Sequestros Neurais

Sequestros Neurais

O cérebro considera impossível ignorar expressões emocionais, principalmente as de irritação. Examine uma multidão, e alguém com a expressão irritada irá se destacar. Esse é o cérebro neandertal em busca de eventuais ameaças. Isso ocorre porque somos programados para prestar atenção reflexiva a “estímulos supernormais”, que seja por segurança, nutrição ou sexo.

No mundo atual, anúncios publicitários que agem sobre essas mesmas inclinações pré-programadas também nos cutucam no sistema ascendente, conquistando atenção reflexiva. Basta vincular sexo ou prestigio a um produto e é possível ativar esses mesmos circuitos para nos influenciar a comprar por motivos que sequer percebemos.

Nossas propensões particulares nos tornam ainda mais vulneráveis alcoólatras ficam fascinados por anúncios de vodca; depravados, por pessoas sensuais num comercial turístico.

Quando somos dominados por fortes emoções, elas guiam nosso foco, fixando nossa atenção no que é mais perturbador e fazendo com que nos esqueçamos do resto.

Sequestros emocionais são disparados pela amígdala – esqueça o seu pescoço, estamos falando do cérebro -, o radar de emaças do cérebro que está constantemente rastreando o entorno em busca de perigo.

Sequestros Neurais

Quando esses circuitos encontram uma ameaça (ou o que poderia ser uma ameaça – pois frequentemente se enganam), uma ampla via de circuitos neuronais subindo para as áreas pré-frontais envia um bombardeio de sinais que faz com que a parte mais baixa do cérebro guie a parte mais alta: nossa atenção se estreita, colada ao que está nos perturbando; nossa memória se reembaralha, tornando mais fácil recordar qualquer coisa que seja relevante à ameaça em questão. E nosso corpo entra em marcha acelerada enquanto uma enxurrada de hormônios do estresse prepara nossos membros para lutar ou correr. Nós nos fixamos no que é perturbador e esquecemos o resto.

Quanto mais forte a emoção, maior a fixação. Os sequestros emocionais são as supercola da atenção. Por quanto tempo? Isso depende do poder da região pré-frontal esquerda para acalmar a amigdala excitada. A resiliência emocional se resume à rapidez com que conseguimos nos recuperar de problemas nesses casos.

O envolvimento ativo da atenção significa uma atividade descendente, um antidoto para o risco de se atravessar o dia com um automatismo de zumbi. Podemos reagir a comerciais, ficar alertas ao que está acontecendo ao nosso redor, questionar rotinas automáticas ou melhora-las. Essa atenção focada e frequentemente orientada a resultados descuidados é o foco ativo.

Embora as emoções possam desviar nossa atenção, com esforço ativo também conseguimos administrar as emoções descentes. Assim, as regiões pré-frontais assumem o controle da amigdala, diminuída sua potencia. Um rosto irritado, ou mesmo aquele bebê fofo, pode não conseguir capturar nossas atenção quando os circuitos do controle descendente assumem as escolhas do cérebro sobre o que levar em consideração e o que ignorar.

sarah adulta eu

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Insights criativos e onde habitam

criativida

Escrito ao som das 4 estações de Vivaldi

Após dois posts analisando a física sobre o viés histórico, vocês devem ter percebido que as histórias dos insights brilhantes acontecem durante uma caminhada, no meio do banho, num passeio ou nas férias. Essas “coincidências” são comumente conhecidas como ócio criativo.
Quando avaliamos o ato de pensar, comumente atribui-se mais valor aquela atenção focada e orientada a resultados do que a percepção aberta e espontânea. Mas, todo tipo de atenção tem sua utilidade.
criativida
Metade dos nossos pensamentos são devaneios espontâneos, para a ciência isso sugere que esta pode ter sido uma vantagem evolutiva, a mente humana é capaz de considerar o imaginário. Porém, em momentos que precisamos executar questões cognitivamente exigentes o processo de dispersão da mente prejudica nosso desempenho. Descobriu-se que isso ocorre devido ao fato de duas áreas cerebrais que estarem ativadas durante a ruminação:

Faixa medial do córtex pré-frontal: sendo que o impulso interno para se afastar do foco intencional é tão forte que cientistas cognitivos entendem a mente divagadora como o modo-padrão do cérebro.
Sistema executivo do córtex pré-frontal: área que era considerada primordial para nos manter contato em tarefas.

