Você quer um carro? Vamos falar sobre mobilidade urbana!

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No dia 5 de maio estive na Reunião Magna da Academia Brasileira de Ciências e, entre diversas palestras, uma que me chamou a atenção foi “Cidades mais humanas, inteligentes e sustentáveis” de Eduardo Costa (professor da UFSC e PUC-Rio). Isso e mais um pouco de reflexão pessoal e em grupo me inspirou a escrever aqui.

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Para esclarecer um pouco se alguém chegou perdido até esse texto, mobilidade urbana diz respeito a como a gente se move pelas nossas cidades (dã?) e quais os melhores meios de se fazer isso (nem sempre isso é óbvio). Em geral, o primeiro pensamento que nos vem a cabeça é o carro e como a gente sonha que todos os nossos problemas seriam resolvidos se tivéssemos um a nossa disposição (de preferência com um motorista, né?). E muitas de nossas cidades foram construídas e adaptadas ao longo do tempo para que comportem cada vez mais tráfego de veículos, mas será que é isso mesmo que a gente precisa?

Aqui em Niterói, eu sempre valorizei muito o fato de poder andar pela rua. Parece simples, mas venho descobrindo que é algo quase raro. Poucas coisas aqui eu preciso do carro. Na palestra ele cita o exemplo de Paris, e diz que todo mundo que visita a cidade fica com a mesma impressão:

“- O meu hotel era ótimo, ficava próximo à ótimos museus e tinha uma padaria incrível na frente e uma confeitaria maravilhosa a cinco passos de distância…
– Poxa, então você deve ter ficado no mesmo hotel que eu…”

A explicação é que a cidade foi planejada para que tudo que você precise esteja a poucos metros de distância e, praticamente toda sua vida pode ser resolvida no seu próprio arrondissement. A minha vontade na hora foi de levantar e avisá-lo que ele não precisava ter ido tão longe, não conheço Paris mas acho que acabou de descrever Niterói.

Niterói não foi tão planejada como Paris e quem é apaixonado pelo Rio de Janeiro acha minha cidade meio provincial, mas a qualidade de vida aqui é indiscutível.

Por que então estamos em qualquer lugar ávidos por esse modelo de cidade “desenvolvida”, o sonho americano dos subúrbios de filmes?

Alguns fatos que ele menciona durante a palestra:

  • Durante horários de rush, a velocidade média da linha vermelha é em torno de 12km/h. A mesma velocidade da charrete.
  • Só no município de São Paulo 800 carros são licenciados por dia.
  • O custo de manter um carro parado na garagem é em torno de 1500 a 2000 reais por mês.

Então, faço coro à reflexão apresentada por ele: Que grande desenvolvimento é esse, se a gente anda na velocidade da charrete?

Pra enriquecer a reflexão:
Vídeo 1
Neste, o foco é a qualidade de vida que cai em função do uso excessivo de carros. Ela também discute o fato de as cidades serem construídas nesse molde de centro vs. subúrbio e os pesos que esse modelo coloca sobre os ombros da população – em especial, a população pobre.
Vídeo 2
Interessante para avaliar a questão através dos números. Considerando a quantidade de carros que têm em São Paulo e o total de ruas para eles deveriam haver 411 caros por km, mas considerando um tamanho médio de carros populares estes 411 ocupariam 1,5km de ruas. Não fecha né?
Vídeo 3
Sobre a mobilidade urbana se tornar imobilidade urbana. Inclui uma famosa citação, que vale a reflexão: “Cidade desenvolvida não é onde os pobres podem ter um carro, mas sim onde até os ricos usam o transporte público”. Toca no sensível ponto das faixas prioritárias de ônibus.

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3 Comments

  1. Icaraí, a bolha do amor s2
    Detesto dirigir, mas se tivesse um motorista admito q nem ligaria pro trânsito =X
    É minha hipocrisia pessoal do “detesto carro, mas me dá uma carona?” xDD

  2. Como eu queria poder fazer as coisas sem carro… Mas apesar do meu estado e cidade não serem tão grandes assim, tudo fica longe. Principalmente em meu bairro. É complicado… Enfim, amei a postagem. Um beijo ♡

    1. Pois é, Vanessa. Nosso país, de maneira geral, foi construído para que a gente sempre precisasse de carro (desde a época da chegada das grandes multinacionais montadoras de automóveis). Além disso, a própria população sempre viu o carro como uma melhora na qualidade de vida, como eu falei ali no post, muito por causa do “american way of life” que nos é vendido nos filmes etc. Se a gente conseguir conscientizar uma pessoa por vez, já sinto que vamos melhorar 🙂

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