apesar de já ter passado mais de dois anos do seu falecimento. Não posso falar de divulgação científica no Brasil sem mencionar o fundador do instituto no qual faço mestrado hoje. Leopoldo de Meis teve um grande papel na pesquisa em metabolismo energético e deve ser um dos brasileiros que mais chegou perto de uma indicação ao Nobel, mas seu legado se estendeu muito mais do que isso. Ele escreveu livros e gravou filmes, sempre tendo como alvo o publico escolar, e criou a Rede Nacional de Educação e Ciência, para levar suas iniciativas de Cursos de Férias para todo o país. Aqui na UFRJ, o projeto se mantém ativo desde os anos 80 com duas edições anuais, nas quais recebemos nos laboratórios do IBqM alunos e professores do Ensino Médio. Hoje o curso ocorre ao longo de uma semana, na qual os participantes podem propor as perguntas que querem responder, planejar os experimentos e executá-los, levantando ou comprovando hipóteses através da aplicação do método científico. Tive a sorte de ser monitora de um desses cursos em janeiro agora e foi mágico ver a ciência despertando nos olhos de gente brilhante mas que tem poucas oportunidades. Vale dizer que a participação desses alunos pode continuar ao longo de um ano desenvolvendo projetos científicos inovadores, muito além daquela curiosidade inicial.

No YouTube tem esse vídeo, que está dividido em 3 partes, mas essa contém o trecho que mais marcou o que seria o início da minha carreira científica quando vi ele próprio apresentar ao instituto que hoje leva seu nome. A quantidade de conhecimento científico que geramos hoje é muito maior do que qualquer pessoa consegue acompanhar, e sobre isso dá pra eu ficar horas conversando. Na verdade só agora enquanto escrevo me dei conta, mas isso meio que acabou se tornando o tema da minha pesquisa.

Acho que já tem bastante material interessante aqui, e já divaguei um bocado também. Acho que vou gostar de escrever mais sobre ciência por aqui.

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Entre intrigas, Big Bangs, Buracos Negros e o formato do universo

Uma breve história do tempo

Texto escrito ao som do álbum dark side of the moon/ Pink Floyd

O que define uma boa teoria cientifica?
Uma teoria cientifica precisa ser simples e fazer previsões precisas que podem ser testadas pela observação.

Hoje vamos falar sobre o universo…
uma breve história do tempo

O astrônomo americano Edwin Hubble formulou em 1924 a imagem moderna do universo. Ele provou que a nossa galáxia não era única. Hubble notou que certos tipos de estrelas sempre tem a mesma luminosidade quando estão perto o bastante para serem medidas, então usou o método indireto para realizar os cálculos, determinando as distâncias até outras galáxias.

Como esse método de medição funciona…

Lembram-se de Newton? Ele descobriu que, se a luz solar passa através de um prisma as cores que a compõe (espectro) são separadas como um arco íris.
uma breve história do tempo

Com um telescópio moderno podemos adaptar esse conceito para estrelas e galáxias. Então é possível determinar a temperatura de uma estrela. Foi então que percebeu-se que faltam certas coras muito especificas nos espectros de estrelas.

Precisamos falar sobre o EFEITO DOPPLER aplicado ao espaço sideral…
uma breve história do tempo
Em 1920, os astrônomos observaram os espectros das estrelas em outras galáxias e descobriram que faltavam os mesmos conjuntos característicos de cores nas estrelas de nossa galáxia, e todos os espectros desviam em direção a extremidade vermelha.

  • O que é a luz?

A luz consiste em flutuações, ou ondas do campo eletromagnético. Os diferentes comprimentos de luz são o que nos entendemos como cores. Os comprimentos de onda mais longos são vermelhos e os mais curtos azuis.
Por tanto, se as estrelas se afastam terão os espectros desviados para cor vermelha, e se elas se aproximam terão um desvio para o azul.
CURIOSIDADE: A polícia usa o Efeito Doppler para calcular a velocidade de um veículo medindo o comprimento dos pulsos das ondas de rádio.
Voltando…
Hubble descobriu que a maior parte das galáxias exibia um desvio para o vermelho, ou seja, elas estavam se distanciando de nós. Além disso, em 1929, ele descobriu quanto mais distante está uma galáxia mais rápido ela se distancia de nós. Uma revolução! Até então, as pessoas acreditavam que o universo era estático. Ou seja, além do universo não ser estático, ele estava se expandindo.