Para onde a mente deriva?

Nossa mente normalmente deriva para nossas preocupações pessoais e nossas questões não resolvidas. Ou seja, apesar da divagação da mente prejudicar nosso foco imediato em alguma tarefa especifica, ela é responsável por resolver problemas importantes para nossa vida.

Enfim, a divagação da mente está associada a geração de cenários para o futuro, a autorreflexão, a capacidade de se relacionar em um mundo social complexo, a incubação de ideias criativas, a flexibilidade do foco, a ponderação do que se está aprendendo, a organização das lembranças ou mera meditação sobre a vida – e também a possibilidade de darmos ao nosso circuito de foco mais intensivo uma pausa revigorante.

criativida

Vocês se lembram de quando falamos sobre Arno Penzias e Robert Wilson e a polêmica do Nobel 1978 no post sobre o espaço?

Em resumo, eles pesquisaram durante um ano o universo com equipamentos superpotentes, mas ficaram sobrecarregados por um mar de dados originais e na tentativa de simplificar o trabalho ignoravam “uma estática sem significado”. Então, ocorreu encontro casual com os físicos Bob Dicke e Jim Peebles que estudavam a possibilidade de os vestígios do Big Bang estarem chegando a terra nos dias de hoje. Esse encontro possibilitou o insight – e um polêmico prêmio Nobel em 1978 – pois, Penzias e Wilson a perceberam que o que eles vinham interpretando como “ruído” era na verdade um sinal fraco das continuas reverberações do Big Bang.

O devaneio incuba a mente criativa. A consciência aberta cria uma plataforma mental para descobertas criativas e insights inesperados. Na consciência aberta, não temos advogado do diabo, nem cinismo ou julgamento – apenas receptividade absoluta para o que vier na mente.

Hoje existem estudos que comprovam que adultos com TDAH, comparados com adultos sem o transtorno, mostram níveis maiores de pensamentos criativo original e mais realizações criativas reais.

Os insights criativos e onde habitam

Rappers freestyling, improvisam letras na hora de cantar, nesse momento demonstram uma atividade aumentada no circuito de divagação mental, entre outras partes do cérebro – permitindo novas conexões entre redes neurais distantes. Nesta espaçosa ecologia mental, temos mais propensão a fazermos novas associações, a sensação de EUREKA!

Em momentos criativos menos frenéticos, pouco antes de um insight, o cérebro costuma descansar em um foco aberto e relaxado, caracterizado por um ritmo alfa. Isso sinaliza um estado de devaneio ou sonho acordado. Como o cérebro armazena diferentes tipos de informações em circuitos de amplo alcance, uma consciência vagando livremente aumenta as chances de associações com serendipidade e novas combinações.

Picos gama ocorrem rotineiramente durante operações mentais e logo antes de um insight criativo. Porém o local do pico gama durante o insight criativo é revelador: ele ocorre na área do cérebro associada aos sonhos, a metáforas, à lógica da arte, do mito e da poesia. Elementos que operam na linguagem do inconsciente, uma esfera onde tudo é possível. O método de associação livre de Freud e abre uma porta para esta modalidade de consciência aberta.

Casulo criativo

vocação, trabalho, emprego e de carreira

Vivemos o caos do mundo contemporâneo. A era da informação. O fluxo ininterrupto de e-mails, mensagens de WhatsApp, notificações do facebook, contas a pagar, nos deixa num estado cerebral contrário ao foco aberto no qual as descobertas da serendipidade prosperam.

