Como dar o melhor de sí?

Prulúdio
Havia um homem que, desejando transcender seu sofrimento, foi a um templo budista para encontrar um Mestre que o ajudasse. Dirigiu-se a ele e perguntou:
– Mestre, se eu meditar 4 horas por dia, quanto tempo vou levar para me iluminar?
O mestre olhou para ele e respondeu:
– Se meditar 4 horas por dia, provavelmente chegará a iluminação em 10 anos.
Imaginando que poderia fazer melhor, o homem perguntou:
– Mestre, se eu meditar 8 horas por dia, quanto tempo levarei para transcender?
– Se meditar 8 horas por dia, talvez possa atingir a iluminação em 20 anos.- respondeu o Mestre.
– Mas por que levarei mais tempo se meditar mais? – indagou o homem.
– Você não está aqui para sacrificar sua alegria ou sua vida. Você está aqui para viver, para ser feliz, para amar. Se puder dar o melhor de si em duas horas de meditação… Mas se gasta oito horas, só vai se cansar, perder o objetivo principal e não aproveitará sua vida. Dê o melhor de si e talvez aprenda que não importa quanto tempo você medita, pode viver, amar e ser feliz.
sarah adulta eu
O texto de hoje foi apenas um prelúdio do próximo post onde vou falar sobre a filosofia Tolteca. Não é só a comida mexicana que é boa. Aguardem…

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Prática inteligente: Mindfulness

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A atenção plena (mindfulness) estimula a rede de atenção que tem a função de desligar seu foco de uma coisa, transferi-lo para outra e permanecer naquele novo foco de atenção. Outra melhoria-chave está na atenção seletiva, ou seja, inibição da força das distrações. Essa função permite focar no que é importante em vez de nos distrairmos com o que está acontecendo ao nosso redor. Essa é a essência do controle cognitivo.

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Um dos maiores benefícios para os estudantes é a compreensão. Mentes divagando geram buracos na compreensão. O antidoto para divagação da mente é a metaconsciência, a atenção a própria atenção, como na capacidade de perceber o que você não está percebendo, o que deveria estar percebendo e corrigir o foco.

Há também os efeitos relaxantes. Esse impacto fisiológico sugere uma redução no ponto de ajuste para estimulação do circuito do nervo vago, a chave para habilidade de manter a calma em situações de estresse e se recuperar rapidamente de aborrecimentos. Ou seja, as pessoas têm mais condições de administrar tanto a atenção quanto suas emoções. Na esfera social, podem criar relacionamentos positivos com mais facilidade e ter interações mais efetivas.

Praticamente qualquer variedade de meditação recicla nossos hábitos de atenção – especialmente a rotina-padrão de uma mente divagando. Quando os tipos de meditação foram examinados – concentração, geração de bondade e consciência aberta – todas as técnicas acalmaram as áreas da divagação da mente. Ficamos mais envolvidos com o mundo.

Como isso funciona no cérebro? A atenção plena fortalece as conexões entre as zonas executivas pré-frontais e a amígdala (emoções), especialmente os circuitos que podem dizer “não” aos impulsos – uma habilidade vital para atravessarmos a vida.

Uma função executiva aprimorada significa uma distância mais ampla entre o impulso e a ação, em parte por produzir a metaconsciência, a capacidade de observamos nossos processos mentais em vez de apenas sermos dominados por eles. Isso cria pontos de decisão que não tínhamos antes: podemos oprimir impulsos incômodos que normalmente nos levariam a agir.

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Quanto mais o número de respostas “sim”, maior a probabilidade de você fechar a mente em vez de sintonizá-la. A atenção plena possibilita um maior nível de escolhas de foco. A falta de atenção, na forma de divagação da mente, pode ser a maior fonte de desperdício de atenção no local de trabalho e na vida de forma geral.

O foco em nossa experiência no aqui e agora – como na tarefa em execução, na conversa que estamos tendo ou na construção do consenso numa reunião – demanda que desliguemos o “eu”, aquele-fluxo de pensamento que gera o mosaico mental de coisas todas-sobre-mim irrelevantes ao que está acontecendo agora.

O mindfulness desenvolve nossa capacidade de mirar nosso foco no presente observando nossa experiência momento a momento de uma forma imparcial e não reativa. Nós praticamos o abandono de pensamentos sobre qualquer coisa e abrimos nosso foco para o que que que nos venha à mente no fluxo de consciência, sem nos perdermos num fluxo de pensamentos sobre uma única coisa.