  • Por que ninguém percebeu isso antes?

Esse comportamento do universo poderia ter sido previsto com base na teoria da gravitação de Newton. Contudo a crença em um universo estático era tão forte que ela persistiu até o início do século XX.
Vale ressaltar que Eisntein, ao formular a teoria da relatividade geral (1915), tinha tanta certeza que o universo era estático que modificou sua teoria para tornar isso possível. Ele alegou que o espaço-tempo tinha uma tendência inerente a se expandir e que isso poderia acontecer exatamente para compensar a atração de toda matéria no universo, de modo que o resultado seria um universo estático.
Mas não paramos aí….

Alexander Friedmann (1922), físico e matemático Russo, fez duas suposições simples sobre o universo:
1. A partir da nossa galáxia, o universo é idêntico em qualquer direção, ou seja, somos o centro do universo;
2. O universo deve parecer o mesmo em qualquer direção visto de qualquer galáxia, ou seja, não somos o centro do universo;
Arno Penzias e Robert Wilson, físicos americanos (1965), estavam testando um detector de micro-ondas muito sensível. Eis que, o detector estava captando mais ondas do que deveria. Esse ruído não vinha de nenhuma direção em particular. Então eles começaram a procurar os prováveis defeitos no aparelho, mas logo descartaram essa possibilidade. Percebeu-se que os ruídos eram os mesmos em qualquer direção que o detector fosse apontado, de modo que devia vir de fora da atmosfera.
Nessa mesma época, Bob Dicke e Jim Peebles, físicos americanos, estudavam as micro-ondas. Eles trabalhavam na hipótese que o universo primitivo deveria ser muito quente, denso e incandescente branco e acreditavam que ainda seria possível visualizar esse brilho, pois a luz de partes distantes somente estaria chegando até nós agora.

E você achando que não existia picuinha no mundo da física…

Penzias e Wilson souberam da pesquisa de Dicke e Peebles, e perceberam que eles haviam encontrado a resposta para o problemas deles nos ruídos captados pelo seu detector. Por esse feito ganharam o Prêmio Nobel em 1978.

Voltando para Friedmann e o centro do universo…
Sem querer, Penzias e Wilson esbarraram na 1ª hipótese de Friedmann, de que nós estaríamos no centro do universo. Entretanto, sabe-se que o universo não é o mesmo em todas as direções (apenas em média escala), pois, em 1992, o satélite Cobe, verificou pequenas variações nessas medições.
No modelo de Friedman, todas as galáxias estão se afastando. Sendo assim, Imagine um balão com pintinhas se enchendo de ar:

À medida que o balão se expande, a distância entre 2 pontos aumenta, mas não existe um ponto que possa ser identificado como o centro de expansão.

Vamos forçar sua imaginação um pouco mais…

Friedmann encontrou um modelo. Porém três tipos de modelo correspondem a suas duas hipóteses fundamentais:
1. O universo está se expandindo devagar o bastante para que a atração gravitacional entre as galáxias faça com que a expansão desacelere até cessar. As galáxias então começam a se mover na direção uma das outras e o universo se contrai. Desse modo, a extensão do universo é finita.
Um breve historia do tempo
2. O universo está se expandindo tão rápido que a atração gravitacional nunca o detém, embora reduza sua velocidade. Desse modo, a extensão do universo é infinita.
Um breve historia do tempo
3. O universo está se expandindo depressa o bastante apenas para evitar um novo colapso. Desse modo, a extensão do universo é infinita e plana.
Um breve historia do tempo
Essas teorias todas ajudam os físicos a formular a provável forma do espaço.
No primeiro modelo de Friedmann o universo não é finito de espaço, porém o espaço tampouco possui contorno. A gravidade é tão forte que o espaço é curvado sobre si mesmo, mais ou menos como a superfície da terra.