Num post antigo: trabalho, emprego, carreira e vida. Comentamos sobre a necessidade de encontrar um tempo livre no qual possamos manter a manter uma consciência aberta. Porque em meio ao tumulto das nossas distrações diárias, a procrastinação e as listas infindáveis de tarefas, a inovação trava. Somente, o tempo livre deixa o espirito criativo florescer. Agendas apertadas o matam.

Um estudo da Harvard Business School sobre a forma de trabalho interno de 238 membros de equipes de projetos criativos, que recebiam como tarefas desafios de inovação que iam de solucionar complexos problemas de TI a inventar equipamentos de cozinha. Percebeu que os Insights criativos fluem melhor quando as pessoas têm objetivos claros, mas também liberdade de meios para atingi-los. E o mais importante, tinham períodos de tempo reservados – o bastante para realmente pensarem livremente. Um casulo criativo.

Não confunda uma mente a deriva com ruminação!

vocação, trabalho, emprego e de carreira
Em fevereiro, escrevi um post tratava de mindfulness, ou atenção plena. que pode parecer que conflita com o que estou escrevendo agora. Porém existe uma ténue diferença entre a mente a deriva e a ruminação danosa. A prática constante da meditação ou a terapia psicológica ajuda o desenvolvimento da metaconsciência (capacidade de observarmos os nossos processos mentais, relacionarmos com os nossos sentimentos e escolher o que fazer a respeito).

O fortalecimento das conexões entre as zonas executivas pré-frontais e a amígdala (área do cérebro que domina as emoções), especialmente fortalece as regiões que dominam o autocontrole, os circuitos que podem dizer “não” aos impulsos.

Enfim…

Você é um sortudo. Sua mente tem infinitas ideias, lembranças e associações potenciais esperando para serem feitas. Mas a probabilidade de a ideia certa se ligar com a lembrança correta no momento adequado – e tudo isso ser capturado pelo holofote da atenção – diminui drasticamente quando estamos hiperfocados ou sobrecarregados demais por distrações para percebemos o insight. Então, relaxe e curta o seu tempo livre.

sarah adulta eu

Sugestões bibliográficas:

  • De onde vem as boas ideias (Jorge Zahar)
  • Working memory capacity, attencional focus, and problem solving (Wiley e jafoz)
  • The power os small wins (teresa Amabile e Seven Kramer)
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Teste do marshmallow: Será que você passa?

Teste do marshmallow foco concentração

Hoje vou abordar um dos temas que mais me interessa: Comportamento humano. Esse tema está longe de ser fácil ou simples, por isso, se vocês quiserem as referências dos estudos que vou apresentar nesse texto, busque-as ao final do post.

Uma das pesquisas pioneiras a cerca da inteligência, ocorreu em 1960, houve um pequeno projeto com crianças de lares carentes que receberam atenção diferenciada num programa pré-escolar que ajudava a cultivar o autocontrole. O objetivo era aumentar o QI dessas crianças, pois nesse momento acredita-se que esse aspecto da inteligência era a mais importante, porém o teste falhou nisso.

Mais tarde quando compararam esses alunos com outros alunos, perceberam que o programa estava de certa forma influenciando em áreas como: menores taxas de gravidez na adolescência, abandono escolar, delinquência e até mesmo no número de faltas do trabalho. Ou seja, no planejamento de vida.

Então, em 1972, a universidade de Stanford deu prosseguimento a essa analise e realizou o “teste do marshmallow”, com intuito de intuito de testar a capacidade das pessoas de adiar uma satisfação.

Nesse teste foram convidadas 57 crianças, todas com 4 anos de idade. Cada criança foi conduzida a uma suposta sala de jogos que estava vazia (leia-se: sem distração) e onde estava disposta uma bandeja com 1 marshmallow.

Então vinha a parte difícil. O pesquisador dizia para a criança: “Você pode comer o doce agora. Mas se não comer até eu voltar, você poderá comer dois doces.”