Produzir controle executivo ajuda especialmente àqueles de nós para quem qualquer contratempo, mágoa ou decepção cria cascatas intermináveis de ruminação. A atenção plena permite que bloqueemos o fluxo de pensamentos que poderia, de oura forma, nos levar a afundar na tristeza ao modificar nosso relacionamento com o próprio pensamento. Em vez de sermos arrebatados por esse fluxo, podemos fazer uma pausa e ver que são apenas pensamentos – e decidir se iremos ou não fazer algo a respeito deles.

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Há também o conceito multitarefas, a ruína da eficiência. Ser “multitarefa” na realidade significa trocar o que está preenchendo a capacidade da memória de trabalho – e interrupções rotineiras de um determinado foco no trabalho podem significar minutos perdidos para a tarefa original. Podem ser necessários de 10 a 15 minutos para o foco total ser recuperado.

Já existem diversos cursos voltados para essas práticas no dia-a-dia: Universidade Google “Busque dentro de você”; Inner Resilience Program; Centro da mente Contemplativa; Institute for Mindful Leadership; Center for Contemplative Mindfulness-Bades Stress. E se você acha que estou falando história para boi dormir, gostaria de salientar que empresas como: Google, Target, Cargill, Honeywell Aerospace, tem obrigado seus funcionários a tomar parte nesses cursos.

“Os participantes disseram que se tornaram mais capazes de utilizar estratégias de autorregulação – como redirecionar a atenção para aspectos menos perturbadores de situações delicadas – no calor do momento em que suas atenções estavam sendo sequestradas. Eles estão promovendo a preparação do músculo da atenção para escolher qual aspecto da experiência devem observar.  Eles são mais capazes de usar essas habilidades de atenção quando elas se mostram realmente necessárias. Também descobrimos um aumento da preocupação empática pelos outros e uma capacidade de ouvir melhor. Um é uma atitude, o outro é a habilidade em si, o músculo. São coisas vitalmente importantes no local de trabalho.”

Philippe Goldin, psicologo de Stanford avaliador do programa da Google “Busque dentro de você”

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Nós podemos julgar mal o que fará com que nos sintamos bem, se não nos propusermos a nos conhecer melhor. A maioria dos líderes simplesmente não faz pausas, mas todos precisamos de um tempo para refletir. Reservar algum tempo regular para refletir na agenda diária ou semanal pode ajudar a vencer a hiperatividade habitual, avaliar a situação e olhar adiante. Precisamos construir uma sociedade com triplo foco: em nosso próprio bem-estar, no bem-estar dos outros e nas operações dos sistemas mais amplos que moldam nossas vidas.

Uma proposta seria prestar mais atenção à forma como usamos nosso dinheiro, corremos o risco de sermos vítimas de anúncios sedutores de produtos que não nos deixarão nem um pouco mais felizes.

Dados econômicos globais mostram que quando um país atinge um nível modesto de renda – o suficiente para as necessidades básicas – não há qualquer relação entre felicidade e riqueza. Coisas intangíveis como relações afetuosas com pessoas que amamos e atividades significativas tornam as pessoas muito mais felizes do que digamos, fazer compras ou trabalhar.

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É intrigante que Singapura tenha se tornado o primeiro país do mundo a exigir que todos os alunos passem por um Programa de Aprendizagem Acadêmica, Social e Emocional. O Governo fez parceria com o Psicologo Roger Weissberg, e passou a elaborar os planos de aulas com base em inteligência emocional.

Essa minúscula cidade-Estado representa uma das grandes histórias de sucesso econômico dos últimos cinquenta anos, exemplifica como um governo paternalista transformou uma nação diminuta numa potência econômica. Sendo assim, o segredo desse sucesso está no seu povo que o governo cultivou intencionalmente esses recursos humanos como propulsores de sua economia.

sarah adulta eu

Referencias:
Norman Farb et al. “Attending to the presente: Mindfulness Meditation Reveals Distinct Neural Modes of Self-Reference, Social Cognitive Affective Neuroscience 2, n 4 (2007):313-322
Aviva Berkovich-Ohana et al. “Mindfulnesse-Induced Changes in Gamma Band Activity 123, n 4 (Abril de 2012): 700-710
Richard J. Davidson et al., “Alterations in Brain and Immune Function Produced by Mindfulness Meditation!, Psychosomatic Medicine 65 (2003): 564-570
Frederickson, Barbara, Love 2.0
Stephen W. Porges, the Polyvagal Theory. Nova York: W. W. Norton & Co.,2011
Richard Davidson “Centro para investigação de mentes saudáveis”
Nathaniel R. Riggs et al., “The impacto f Enhancing Students” Social/ Emocional Learning: A meta-Analysis of School-Based Universal Inventions”, Child Development 82, n.1 (2011): 405-432

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