Transparências

transparências

O nome desse post define bem a fase do blog. Não é que eu não tenha escrito, eu até escrevi bastante, e também tive muitas ideias. Todas me pareceram banais. Comecei e parei. Separei fotos, vídeos, filmes e vivi experiências, mas não escrevi nada que achasse que merecia ser lido, alias, muitas das coisas que tenho publicado, nem acho tão boas assim. E isso é frustrante.

No aniversário da Clari conversamos, ela me disse que minha escrita que estava com uma tendência melancólica. Eu acho estranho pensar em mim como alguém melancólica. Mas é verdade. Tenho uma tendência a melancolia quando escrevo, pinto, desenho. Mas não é de inquietação que vive o artista? Não sei. Se é que posso me considerar artista.

Outra coisa, não gosto de escrever em primeira pessoa, apesar de ser o que geralmente ocorre. Acredito que isso aconteceu porque eu acho extremamente irritante ler como as pessoas se posicionam nas redes sociais, em primeira pessoa, com tanta convicção, sendo que na prática, a maior parte são ideias estapafúrdias, irrefletidas. Alias, parece que o facebook é o lar das “verdades” generalistas, e as pessoas que não tem a menor ideia do que estão dizendo.

Ou talvez, eu esteja ficando uma pessoa extremamente critica que quer conhecer os e as: Schopenhauer, Lampedusa, Hawking, Carter, Dewitt, Scliar, Sun Tzu, Limonov, Carrère, Gianetti, Maupassant, Gogol, Lahiri, Aleksiévitch, da vida real, quero saber se esse povo existe. Acho que eu conheço alguns candidatos a publicar coisas boas no futuro, me sinto sortuda por isso, espero que eles invistam no potencial deles.

Mas a questão que me sufoca é: Será que algum dia eu poderia produzir algo tão bom quanto essas personalidades? Esse sentimento que me é tão familiar. Foi como eu me senti durante a faculdade de arquitetura e a certeza de que eu nunca seria tão boa quanto: Os irmãos Roberto, Lina Bo Bardi, e mais um monte de gente que não vou fazer a lista agora.

Essa exigência, provavelmente, em excesso, me faz ser muito questionadora, critica e certamente prejudica minha produção, ultimamente eu me sinto a pessoa do contra. Diga-me uma certeza que eu vou te cutucar. Gostaria de entender da onde as pessoas tiram tanta convicção para afirmar tanta bobagem. Volto minha revolta para o mundo das redes sociais. Logo eu, tão critica, tão autocritica, que ultimamente não vejo o porque propagar nada.

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Então, estamos no inicio da segunda metade do meio do ano de 2017. Segundo o skoob foram 29 livros em 2017. Li o total de 7.334 páginas, uma média de 40 páginas por dia. E o que percebi com isso? Meu posicionamento na vida mudou radicalmente, porém ainda está longe de ser fixo. Abando a posição de combate e passei para retaguarda, gosto de pensar em mim como cética, com a esperança de que exista um momento preciso para me manifestar.

Eu sempre gostei de ler, mas entrar para a TAG experiências literárias fez toda a diferença na diversidade de autores e títulos que eu pude ascender. Literalmente experiências literárias, Alguns foram chatos, outros foram extremamente estimulantes, outros me causaram náuseas, outros mudaram minha vida. Lembra que eu falei de Paddy Clarke Há Há Há?

Mas aproveito o ensejo para propor um questionamento. O que você pensa quando vê:

  • Aquele casal que sempre se declara, Posta fotos e testamentos gigantescos amorosos?
  • Aquela mulher que sempre posta foto malhando?
  • Aquele cara que sempre posta fotos fazendo caridade?
  • Aquele outro que sempre posta sobre religião ou politica?

Uma coisa eu sei, o que postamos tem muito a ver com a imagem que pretendemos passar para o mundo. É incrível como eu me enfado com as redes sociais. As vezes saio e prometo não postar mais nada, quando vejo estou aqui novamente. Regredindo? Talvez, ainda não decidi se acho a rede social e as conecções excessivas um avanço ou um retrocesso. Talvez seja um pouco dos dois. Mesmo assim, eu acho irrelevante a maior parte das coisas que eu posto e a maior parte das coisas que os outros postam.

Escrevo no blog porque acredito que essa é a melhor forma de praticar. Ler, ter experiências e escrever. Quem sabe eu escreva algo que valha a pena? Desenhe algo que seja uma maravilha? Projete algo incrível? Sendo assim, me rendo a era digital e compartilho meus pensamentos com uma ou duas pessoas que me leem. E concluo, É sim, é gratificante receber alguma crítica, elogio, mesmo banal pelas redes. O like conta. Infelizmente?

“Quanto a mim, não pertencia a essa tribo, que eu fingia desdenhar e, na verdade me intimidava.”

Talvez sejamos todos crápulas.

sarah adulta eu

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Posso te fazer uma pergunta?

Posso começar diferente? Posso escrever um texto só com perguntas?

O que a rede social significa? Conecta as pessoas? Desconecta as pessoas da vida real? O que aconteceu com a privacidade? Ou melhor, a privacidade existe? A privacidade persiste?

O que um like significa para você? O que significa compartilhar selfies? Você passa horas em programas de edição de imagem? O que você sente ao tirar mil fotos para escolher uma? O que significa compartilhar o que se está fazendo 24/7?

O que você espera quando posta? Sentir-se amado? Sentir-se importante? Instigar o questionamento?
Porque registrar todos os seus momentos online? Qual é a compensação? Você critica o modo como as pessoas usam a rede social? A rede social de deixa ansioso?

Você vigia seus amigos? Sua família? Seus amores? Te incomoda quando alguém “deveria” curtir algo no seu mural não curte? Te incomoda mandar uma “indireta” no mural e a pessoa não perceber? Ou pior, não se importa?

O que tem de tão libertador em mandar “Bom dia” nos grupos de WhatsApp? O que te torna tão seguro que ao propagar ideias? Por que você acha que você está certo? O que acontece quando você recebe uma critica? Você sabe apreciar uma critica? Você entra na defensiva? Você pede desculpas? Você se permite mudar?

Você tem problemas nos seus relacionamentos por causa da rede social? Você se sente menos amado quando alguém demora para te responder? E quando a mensagem fica azul e nada? E quando a pessoa está online e não te respondeu? E se a pessoa saiu e não postou?

E se a bateria acaba? Você confere quantas pessoas olharam? Você consegue conversar em casa sem o celular na mão? Você consegue dedicar 5 minutos para ler um livro, ver um filme? Você consegue se sentir amado mesmo quando ninguém te mandou mensagem? Você consegue estar com seus amigos sem o celular? Você se diverte sem postar fotos?

Somos detestáveis? Somos admiráveis? Gênios? O que te move? O que me move? Para onde vamos?


sarah adulta eu

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