Exemplo: Se alguém viaja constantemente em uma direção no nosso planeta, não cai pela borda. Ela acaba voltando para o ponto onde começou.
O espaço seria exatamente assim. A quarta dimensão, o tempo, também é finita em extensão, mas é com uma linha com duas extremidades ou contornos, um começo e um fim.
Se combinarmos a relatividade geral com o princípio da incerteza da mecânica quântica, é possível que tanto o espaço quanto o tempo sejam finitos sem bordas e nem contornos.

Muita abstração?!

A ideia de que alguém possa dar a volta no universo e terminar onde começou dá uma ótima ficção cientifica. Mas seria preciso viajar mais rápido do que a velocidade da luz a fim de terminar onde se começou antes do universo se extinguir.
Então vem a pergunta fundamental: Qual desses 03 modelos descreve o nosso universo? O universo vai se expandir para sempre? Ou o universo eventualmente voltará a se contrair?
Agora voltamos para o Efeito Doppler.

Aplicando o efeito doppler, pode-se determinar a taxa de expansão atual do universo ao medir a velocidade com que outras galáxias estão se afastando de nós. Entretanto, as distâncias para as galáxias não são bem conhecidas, pois só conseguimos medi-las de forma indireta. Assim, tudo o que se sabe é que o universo está se expandindo em algo entre 5% e 10% a cada bilhão de anos. No entanto, nossa incerteza sobre a densidade média atual do universo é ainda maior.

  • O que isso significa?

Somando-se todas as estrelas de todas as galáxias e a massa escura não temos força gravitacional suficiente para deter a expansão do universo. Então, a tendência atual é que o universo se expanda até entrar em colapso, o que deve acontecer em dez bilhões de anos.

Mas não se preocupe. A essa altura a menos que tenhamos colonizado outro sistema solar e nos mudado, a humanidade terá deixado de existir, pois será extinta junto com o sol.

Voltando para Friedman (e você achando que Einstein era o cara)…
As três soluções previstas pressupõem que o universo teve um começo: quando a distância entre as galáxias vizinhas deve ter sido zero.

Big Bang!

A matemática não pode lidar de fato com números infinitos, então chegamos num ponto onde a teoria da relatividade geral prevê que existe um ponto no qual a própria teoria deixa de ser válida. Isso se chama singularidade.
Mas o que isso quer dizer?
Mesmo que tenha havido eventos anteriores ao Big Bang, ainda somos incapazes de determinar pois a teoria da relatividade geral não se aplica. Deve-se assim eliminar a ideia de eventos anteriores e aceitar que o tempo se iniciou com o BIG BANG.

E isso causou o caos no meio acadêmico…

Muitos não gostam da ideia de que o tempo teve um início, porque isso remete ao conceito de Deus. Inclusive, a Igreja Católica acatou o modelo do Big Bang e em 1951 proclamou oficialmente que essa explicação estava de acordo com a Bíblia.

Em 1948, Hermann Bondi, Thomas Gold, Fred Hoyle sugeriram a teoria do estado estacionário: a ideia era que enquanto as galáxias se afastavam, novas galáxias surgiam nesse espaço, a partir da matéria nova criada continuamente.
Porém…
No fim da década de 1950, Martin Ryle e um grupo de astrônomos levantou as fontes de ondas de rádio provenientes do espaço. Esse experimento mostrou que a maioria das fontes deve se localizar fora da nossa galáxia e também havia muito mais fontes fracas do que fortes. Foi interpretado que as fontes fracas eram distantes e as fontes fracas eram próximas. Hipóteses:
1) Estamos no centro de uma grande região do universo onde as fontes são mais escassas do que em outras regiões;
2) As fontes eram mais numerosas no passado, quando as ondas de rádio partiram em sua jornada até nós;
As duas explicações inviabilizam a teoria do estado estacionário.
Em 1963, Evgenii Lifshitz e Isaac Khalatnikov, sugeriram que o Big Bang talvez moldasse uma peculiaridade exclusiva dos modelos de Friedmann. No universo real, as galáxias não estão apenas se afastando uma das outras – elas também apresentam pequenas velocidades laterais. Assim, ela nunca precisaram ter estado todas exatamente no mesmo lugar, apenas muito próximas umas das outras. Ou seja, talvez, o universo em expansão não resultasse de uma singularidade, mas de uma fase de contração.

