Zumbi Pendular: Adulta ou Jovem?!

Amanda Adulta eu convidado relato pessoal zumbi
No momento acho que me encontro no limbo da existência humana: não me sinto nem adulta nem jovem/ adolescente. Vivo no pendular zumbi entre a vida adulta e a de jovem. Talvez não me sinta tão adulta porque aos 26 anos, ganho um salário que não dá nem pra estocar miojo na dispensa, estou longe de ter um relacionamento amoroso estável, e ainda moro com meus pais. Em suma: o projeto de ser bem sucedida antes dos 30 flopou.
Não me sinto adulta porque 98% do tempo não me considero condutora da minha vida. Parece que meu poder de decisão é nulo em tudo no dia a dia: Não escolhi meu trabalho, ele apareceu. E afinal de contas quem é doido não aceitar emprego na atual conjuntura do país? Paga as contas. Fique feliz. Seja grato. Poderia ser pior. Aliás, só me sinto adulta quando chegam os boletos com as três palavras que mortificam a alma: “data de vencimento”.

Não me sinto mais tão jovem porque não tenho aqueela mesma energia para “coisas jovens”. Você sente que a chave virou quando as preferências mudam. Noitada? Pra que? Vamos reunir a galera e tomar um vinho lá casa. Ou sentar num barzinho e conversar. Noitada tem muito barulho, não dá pra interagir. Gente relando em mim, perguntando se posso conversar 1 minutinho. Filas enormes no banheiro. Preços absurdos pelo álcool. Muito esforço pra pouco resultado. No fim de semana acaba sendo regido pelo salmo 23 da bíblia do adulto “Netflix é meu pastor e nada me faltará”.

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Porque quando você se vê submerso numa rotina de 8 horas ou mais de trabalho, estudo, trânsito, academia, sono, e problemas, percebe que o tempo é algo valioso demais pra se gastar com coisas e pessoas levianas. Você passa a selecionar os amigos. Os amores. Os passeios. As conexões verdadeiras passam a ser cada vez mais raras, e por isso, essenciais.
E aí chegam os convites de casamento, os chás de bebê, open house de amigos, e a sensação de estar estagnado numa vida que não te pertence de fato começa a assustar. Parece que todo mundo evoluiu de alguma forma e você continua engessado. Nesse quesito, Facebook e instagram deviam vir com uma advertência: em caso de insatisfação extrema com a própria vida, não logar. Todos são bonitos, felizes, ricos, viajantes, em relacionamentos e perfeitos.

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Mas nem em meio a todo esse panorama de caos, incerteza e frustração coleciono pequenas vitórias: Durmo bem, não preciso de ansiolíticos ou anti depressivos, sou um ser humano bem humorado, otimista (pasmem!), me dou bem com 99% das pessoas com as quais convivo, e não tenho pressa alguma em achar o tal amor da vida. Porque aprendi a não sofrer pelas coisas que estão fora do meu controle, e que a vida não funciona no meu timing. Não é o fim do mundo. Tenho certeza que dou o meu melhor em todas as esferas da minha vida e faço das insatisfações a força motriz para tentar evoluir cada vez mais. Isso me dá uma certa paz de espírito e autoconfiança.

O que quero dizer é que não importa se você é adulto, jovem ou zumbi errante num limbo sem adjetivo definido: seja gentil consigo mesmo. Faça seu melhor. No fim somos todos perdedores. No cenário mais otimista, vamos perder algo. Aquele emprego dos sonhos, um amor, um ente querido…então tenha leveza. Se ame. A vida não é só boleto.

amanda farias

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