Resenha – Mentirosos

Mentirosos E Lockhart

Antes de começar, queria dizer que amo ganhar livros – independente do que vou achar deles depois de lê-los. Se a pessoa poderia me dar uma diversidade enorme de presente mas ela escolheu um livro, já subiu no meu conceito. Pelo menos um pouquinho ela presta atenção no que eu gosto e em quem eu sou.

Dito isso, esse livro foi um presente. Pela sinopse, Mentirosos (E. Lockhart), não é algo que eu escolheria, assim, de primeira numa livraria aleatoriamente. Aqui vai como ela está na capa do livro:

“Somos Sinclair.
Ninguém é carente.
Ninguém erra.
Vivemos, pelo menos durante o verão, em uma ilha particular.
Talvez isso seja tudo o que você precisa saber a nosso respeito.”

Não vou copiar a sinopse inteira porque isso já tem em um monte de lugares da internet – e outro dia mesmo eu comentava com a Sarah como me incomoda abrir blogs esperando uma resenha e tudo que acho é a sinopse…

Minhas impressões ao ler este livro foram bastante flutuantes ao longo das páginas. Em um primeiro momento, não gostei muito do estilo de escrita meio cortado, meio seco. Eu percebia o esforço de cada palavra para ser impactante e isso estava me irritando um pouco, mas acostumei.

Depois, não era mais o jeito de escrever e sim o conteúdo. As personagens pareciam possuir suas personalidades tão fechadas que a cada fala parecia que aquilo já tinha sido dito antes. Novamente, um esforço visível em fazê-los parecer pessoas ricas e superficiais – com exceção da protagonista, é claro.

Claro, porque fiquei com a impressão de ser um personagem já escrito antes – a menina que tinha de tudo e queria mais; a menina que se sentia muito superior ao ambiente superficial em que vive; alguém genérico que não se encaixa nos padrões esperados dela, sei lá.

Mesmo assim, em um certo momento o suspense do livro me pegou. Afinal, o que havia causado o acidente? Além disso, me identifiquei com seus momentos de solidão nas crises de enxaqueca e depressão, indistinguíveis. E nesse momento, já no final, que o livro conseguiu me prender eu viro uma página e lá está a resposta. Em destaque, no centro da página, em linhas cortadas, frases curtas, mais direto impossível, a resposta para todos os dramas, suspense e dor. Aí decidi que não gostei mesmo.

Me senti como se alguém, ao escrever o texto, não levasse fé em mim para chegar às conclusões certas através de sugestões implícitas e construídas aos poucos. Ou, o contrário, alguém (talvez até tenha tentado mas…) não conseguiu colocar sutilezas, indiretas e pistas inteligentes o suficiente para que ao final da leitura tivéssemos as soluções esperadas. Por motivos óbvios de sou mais eu, prefiro acreditar na segunda opção.

Apesar disso, o livro é muito bem avaliado no skoob. Não discordo que o final é surpreendente, mas não precisava ter sido me dado tão fácil. Talvez eu seja difícil de agradar, talvez eu só tenha passado da faixa etária adequada mesmo…
Adulta eu

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