  • Como provar que o universo começou com o BIG BANG?

Lifshitz e Khalatnikov estudaram o modelo do universo de modo parecida a Friedmann, mas levando em consideração as irregularidades e as velocidades aleatórias das galáxias no universo real. Eles argumentaram que, haveriam muito mais modelos como os de Friedmann sem singularidade de Big Bang.
Porém…
1970, eles voltaram atrás em sua alegação, quando descobriram que uma classe muito mais geral de modelos de Friedmann que de fato apresentavam singularidades e nos quais as galáxias não precisavam se mover de nenhuma forma especial.

  • No entanto, será que a relatividade geral prevê que nosso universo deve ter tido um Big Bang, um início de tempo?

Roger Penrose, 1965, demonstrou que uma estrela cedendo à própria gravidade fica aprisionada em uma região cuja superfície acaba por encolher ao tamanho 0. O mesmo acontece com o seu volume. Toda a matéria da estrela será comprimida a uma região de volume zero, de modo que a densidade da matéria e a curvatura do espaço tempo serão infinitas. Em outras palavras, tem-se uma singularidade contida dentro de uma região do espaço-tempo conhecida como buraco negro.

Então…
Stephen Hawking, 1965, percebeu que o teorema de Penrose mostrava que qualquer estrela em colapso deve terminar em uma singularidade. Hawking propôs que aplicando a reversão temporal podia-se entender o universo em expansão nos moldes de Friedmann, pois ele poderia ter se iniciado de uma singularidade.
Por razões técnicas, o teorema de Penrose exigia que o universo fosse infinito em espaço. Assim, o teorema foi usado para provar que haveria uma singularidade apenas se o universo estivesse se expandindo rápido o bastante para evitar um novo colapso.
1970, Hawking e Penrose, demonstram que deve ter havido uma singularidade de Big Bang, deste que a teoria de relatividade geral esteja correta e o universo contenha tanta matéria quanto observamos.
E mais o caos no meio acadêmico…
As oposições partiram dos russos, devido a crença marxista no determinismo cientifico, e em parte de pessoas que achavam que toda a ideia de singularidade era integrável e arruinava a beleza da teoria de Einstein.

Isso mostrou que a relatividade geral é uma teoria incompleta: ela é incapaz de nos dizer como universo começou, pois prevê que todas as teorias físicas perdem a validade no inicio do universo.

A ironia…
Stephen Hawking, atualmente, tenta convencer de que na realidade não houve singularidade alguma no início do universo. Pois, essa singularidade desaparece quando se leva em consideração os efeitos quânticos.
Mas esse assunto fica para um próximo post…

sarah adulta eu
Sugestões bibliográficas:
O universo em uma casca de nós (Stephen Hawking)
Uma breve história do tempo (Stephen Hawking)
Alice no país do quantum (Robert Gilmore)

Filme:
Quem somos nós?

E agradeço se você tiver mais alguma indicação!

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Viajar sozinha

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Eu sempre ouvi dizer que viajar sozinho é uma experiência que todos deveriam ter. Para perto ou para longe, por pouco ou muito tempo, me diziam que era uma jornada de auto-conhecimento. Também já tinha ouvido falar que era assustador, impensável e até um pouco deprimente. Quando surgiu no fim do ano passado a oportunidade para que eu passasse um mês inteiro praticamente andando sozinha por um país desconhecido, eu não tive nem dúvida – eu fui – assustador ou empolgante eu sabia que seria uma experiência única.

Ao todo foram 34 dias, 30 dos quais eu efetivamente estava viajando sozinha. Fiquei em 4 cidades diferentes, fora as tantas outras que passeei só por um dia. Duas viagens de avião, 6 de trem e 3 ônibus. Muitas libras foram embora dos meus bolsos, mas posso dizer que me sinto enriquecida. Não outra pessoa – acho que já passei dessa fase de me refazer a cada nova experiência – mas também não a mesma de sempre. Viajar, sozinha ou acompanhada, tem esse poder mágico para mim.