O resultado foi o seguinte: 1/3 das crianças pegava o doce imediatamente, enquanto outro 1/3 esperava por 15 minutos e o outro 1/3 se situou em algum ponto entre os dois grupos.

O importante é que os pequenos que resistiram à sedução do doce receberam pontuações mais altas em medidas de controle executivo, principalmente na realocação da atenção.

Mas, o que é realocação de atenção? A forma como focamos é chave da força de vontade, o que o autor chamou de “a alocação da atenção”. Sendo assim, as crianças que esperaram 15 minutos o fizeram se distraindo com artimanhas, como: jogos de faz de conta, cantarolando, cobrindo os olhos. Se a criança se fixava no doce, ela perdia o controle e comia.

Nesse caso foram analisados, 3 subtipos de atenção e são todos aspectos da atenção executiva, todos relacionados ao confronto do autodomínio com a suposta gratificação instantânea:

  1. Capacidade de voluntariamente desligar nosso próprio foco de um objeto do desejo que prende poderosamente a atenção;
  2. Capacidade de se distrair, nos permite manter nosso foco em outra coisa.
  3. Capacidade de manter o foco no futuro, aguardar pelo bem maior;

Essas crianças foram procuradas 40 anos mais tarde, e os pesquisadores concluíram que aqueles que resistiram aos doces aos 4 anos ainda eram capazes de atrasar a gratificação, e os demais apresentavam problemas para conter seus impulsos.

Então, quanto melhor era o autocontrole na infância, melhor as crianças se saíam quando adultos. Leia-se: melhor estado de saúde, mais sucesso financeiro e mais cumpridores das leis.

Teste do marshmallow foco concentração

Além disso, o autocontrole prevê um bom ajuste emocional, melhores habilidades interpessoais, sensação de segurança e adaptabilidade.

Ponto principal: uma criança pode ter uma infância privilegiada financeiramente, porém, se não aprender como adiar uma gratificação para ir atrás de seus objetivos, essas vantagens iniciais podem perder a força ao longo da vida.

Papais e mamães, não subestimem o valor de estudar violão ou manter a promessa de limpar o coco do cachorro. Qualquer coisa que fizermos em prol de aumentar a capacidade de controle cognitivo da criança irá ajuda-la ao longo de toda a vida.

Teste do marshmallow foco concentração

Importante ressaltar que, esse texto foi motivado pelo livro FOCO do psicólogo de Harvard, ph. D. Daniel Goleman. É o segundo livro desse autor que leio, o primeiro foi inteligência emocional. Se você se interessar e quiser se aprofundar, pode recorrer a esses livros para melhor explicação, apenas esteja preparado para lidar com termos a respeito da fisiologia do cérebro.

Teste do marshmallow foco concentração

Referências bibliográficas:

  • Goleman, Daniel, Foco: a atenção e o seu papel fundamental para o sucesso/ rio de janeiro: Objetiva, 2014
  • Lawrence j schweinhart et al. Lifetime effects: the high/ scope perry school study trough age 40, ypsilanti: high/scope press, 2005
  • Estudo pré-escolar: J.J.Heckman, Skill formation and the economics of investing in disadvantaged children, Science, 312: 1.900-1.902, 2006
  • Estudo de Dudedin: Terrie E. Moffitt et al., A gradiente of childhood self-control predicts health, wealth and public safety, PNAS 1-16.2010.
  • June tangney et al. High self-control predicts good adjustment, less pathology, better grades, and interpersonal success, jornal of personality, 2004, 72,2, 271-323.
  • Jeanne mcCaffery et al. Less activation in the left dorsolateral pré-frontal córtex in the reanalysis of response to a meal in obese than in lean women and its association with successful weight loss, Am J Clin Nutr, outubro 2009, vol. 90, nº4, 928-934.
  • Walter Mischel, citado em Jonah Lehrer Don’t, the new yorker, 18 maio 2009

 

sarah adulta eu

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