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Glen Coe (Highlands), Escócia. Fevereiro, 2017.

Eu adoro me aventurar por novos lugares e procuro sempre fazer coisas que nunca fiz, mas não sou exatamente uma pessoa espontânea. Quando eu viajo eu gosto de planejar cada hora de cada dia, uma versão otimista e outra pessimista, e na hora eu faço o que a realidade permitir. Dessa vez não foi bem assim. Com tão pouco tempo para me preparar, só consegui dar uma olhada superficial em tudo que tinha pra fazer em cada um dos lugares onde iria parar. Certamente não consegui planejar com precisão o orçamento de cada etapa da viagem. Fora que não eram só os passeios que eu tinha que preparar, mas também o trabalho (afinal toda a viagem girou em torno do que eu poderia acrescentar para o meu projeto de mestrado).

Assim, pessoa ansiosa que sou, o pré-viagem não foi nada tranquilo. Sozinha, eu não tinha com quem compartilhar minhas dúvidas, dividir o peso de cada decisão. Não que os amigos ou a família não me ouvissem quando precisava, mas ninguém iria de fato arcar com as consequências das minhas (in)decisões. Planejei os quatro primeiros dias, respirei fundo e fui. Ao chegar lá, esqueci de todas as preocupações. Corri para conhecer e absorver o máximo que podia de Londres – o que não é pouco – em apenas dois dias. Foi empolgante, corrido, animado e meus pés reclamaram de tanto andar. A liberdade de acordar a cada dia e poder decidir o que eu ia fazer, pra onde ir, quanto tempo passar em cada lugar, o que e que horas eu iria comer, era único. Sei que aproveitei muito bem esse lado de estar sozinha. Pelo outro lado, tive diversos momentos em que eu estava tão encantada com o que estava vendo e vivendo, que eu gostaria que houvesse alguém ali para compartilhar aquilo. Alguém só pra olhar e sorrir e dizer: “Nossa, olha que incrível é isso!”.

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The National Gallery, Londres. Janeiro, 2017.

Segui minha programação nos dias seguintes para um congresso e depois, uma breve visita a um potencial novo colaborador. Essa etapa foi justamente o período em que eu estive acompanhada, então talvez não valha falar aqui. A partir daí, todos que eu conhecia foram embora e eu fiquei trabalhando com novas pessoas. Nessas próximas semanas eu consegui turistar durante os finais de semana, e trabalhar muito durante a semana. E foram nesses dias de trabalho que eu mais senti o peso da minha introversão.

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Seguir minha linha de raciocínio no que se trata de interagir com pessoas novas não é fácil nem pra mim, portanto nem me atrevo a arriscar aqui por escrito. Basta dizer que me sinto muito bem representada por esse quadrinho aí de cima. Estar em um ambiente em que, a cada minuto, eu não sabia o que esperar não foi nada fácil. Eu estava lá para aprender a fazer o que eles fazem de melhor nesse grupo de pesquisa, mas cada dúvida que eu precisava tirar com alguém eram horas de ruminação para decidir quem buscar (e que não ia me dar patada), o momento certo (pra não atrapalhar o trabalho deles), as palavras certas (para não parecer muito burra)… Nesse período fiquei hospedada em um apartamento do airbnb, ou seja, eu praticamente morei com esse casal por três semanas, e lá também até as escolhas de que horas comer e tomar banho eram decisões que me pesavam mais do que deveriam. A solução para mim foi fugir da interação em casa, eu rapidamente aprendi os horários deles e basicamente só usava o resto da casa quando eles não estavam mais lá. Sei que assim perdi alguma coisa dessa experiência, mas foi o que me permitiu manter minha produtividade durante o dia. Ah e, claro, toda a pressão de concluir o máximo de trabalho possível antes de acabar meu tempo. Foram três semanas emocionalmente exaustivas.

Ao sobreviver a base de comida de micro-ondas e um biscoito baratinho (e especialmente delicioso), consegui planejar meus últimos dias de férias. Saí de Edimburgo com a sensação de missão cumprida, apesar da exaustão acima mencionada. Absolutamente tudo tinha dado certo até ali, o trabalho, as hospedagens, os passeios. Assim, fui super empolgada de volta a Londres. Viajar sozinha me permitiu tomar essas decisões de “última hora”, me permitiu voltar a lugares já visitados em detrimento de conhecer outros simplesmente porque eu tinha gostado muito dali. Me permitiu sentir de novo a angústia e a empolgação de ser a única responsável pelas minhas escolhas – onde ficar, onde ir, onde comer. Mas, novamente, não tinha ninguém ali para compartilhar todas as coisas incríveis que eu vivi.

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Palácio de Buckingham, Londres. Janeiro, 2017.

Viajar sozinha, para mim, não foi auto-conhecimento. Foi ultrapassar limites que eu já sabia que tinha, foi me desafiar a coisas novas. Foi me sentir mais forte e confiante por saber que eu consegui passar por tudo isso com um resultado super positivo ao final. Foi a oportunidade de conhecer gente de todos os lugares, conversar sobre carreira, política e vida adulta com brasileiros, americanos e paquistaneses. Por outro lado, viajar sozinha foi, sim, solitário também. Estar sozinha comigo mesma é gostoso, mas cheguei a conclusão que prefiro ficar sozinha em casa. Acredito que tem alegrias que são só nossas, mas outras que são melhores quando são compartilhadas. Viajar é uma dessas.

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Castelo de Craigmillar, Edimburgo. Fevereiro, 2017. (também conhecido como caminho para a faculdade)
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5 lugares ao ar livre imperdíveis no Rio de Janeiro

Isa Por aí
Confesso que quando recebi o convite da Sarah e Clarissa para escrever para o blog, fiquei honrada! Passada a euforia inicial, comecei a me perguntar: “Logo eu, de exatas, super objetiva e que corria das redações na escola, como conseguirei contribuir para a página delas?!”. E bateu aquela insegurança… Parei, pensei, refleti e vi que nada melhor do que falar sobre aquilo que move e estimula a gente.
Eu, como boa ariana que não consegue parar quieta, sempre gostei de explorar novos lugares! Pode ser aqui do lado de casa (em Niterói – RJ) ou em outro país! O importante é não estar parada! E por todo canto que passo, saio registrando tudo através de fotos e escrevendo as minhas percepções! Talvez, pela certeza de uma carreira relativamente estável, cursei engenharia e levei a fotografia como hobby. Mas este ano, resolvi dar um passo à frente e expor todos esses registros, explicando um pouco sobre cada um desses lugares.
Sendo assim, vamos falar do que eu entendo!
Mais do que uma reflexão sobre a vida adulta levo este texto como um informativo de sugestões de lugares que a nossa cidade vizinha oferece, mas que muitas vezes passam despercebidos na correria do dia a dia.
Eis aqui 5 lugares ao ar livre imperdíveis (pelo menos na minha opinião) no Rio de Janeiro:

Mureta da Urca
Isa Por aí
Amor à primeira vista, a mureta é um dos meus lugares preferidos no Rio! Localizada no bairro de mesmo nome na Zona Sul carioca, ela é super democrática, contando com bares para todos os gostos e bolsos ao longo de sua extensão. Assistir ao por do sol sentada na mureta, com os amigos, comendo um pastel e bebendo alguma coisa, num pós praia deveria ser parada obrigatória para todo carioca ou visitante da cidade maravilhosa pelo menos uma vez!!

Pedra do Arpoador
Isa Por aí
Já experimentou assistir ao por do sol de cima da Pedra do Arpoador? Com uma visão completa da Praia de Ipanema e Leblon, contando com o Morro Dois Irmãos ao fundo, é a arquibancada preferida de 8 em cada 10 cariocas no verão! Conseguir um espacinho na famosa pedra não é tarefa fácil, mas vale muito a pena! A cada entardecer, o sol se despede com uma salva de palmas dos expectadores! Experiência que renova qualquer energia!

Praia da Joatinga
Isa Por aí
Esse paraíso fica escondido entre as praias de São Conrado e da Barra da Tijuca! A pequena praia de apenas 300 metros possui um visual deslumbrante, com um mar de água cristalina, num tom azul esverdeado poucas vezes encontrado no Rio!
Como chegar?!
A opção mais viável é o carro, já que os ônibus param muito distantes! Pegue a Estrada do Joá e entre no condomínio na Rua Pascoal Segreto (ponto de referência: o Clube Costa Brava fica dentro do condomínio). Há estacionamento no local, mas com número de vagas reduzidas! Portanto, se você optar ir num dia de sol, chegue cedo!
Após estacionar, para chegar efetivamente na praia, você deverá descer um caminho de pedras e rampas (nada tão perigoso), com mirantes pelo percurso.
Dica: Na maré alta/cheia (geralmente no outono e inverno), a faixa de areia some. É uma boa verificar a maré antes de ir até lá.

Mirante Dona Marta
Isa Por aí
Se você busca uma vista panorâmica da Cidade Maravilhosa, o Mirante Dona Marta é o lugar certo! Da Zona Norte à Zona Sul, é possível observar o Maracanã, a Baía de Guanabara, o Aterro do Flamengo, a Lagoa Rodrigo de Freitas e o Cristo Redentor!
Ao chegar no estacionamento do mirante, você terá duas possibilidades: de um lado uma escada de pedras leva até o mirante propriamente dito e do outro, um heliponto garante um lindo visual do Cristo Redentor mais de pertinho e da Lagoa Rodrigo de Freitas! O passeio vale muito a pena e o melhor: é possível chegar lá sem fazer nenhuma trilha e é gratuito!
Como chegar?!
Não há ônibus que leve ao mirante. As melhores formas de chegar até lá em cima são: de carro ou através de uma trilha que se inicia na favela Santa Marta (pacificada).
De carro: siga para o Cosme Velho pela Ladeira dos Guararapes, na direção do Corcovado. Em seguida, haverão placas indicando para o Mirante, o acesso é bem fácil! Como já mencionado, há estacionamento no local, sendo necessário colocar o cartão no veículo (R$ 2,00 para cada 2h de permanência).
Por trilha: o caminho é ir até o morro Santa Marta, subir ao topo da favela pelo elevador e seguir pela trilha que leva entre 30 e 50 minutos (grau de dificuldade médio).

Mirante do Sacopã
Isa Por aí
Para mim é a melhor trilha em custo-benefício, subida rápida e sem grande grau de dificuldade, mas com um visual maravilhoso!
A caminhada inicia-se na entrada do Parque Natural Municipal da Catacumba, localizado na Lagoa Rodrigo de Freitas. Em um percurso de 330 metros, em cerca de 20 minutos, você chega ao mirante. Lá de cima é possível observar a Lagoa, a Pedra da Gávea, o Morro Dois Irmãos, o Jockey Club, a Praia do Leblon e o Cristo Redentor.
Na entrada do parque, há banheiros e uma pequena lanchonete.
Como chegar?!
A trilha fica no Parque Natural Municipal da Catacumba (Av. Epitácio Pessoa, 3000 – Lagoa), próximo ao corte do Cantagalo. Para chegar ao parque, você poderá ir tanto de carro quanto de transporte público.
De carro: não há estacionamento no local. Uma boa opção é o estacionamento ao entorno da Lagoa.
De ônibus: procure uma linha de ônibus que passe pela Av. Epitácio Pessoa.
De metrô: desça na Estação Cantagalo, ande na direção do Corte do Cantagalo, passando por ele e contorne a Lagoa pela direita. Em 10 minutos de caminhada, você avistará a entrada do Parque.
Horário de Funcionamento:
Terça à domingo, das 8h às 17h (até às 18h no verão).

Bom, o Rio de Janeiro conta com inúmeras possibilidades quando o assunto é atividade ao ar livre, porém essa breve lista já é um começo se você deseja explorar essa cidade maravilhosa!
Isa Por aí

Parabéns Mari! 🎂🎁🎉🎊 @sarahbbrito @vitor_eboli @marianaserenario @renatinhadns @paula.ferpat @clari_carneiro @leticia_vidigal

Uma publicação compartilhada por Isabela Farias (@isamfarias) em

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